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Ele já teve uma padaria, trabalhou em diversos lugares, construiu coisas em sua casa… A lista de afazeres de Antonio Tonon, mais conhecido como ‘Seu Tonon’ é grande. Mas o que faz os olhos do aposentado brilharem é a produção de cerveja artesanal.

Há cinco anos, por influência de um amigo que já admirava esse tipo de bebida, Seu Tonon começou a se interessar pelo assunto e participou de um curso que ensinava a fazer o produto em casa. De lá para cá, foram mais de 100 receitas produzidas – uma diferente da outra. “Eu projeto todas as receitas com a ajuda de um programa no computador. De todas que eu já fiz, se eu não modifiquei inteirinha, pelo menos, mudei alguma coisa. Então todas são de minha autoria”, conta.

Além de produzir a cerveja, o aposentado montou todos os equipamentos que usa: desde as mesas, moinho, fogão e prateleiras até o motor, que ele mesmo projetou, sozinho. Mesmo sendo um longo processo – algumas levam até três meses para ficarem prontas – Seu Tonon afirma que nunca desanimou! “Não tenho porque desanimar! Cada uma é única, diferente da anterior e o processo vale a pena”, afirma.

Apesar de todo o gasto e o tempo que ele se dispõe a fazer, o aposentado não cobra e nunca cobrou por nenhuma garrafa. Começar a comercializar o produto? Nem pensar! Seu Tonon gosta de fazer e receber os amigos, não só dele como de seu filho, e se diverte com isso – com todos a sua volta desfrutando do seu produto. Quando tem visita em sua casa, a cerveja é como um troféu, onde todos tiram fotos e fazem questão de exibir nas redes sociais.

“A cerveja é a bebida da confraternização. Você não abre um vinho e começa a beber do nada. Tem toda uma situação, uma ocasião especial para poder abrir uma garrafa de vinho. A cerveja não é assim. Ela une sempre as pessoas”, afirma.

A entrevista é interrompida por uma vizinha que toca a campainha de sua casa pedindo algumas garrafas de cerveja. Com paciência e boa vontade, Seu Tonon pede licença, abre a geladeira, separa algumas garrafas e entrega para a vizinha. Volta e diz: “É sempre assim!” – com um sorriso no rosto que mostra sua satisfação em fazer isso e prova o que ele havia dito anteriormente.

E quando a cerveja não fica boa? “Não fica boa para quem? Ela pode não ser boa para mim, mas é para outra pessoa. Quantas vezes eu não gostei de uma receita, achei que tivesse errado em algo e vem alguém e bebe tudo. Vai entender!” (risos), brinca.

Confira um pouco do processo para produzir a sua própria cerveja! E aí, se animou?

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Para fazer a cerveja, você precisa de uma série de maltes. A Tonon número 101, por exemplo, tem malte de trigo, malte pilsen, malte de trigo claro e cevada torrada.

Depois de a receita projetada, com a seleção de maltes, é preciso pesar esses ingredientes, moer e cozinhar. “Esse é o grande segredo da receita. É nessa hora que eu extraio do malte os açúcares que eu quero que sejam fermentáveis ou não”, diz.

Após esse procedimento, passa-se a receita em um filtro para tirar o bagaço. Depois, ela é fervida, novamente.
Nessa fervura, vai o lúpulo, conservante natural que dá o amargo à receita.

Depois, inclui a serpentina. O produto será resfriado – como ferveu por 90 minutos, é preciso resfriar o com uma bomba, um balde e gelo. “Eu faço a água circular para resfriar”, conta.

Feito isso, você tem que bombear e fermentar.

Terminada a fermentação, vai para maturação.

Depois, é preciso engarrafar e fazer uma fermentação dentro da garrafa para a produção de gás carbônico.

Até ficar pronta, a cerveja demora, no mínimo, 30 dias. Lembrando que, começado o processo, não se pode parar e demorar muito tempo para seguir a próxima etapa. “Se eu interromper quando estou extraindo os açúcares, vai fermentar e eu vou perder os produtos. Se interromper a fervura, vai estragar. A fermentação não tem como interromper. Então tem que começar e terminar”, conta.

Custo: Em matéria-prima, gasta-se, pelo menos, cinco reais.

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