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A estudante de jornalismo, Jéssica Godoy, encarou a aventura de viver dois meses em um dos países mais frios da Europa: a Polônia. Apesar de estar acostumada com o calor bauruense, de ter andado de avião somente uma vez e nunca ter saído da casa dos pais, a estudante disse ‘sim’ ao desafio e conta, agora, como essa experiência mudou a vida!

O ‘sim’!

“Na verdade eu sempre brinco: não escolhi a Polônia, a Polônia me escolheu! Vou explicar: queria muito um intercâmbio. Aí fui convidada para um evento da Aiesec Bauru pelo Facebook. Achei interessante, mas esqueci totalmente da data. No dia, estava saindo da aula e um amigo comentou que aconteceria em 1 hora. Acabou que eu fui no evento e ele não. Foi a partir disso que fiquei o ano inteiro colocando na minha cabeça que iria fazer um intercâmbio. Em agosto, fiz a entrevista inicial com o pessoal da Aiesec Bauru, paguei a taxa de inscrição e pude ter contato com as vagas do mundo todo. E tinha um pensamento em mente: queria muito um projeto na área de educação, dar aulas seria perfeito.

Acabei me interessando por um projeto da Polônia que chama Make a Step e seria executado em Poznan. Dos países do leste, a Polônia era o que eu mais tinha ouvido falar e mesmo assim não conhecia praticamente nada. Mas, apesar da empolgação inicial, eu não teria coragem de levar a ideia de ir para o outro lado da Europa. Porém, logo depois, eu vi o projeto Enter Your Future oferecido em toda a Polônia. Fui atrás e conversei com uma ex-intercambista da Aiesec Bauru que tinha ido pra lá e falou muito bem desse projeto. Em uma semana, me retornaram e me disseram que tinham me aceitado e que só faltava meu sim para que ‘casasse’ a vaga. Pensei bem, pesquisei que, para chegar lá eu teria que inevitavelmente fazer conexão, mas dei o veredito para meus pais: ‘vou para a Polônia!’

Lá, eu dei workshops sobre o Brasil – tudo o que pode imaginar, desde política a cultura, passando por esporte e turismo. Além disso, também tive que dar workshops sobre valores da Aiesec: maneiras de evitar nervosismo, assertividade, diferenças entre líder e chefe, além de jogos educativos – que foi bem legal! A proposta era para apresentar em seis escolas diferentes durante cinco dias em seis semanas. No entanto, eu apresentei em cinco escolas; por problemas de desorganização desde o princípio, eu desisti do projeto na última semana. No total, foram 62 dias que eu fiquei na Polônia.

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Lugares inesquecíveis!

“Em Wroclaw era época de Natal e a Market Square (que é a praça principal) estava toda enfeitada, inclusive com cabanas de doces, vinho quente, objetos decorativos. Uma massa com Nutella era 16 Zloty – foi caro! (risos) Na época, a cotação estava R$ 1,00 = Zl 1,60. Também fui a um barzinho (Przedwojenna) que ficava perto da praça e a tradução queria dizer: Antes da Guerra. Ficava na frente a um prédio do século XI, com ruas de pedra e dentro tinha música antiga e decoração início do século XX. Parece que você está no filme do Piratas do Caribe! Há uma quadra dali, tinha o Ambasada, Mojito a 16 zloty. Esse bar também parecia um mergulho nos filmes do Woody Allen, como Meia Noite em Paris. Tinha também uma pizza em baixa de uma escada-túnel (por cima passava os bondes e ônibus) que custava 2 zloty (comíamos sempre lá depois de festas). Em Pierogarnia, você pode comer os melhores pierogis. É impossível não experimentar a Wiborowa (vodka) e o Pierogi (é o que eles tem de mais típico!).

As cervejas Lech e Tiskye também são boas e podem ser compradas em mercadinhos, como o Fresh Market. Não há como ir à Wroclaw e não conhecer a ponte de cadeados e toda aquela região da Ilha, a Igreja que foi destruída durante a Segunda Guerra e reconstruída, a vista do outro lado do rio… Lugares imperdíveis! E claro uma rua só de baladas, se não de graça, valores simbólicos para entrar como 5 zlotys (geralmente pagavam só os homens), quando enjoávamos, saímos de uma e entravamos em outra, numa boa! Patinar no gelo custa em torno de 17 Zloty. Em Cracovia, imperdível é a visita a Fábrica de Schindler que hoje virou museu. Também a praça principal que está cheia de tendas. Tem Hard Rock Café também. E claro, não se pode esquecer do maior campo de concentração Nazista do mundo: Auschwitz. Pagamos ao redor de 100 Zlotys em uma agência próximo a Market Square (praça principal) e no dia seguinte um ônibus nos levou em excursão para lá! Há castelos em Cracovia, assim como em Brzeg. É difícil citar uma só coisa de melhor, porque a viagem em si foi do início ao fim um ‘achado’, surpresa, magia! Além da amizade, do amor por dar aula (que eu constatei lá), a língua, a neve, o frio e todas as experiências que vivi e visitei, um lugar lá ficou marcado: a ilha onde tinha a ponte dos cadeados, a igreja, o rio, a paisagem… Cheguei a ir novamente lá, sozinha, faltando dois dias pra eu voltar, pra me despedir do lugar. Com certeza um dos lugares mais lindos que pude conhecer e que ficou gravado de uma maneira muito especial dentro mim.”

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Nem tudo são flores

“Eu sofri demais com o frio e por não ter uma bota waterproof (me enganaram na loja!). Morar dois meses em hostel com gente desconhecida não foi fácil, mas com o decorrer do tempo, os outros intercambistas eram minha família, e acabou sendo mais natural dividir um quarto de 10 pessoas com homens e mulheres. E dois banheiros com um hostel todo! Difícil também era ver chegar gente estranha, estar dois meses com a roupa dentro de uma mala, sempre trancada com cadeado. A língua também foi uma dificuldade, porque o meu inglês não estava aperfeiçoado quando fui. Tinha dificuldade para me comunicar com outros intercambistas, em comércio e para dar as aulas! Mas o progresso também foi muito rápido em relação a isso. Uma vez fomos comprar uma passagem para Berlim, tivemos que usar o tradutor para nos comunicar com a atendente na estação de Wroclaw. Outra vez no trem voltando de Berlim para Wroclaw tive que pedir água em polonês, que é “Woda”, porque o atendente de bordo não falava inglês. Para comprar no Fresh Market (armazem), eu tinha que pedir por mímica para a atendente me mostrar o preço na máquina registradora, nos shoppings e galerias todos falavam inglês e muito bem, assim como nos restaurantes. Isso que Wroclaw era a quarta maior cidade da Polônia e cidade universitária! Em Brzeg a maioria da população não falava inglês. Não ter como cozinha também foi díficil, só tinha microondas na cozinha!”

Momentos inesquecíveis!

“Tudo foi inesquecível! Desde o momento que eu deixei minha mãe chorando na janela da sala olhando eu saindo pela garagem, no avião acompanhando na tela o trajeto, passando por cima do Mediterrâneo. Quando aterrissou em Munique e vi a neve pela primeira vez da janela do avião. No ônibus indo pro hostel quando tinha acabado de chegar na Polônia e liguei pra minha mãe dizendo: ‘mãe, estou vivendo em um cenário de filme!’. Quando chorei muito depois do segundo dia de aula, em que não estava conseguindo desenvolver o inglês (eu queria que um avião aparecesse na minha frente naquele momento pra eu voltar pra casa!).Passar o Natal longe da minha família e conseguir falar por 47 segundos no telefone com a minha mãe, antes que acabassem meus créditos, foi punk! E também dormir no chão do aeroporto em Luton (1h de Londres), porque caso contrário, perderíamos o voo! O ano novo em Praga também foi incrível! Praga é mágica! Mas aprendi muita coisa de tudo, quantos preconceitos vieram a baixo! Além disso, eu provei para mim mesma que eu era capaz, que os medos limitam nossos sonhos e que o impossível é uma limitação criada pela nossa própria mente. Hoje, um ano e meio depois parece um sonho, o melhor sonho que eu podia ter sonhado até então! Lembro de tudo, até dos maus momentos, com um imenso carinho e gratidão, pela oportunidade da vida e a minha coragem que tirei não sei de onde, talvez na fé em Deus de pensar que se a escolha de ir ou não, em um momento, só dependia de mim eu sei que Ele já tinha dito sim previamente”

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