projeto futuro de bauru
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Na última semana, muito se falou sobre a mudança da maioridade penal no país. Enquanto uns concordavam com a mudança, outros defendiam que o país deveria investir mais em educação. Por isso, o Social Bauru foi conversar com pessoas que acreditam que só a educação poderá mudar a realidade do Brasil, como Fábio Pavão e Vinicius Marques, coordenador administrativo e técnico do Projeto Futuro em Bauru.

A partir da iniciativa de um empresário da cidade, o projeto atende 2.700 jovens de todas as classes sociais que têm a oportunidade de fazer aulas de natação e pólo aquático totalmente gratuito. O projeto financia o transporte do atleta até o local, a alimentação e todos os estudos – desde o colégio até a faculdade.

“Acho que a maior lição que o projeto me deu é que com esforço, todo mundo pode conquistar tudo”, diz Fábio e Vinicius completa: “E eu acho acho que a dedicação traz qualquer coisa para a nossa vida. Independente da nossa classe social. Com esforço, vamos para qualquer lugar”

Confira a entrevista:

Quando começou o Projeto Futuro?
Fábio: O Projeto Futuro começou em 2010, a partir de um empresário de Bauru. Ele tinha a vontade de ter um projeto assistencial aqui na cidade e colocou este projeto em prática em setembro de 2010. No primeiro mês, atendíamos 40 jovens com aulas gratuitas de natação e pólo aquático, que souberam do projeto a partir da nossa divulgação. No começo, percorremos todas as escolas e bairros da periferia de Bauru para divulgar o Projeto Futuro e atrair os jovens a participarem. Fechamos o primeiro ano com 200 atletas e foi aí que vimos que ele tinha tudo para ser muito grande. Em janeiro de 2011, montamos a ABDA (Associação de Desportos Aquáticos de Bauru) para gerir todo o projeto e para que pudéssemos registrar os nossos funcionários. Hoje, estamos com 25 funcionários e 2.700 jovens que participam do Projeto Futuro.

São quantas meninas e quantos meninos?
Fábio: Não sei te falar o número exato, mas temos 60% de meninos e 40% de meninas. Não é uma diferença muito grande. E a gente tem muita procura ainda!
Se antes vocês ficaram muito tempo indo atrás destes jovens, hoje são eles que vêm atrás de vocês, né?
Fábio: Sim! E fomos em todos os lugares! Mas a partir de 2011 a gente já parou com isso porque tínhamos uma piscina só, que era da Multicobra. Hoje, temos uma parceria com a Hípica, Luso e o BTC de Campo. Estamos trabalhando em quatro piscinas na cidade.

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Na foto: Vinicius Marques e Fábio Pavão

Tem mais vagas?
Fábio: No momento estamos mais limitados, porque todas as piscinas estão lotadas. Hoje é mais rotativo e as vagas são temporárias. Por isso não sei dizer quantas vagas temos neste momento. Tem dia que temos cinco vagas que acabam em 10 minutos. Depende muito.

O que o jovem tem que fazer para participar do projeto?
Fábio: Tem que ir até a Muticobra, onde usamos a piscina e falar com a psicóloga que trabalha no local. Atualmente, estamos aceitando crianças entre 6 a 10 anos.

Existe alguma regra de que o atleta tem que sair do projeto quando completa determinada idade?
Fábio: Não, de forma alguma. O nosso intuito é fornecer o esporte até este jovem se formar na faculdade. Participando do Projeto Futuro, ele recebe auxílio desde o transporte até o local dos treinos, alimentação e bolsa de estudo em duas escolas de Bauru: COC e Guedes de Azevedo. Então, o projeto é para ajudar em toda a fase escolar deste atleta. Damos o nosso apoio em tudo. Mas isso não quer dizer que no futuro não vamos ter um time adulto, porém o nosso objetivo hoje é dar um futuro digno para estes atletas.

Quais as competições que os times já ganharam?
Fábio: Só este ano, estamos com currículo muito bom. Ganhamos todos as competições que participamos até agora em 2015. Brasileiro sub 12, no Paulista estamos em invicto… olha, abaixo do sub 15 não sabemos o que é perder! (risos).

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Na foto: Fábio Pavão e Vinicius Marques

Vocês tem alguma taxa de desistência do projeto?
Fábio: Olha, não sei dizer, mas a gente trabalha com todas as classes sociais e enfrentamos todos os problemas. Então já perdemos por causa de alunos que foram cursar algum outro curso ou até por causa das drogas. Mas posso garantir que a aceitação pelo esporte é muito grande.

E acho que ao longo deste tempo vocês já viram muita história mudar, né?
Vinicius: Nossa, isso é o que mais tem.
Fábio: Como eu disse, trabalhamos com todas as classes, então enfrentamos todos os problemas. Coisas inimagináveis acontecem com os nosso atletas. São pessoas que encontraram no esporte uma forma de ressocialização.

E no esporte um depende do outro, né?
Fábio: exato, o esporte coletivo garante isso para a criança. O nosso principal ponto é fornecer a ressocialização a todas as crianças. E debaixo d’água, todo mundo é igual.
Vinicius: Mesmo atuando com todas as classes, a maioria é de periferia. Acho que o maior exemplo que temos é de um menino, que é o nosso goleiro e hoje está na Coréia do Sul representando o Brasil. Ele começou na natação, depois passou para o pólo e chegou até a seleção. É um atleta bem carente e que tinha uma outra realidade.
Fábio: Com a ABDA, ele fez colegial em uma escola particular, está cursando uma faculdade, conheceu outros lugares com as competições e conquistou tudo isso com o próprio esforço.

Vocês concordam quando falam que investir na educação é que o mais precisa no país?
Fábio: Sim, é a base total para qualquer coisa. Se não temos investimento na educação, não precisa ter em mais nenhuma área. Vai ser a educação que formará a base do nosso país, os nosso cidadãos. É isso que a gente cobra dos alunos, estarem bem aqui e no estudo.
Vinicius: E o esporte em conjunto é o ideal. É mais fácil caminhar com os dois juntos.

E é uma corrente…
Vinicius: Com certeza! Muitos pais vêm falar para a gente que o filho mudou em casa. Eles agradecem muito a gente.
Fábio: Sem contar que a gente convive muito com eles e conhecemos bem a realidade de cada um. E olha, não é fácil. A realidade deles é muito difícil. Temos até pais que não apoiam porque preferem que o filho trabalhe em algum local, sendo que esse é o futuro deles. O benefício é em torno de 1.500 por mês, entre alimentação e estudo. É algo a longo prazo.

Outras pessoas podem ajudar no projeto?
Fábio: Claro, é só entrar em contato e ajudar de alguma forma. Nós temos pessoas que ajudam como psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, qualquer trabalho é bem-vindo. Quanto mais educação nós damos, melhor fica o nosso trabalho.

Qual a lição que cada um aprendeu com o projeto?
Fábio: Acho que a maior lição que o projeto me deu é que com esforço, todo mundo pode conquistar tudo.
Vinicius: E eu acho acho que a dedicação traz qualquer coisa para a nossa vida. Independente da nossa classe social. Com esforço, vamos para qualquer lugar.

Para saber mais sobre o Projeto Futuro, acesse: www.abdabauru.com.br

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