luiz-deficit-link
luiz-deficit1

Entrar no Facebook para enviar uma mensagem e ficar 1 hora ali; não conseguir terminar o parágrafo de um livro ou sentir dificuldade em finalizar frases de uma conversa podem ser mais que uma simples distração. Foi isso o que o jornalista bauruense Mateus Pessoa descobriu.

Quando ainda cursava a faculdade, Mateus trancou a matrícula por não conseguir acompanhar as aulas. “Sentia muitas dificuldades em terminar tarefas e me concentrar. Apesar disso, minhas notas eram boas. Hoje tenho consciência que tinha déficit de atenção. Eu estava me sentindo perdido, desanimado, sem foco e tinha dificuldades de seguir em frente com o curso”, afirma.

A primeira suspeita de que a falta de foco e concentração eram sintomas de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) veio em 2010, quando o bauruense procurou ajuda pela primeira vez. “Fui a um psiquiatra, mas já cheguei dizendo que queria Ritalina (medicamento) e ela nem me deu muita atenção, creio que por causa da minha abordagem. Depois disso deixei pra lá, não fui mais atrás. Até que em 2013 resolvi, por indicação de um amigo, fazer psicoterapia em 2013. Foi quando eu tive a certeza”.

Paralelamente ao processo psicoterápico, Matheus predispôs-se às sessões de HEG Neurofeedback, técnica não medicamentosa, não invasiva e indolor que envolve treinamento e aprendizagem cerebral via uso de aparelhos (headband e pedant) que promovem oxigenação e perfusão sanguíneas na região frontal.

luiz-deficit2

Entenda melhor
Segundo o psicólogo Luiz Alfredo Adamuz Cunha, 75 anos , o princípio é aumentar a vascularização sanguínea de certas regiões para a melhora do desempenho ou remissão de sintomas do sujeito. “Ao ser utilizada para aumento da perfusão pré-frontal, há resultados significativos na melhora de funções cognitivas como raciocínio, atenção, percepção, memória, imagem mental. O HEG, nesse aspecto, contribui para uma, digamos, reabilitação cognitiva ao melhorar insuficiências como execução de tarefas ou mesmo problemas de atenção, raciocínio e memória”.

Ainda de acordo com Luiz Cunha, que aplica a técnica em HEG Neurofeedback em Bauru, a partir de uma pré-avaliação, o tratamento é iniciado em sessões que serão determinadas de acordo com as especificidades de cada paciente. O objetivo é que o sujeito compreenda, visualize e pratique em sua vida cotidiana a relação entre os esta­dos emocionais e as variáveis fisiológicas, bem como o poder dos pensamentos e das emoções no ato de gerar saúde ou doenças.  “Ao visualizar as respostas fisiológicas na tela do computador em tempo real, é possível interagir com os estímulos, aprender a modulá-los e, com as intervenções do treinador, conseguir a auto-regulação psicofisiológica”.

filipeta

Durante a 1ª Conferência Brasileira de Biofeedback – Avanços tecnológicos em Esporte, Saúde e Educação, realizada na Universidade Municipal de São Caetano do Sul, em São Paulo, e promovida pela ABBIO (Associação Brasileira de Biofeedback), ficou patente os avanços da tecnologia em diversas áreas. “A equipe da seleção brasileira de tiro esportivo usa o Neurofeedback nos treinos, exatamente para melhorar o desempenho e rendimento dos atletas”, lembra Cunha. E complementa: “Tivemos vários workshops e entre eles o uso da técnica para reabilitação cognitiva, para recobrar capacidades”. Investigações mais recentes revelam que uma combinação de exercícios cognitivos, retroinformação neurológica e ensaio mental constituem caminhos promissores para a melhoria da qualidade de vida.

O tratamento é indicado como terapia complementar a diferentes tipos de descontrole psicofisiológico como perda da capacidade de controlar impulsos, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, além de déficit de atenção e hiperatividade. O HEG auxilia no tratamento destes quadros e melhora os índices de processamento cognitivo e equilíbrio do corpo. “Trago também em minha identidade os problemas de ser um TDAH e as complicações em torno da dificuldade de foco e concentração. Então, quando passei pelo Curso e fiz o treinamento eu percebi melhoras significativas de rendimento e, claro, logo imaginei o quanto outras pessoas poderiam se beneficiar com a técnica, inclusive crianças”, recorda Luiz Cunha.

Vitória para uma vida toda!
Depois que experenciou a técnica submetendo-se aos exercícios cognitivos e prontificando-se a alterar hábitos, Mateus não só voltou à faculdade, como conseguiu ficar 15 horas empenhado em uma mesma atividade: o seu TCC. “Eu fui capaz de estabelecer um foco, algo que jamais conseguiria antes do tratamento que fiz”, afirmou em entrevista ao Social Bauru. Hoje, ele garante ser capaz de se concentrar melhor em suas atividades, consegue falar de maneira fluente – já que antes se perdia no meio da frase – e também consegue ser mais decisivo, ou seja, sem procrastinar ou esquecer de coisas da rotina.

“Muita gente com TDAH não faz ideia que tem esse problema. É uma questão de observar o próprio comportamento, em casa, no trabalho, na escola pra identificar se há algum dificuldade de foco, aprendizagem e concentração e fazer um tratamento. E, hoje, ter a capacidade de realizar algo até o fim é muito satisfatório, tanto quanto poder responder essas perguntas sem perder o foco e a concentração”, esclarece ao lembrar que recentemente deu um importante passo em direção a linguagem cinematográfica ao realizar um Curso em São Paulo.

Atenção às redes sociais
Com o tratamento realizado aqui em Bauru, Mateus consegue até utilizar as redes sociais de forma mais produtiva, de maneira menos dispersa. “Se você entra no Facebook apenas para dar um recado pra alguém e depois sai, isso significa que você tinha um objetivo e dedicou sua atenção para aquela tarefa e pronto. Agora, se você entra no Facebook sem traçar pontos centrais, apenas para se distrair, claro, você vai navegando e perde a noção do tempo”, garante.

Serviço: Luiz Alfredo Adamuz Cunha, psicólogo clínico, [email protected]; (14) 997145634.

Compartilhe!
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Amanda Araújo
Carregar mais em Comportamento
...

Verifique também

Bauruenses contam histórias emocionantes que viveram com seus avós

A convivência com os avós pode trazer muitas lembranças boas e acolhedoras, de forma que s…