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Na inauguração desta nossa coluna no Portal Social Bauru, pensamos em abordar um tema que fosse bastante significativo para a cidade de Bauru, tanto para os moradores de outrora, quanto para os jovens de hoje.

A rua Batista de Carvalho foi uma das primeiras vias abertas nos primórdios da célula de urbanização daquele rincão que se tornaria a conhecida e importante cidade Sem Limites. Esta rua foi aberta no final do século XIX e, até 1904, era conhecida pela alcunha de “rua dos Esquecidos”, quando o então prefeito Gerson França a denominou rua Batista de Carvalho.

A partir daí, passou a receber muitas lojas, dos mais variados ramos: secos e molhados (Casas Ribeiro, Lusitana), tipografia e livraria (Tipografia e Livraria Brasil), discos (A Discoteca de Bauru), calçados (Casas Burgo, Pagani e Dinar), açougue, banco (Commercial, Commércio & Indústria), eletrônicos e som (Loja do Sol), tecidos (Paulistana, A Tropical, Pernambucanas), padaria e confeitaria (Lalai), armarinhos (Ao Tricot), hotel (Cariani), farmácia (Drogasil), vestuário (Casas Carvalho, Yara, Regional Clipper, Meias), ferramentas (Casa Rasi), dentre outras.

Como o maior centro de atratividade do comércio, a rua Batista passou a receber um tráfego cada vez maior de pessoas e veículos, sendo o maior polo de negócios da cidade. Nos anos 1980 e e início de 1990, era comum que aos sábados, e também na época do natal, a rua Batista fosse fechada ao tráfego de veículos, passando a ser utilizada somente pelos pedestres. A experiência sempre foi muito bem recebida por cidadãos e comerciantes. Muitas pessoas entendiam que esse fechamento aos veículos deveria ser permanente, com a instituição do calçadão. No entanto, boa parte dos comerciantes se posicionava de maneira contrária, pois entendiam que com o fechamento permanente da principal via de comércio da cidade, seus negócios seriam severamente afetados. Esse debate do “fecha-não fecha” perdurou por longos anos.

Apesar de já reconhecer o êxito desta implantação de ruas exclusivamente para pedestres em algumas cidades brasileiras (Curitiba e São Paulo), havia sempre o medo do seu insucesso.

Por volta de maio de 1992, o então prefeito Izzo, cansado do vai e vem do inconclusivo debate sobre o fechamento da Batista, e movido por uma visão de vanguarda, tomou a decisão. A rua Batista se transformaria em uma via onde só se poderia andar a pé.

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Assim, em um sábado, após o fechamento do comércio que, à época, ocorria às 13 horas, o prefeito ordenou que as máquinas entrassem na Batista e quebrassem todo o asfalto. Como na época não existia a rápida e eficiente comunicação hoje existente, as pessoas só ficaram sabendo do ocorrido quando chegaram para a abertura do comércio na segunda-feira pela manhã. Foi um choque para todos. As rodinhas costumeiras da Batista não falavam em outro assunto que não fosse o calçadão.

Em 21 de agosto de 1992, foi inaugurado o calçadão da Batista. Ele é o shopping center mais democrático e popular da cidade, onde as pessoas se encontram, passeiam, fazem compras, se manifestam, sem o medo de serem atingidas por veículos. Em 2015, ele completou 23 anos. Quem é que pode, hoje, imaginar a Batista sem o calçadão? Às vezes, certas decisões precisam ser tomadas pelo poder público, ainda que possam parecer impopulares, para promover melhorias no ambiente urbano. A história saberá reconhecer os acertos e os erros. No caso do calçadão da Batista, o acerto foi total. Aliás, ele deveria ser expandido.

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