estudante bauru

Quem vê toda a desenvoltura e alegria do estudante Alex Britto nem imagina todas as dificuldades que ele já enfrentou. E olha, foram muitas! Para começar, ele precisou abandonar o curso de medicina em Marília, que estudava graças a uma bolsa de estudos, para voltar para a Bauru por conta de problemas pessoais.

Os anos se passaram, e ele foi procurar um outro destino para chamar de seu: começou a cursar a faculdade de direito, depois engenharia civil, passou em primeiro lugar em um concurso para a prefeitura de Bauru e, quando estava indo tudo bem, não é que as coisas viraram de cabeça para baixo de novo?

Mas dessa vez, foi por um bom motivo. Após cinco anos, Alex não deixou de lado o sonho de ser médico e conseguiu passar, novamente, em um curso de medicina – mesmo sem estudar, já que se dedicava à outra faculdade e ao emprego, e mesmo sem computador. O jovem aproveitava o pouco tempo livre para ler no celular.

Há dois meses, Alex arrumou as malas, deixou o emprego estável em Bauru, a família, o filho e embarcou nesta aventura, sem ter onde morar, sem saber como iria conseguir estudar e sem ter dinheiro para pagar as contas. Mas com muitos sonhos e planos para o futuro.

“Tantos encontros e desencontros. Chegadas e partidas. Sonhos e pesadelos. Várias coisas mudaram; eu mudei; mas uma coisa permaneceu intacta: o meu sonho de um dia tornar-me médico!”

Confira o bate-papo com o estudante:

Você sempre quis ser médico? Quando surgiu essa vontade?
Alex: Comigo foi diferente da maioria dos alunos de medicina, porque a maioria tem um sonho de criança de ser médico e acaba seguindo o caminho natural. Eu costumo dizer que não escolhi a medicina, e sim, a medicina que me escolheu. Lembro que cursava primeiro ano de direito na época e fiz o ENEM – todo ano eu fazia para testar o conhecimento – tirei uma nota alta e pensei: ‘nossa, com esta nota eu quase passaria em medicina’. Ao comentar isso com amigos próximos, fui desafiado a passar em medicina. No ano seguinte, eu fiz o ENEM de novo e consegui nota para ingressar em cinco faculdades de medicina e acabei optando pela Universidade de Marília, onde cursei durante dois anos. Então foi amor à primeira vista – ali a medicina me ganhou.

E era algo que você tinha certeza que um dia aconteceria na sua vida ou não?
Alex: Após ter abandonado o curso em Marília, tive que voltar a Bauru. Foi um período bem complicado de readaptação. Inclusive, comecei a cursar engenharia civil, porém, sempre soube que eu voltaria à medicina. Não sabia quando e nem onde faria, mas sabia que aconteceria de novo.

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E como era a sua rotina de estudos? Dedicou-se muito para passar no vestibular? E você não tinha nem computador, né? Como sempre estudou?
Alex: Mais uma vez eu fujo do perfil comum dos vestibulandos de medicina, pois eu não tinha uma rotina de estudos específicos para o vestibular. Como eu trabalhava o dia todo e cursava engenharia no período noturno, acabava não encontrando muito tempo para estudar especificamente para passar no vestibular. Eu não tinha um computador em casa, então aproveitava alguns horários livres no trabalho para ler algumas coisas e, em casa, eu usava bastante o celular para isso. Era a única saída que eu tinha para estudar um pouco.

No total, foram quantos vestibulares de medicina e para quais cidades?
Alex: Não prestei vestibular especificamente para medicina. Eu sempre fiz o ENEM, pois meu foco eram as universidades federais, através do SISU, e/ou as particulares que oferecem bolsas do Prouni, ou seja, o ingresso também se dá pelo Enem. Foram três anos colocando sempre como primeiras opções a UFSCAR e as particulares do estado de São Paulo, pois não queria ficar muito distante de Bauru. Contudo, na primeira tentativa em outro estado, fui aprovado aqui na UFFS, em Chapecó/SC.

E por que só agora você está cursando esta faculdade?
Alex: Confesso que ainda não sei o porquê de eu estar cursando aqui. Eu nem sabia da existência do curso de medicina em Chapecó, muito menos sabia onde ficava a cidade. Inclusive, achei que ficava no litoral de Santa Catarina! (risos). Mas Chapecó fica a 600km de Florianópolis. O que posso dizer é que estou bem feliz por ter optado pela UFFS e acredito que passei na hora certa.

Como foi abandonar tudo aqui em Bauru para seguir este sonho?
Alex: Esta foi a parte mais difícil, afinal toda mudança assusta. Apesar de saber que é a oportunidade de realização de um sonho, foi um susto receber o email de convocação para a matrícula, pois tinha uma vida cômoda em Bauru, estava na casa dos pais, perto da família e dos amigos, com um bom emprego público e cursando uma ótima faculdade da cidade. Ao saber que teria que deixar tudo para trás para foi um misto de alegria da aprovação e susto pela mudança.

Quais as principais dificuldades que você teve no início?
Alex: A maior dificuldade que encontrei aqui foi a greve dos Técnicos Administrativos da Universidade, pois houve dificuldade para solicitar documentos e dar entrada nos pedidos de auxílios e bolsas que a universidade oferece, além de, devido à greve, a biblioteca esteve fechada durante o período, isto dificultou bastante os estudos. Hoje, com o fim da greve, está tudo funcionando normalmente. Não tive dificuldades de adaptação com a cultura aqui do Sul, pelo contrário, senti-me muito bem recebido aqui, tanto pelos colegas da sala, quanto pela parte da população que tenho contato.

Qual o seu maior sonho hoje?
Alex: Meu maior sonho é conseguir completar o ciclo que reiniciei agora, aprender tudo da melhor maneira possível e me formar. Após formado, é conseguir ser um bom médico e devolver à sociedade, em forma de um bom atendimento, a oportunidade que me foi dada. Conseguindo realizar isso tenho certeza que darei orgulho aos meus pais, meu filho e meus irmãos que têm sido o alicerce para o primeiro passinho que estou dando agora.

E para quem está pensando em desistir do seu sonho, o que você pode falar?
Alex: Para quem pensa em desistir de algum sonho, seja ele qual for, eu deixo o clichê: ‘sou brasileiro e não desisto nunca’. Em alguns momentos vai bater o desânimo, vai dar vontade de seguir o caminho mais fácil, isso é comum. Sobretudo quando demoramos para atingir a meta que estipulamos. Mas, se for seu sonho, não adianta tentar fugir. Agora, falando especificamente para quem pensa em fazer medicina, basta olhar as matérias que saem sobre pessoas já formadas. Algumas até com carreiras consolidadas, que voltam aos estudos para realizar o sonho de ser médico. Então, se o ‘bichinho da medicina’ te mordeu, sinto dizer, mas não tem para onde fugir!(risos).

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