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Depois de passar anos se dedicando ao futebol, Gilberto Costa teve que abandonar o esporte por conta de uma cirurgia no joelho. Os anos se passaram, o peso aumentou e o bauruense resolveu voltar a praticar alguma atividade física. Dessa vez, Gilberto começou a se dedicar à corrida.

O que poderia ser uma loucura para quem tinha uma lesão tão séria, virou um verdadeiro exemplo de determinação. Com os treinos e a ajuda da equipe da Clínica Laboral, sua patrocinadora, o atleta desenvolveu uma pisada que não afeta o joelho e, depois de seis anos, 20 quilos a menos e uma coleção de medalhas e troféus, Gilberto se prepara para atingir a marca de 100km.

Enquanto muitos desistem no primeiro obstáculo, Gilberto encara ‘as pedras no meio do caminho’, como um incentivo a ir mais longe – sem perder o foco e a determinação. Nesta entrevista, o atleta comenta sobre o seu treino, relembra a competição mais difícil de sua vida e dá dicas importantes para quem quer ter uma vida mais saudável. Confira:

Há quanto tempo você pratica a corrida?
Gilberto: Há seis anos. Eu sofri uma lesão muito séria no joelho, fiz cirurgia e parei com o esporte. Mas ganhei muito peso e comecei a sentir falta de algum exercício. Foi quando iniciei a corrida. Tive, novamente, um problema no joelho, mas desenvolvi uma pisada que me beneficiava e não afetava mais o meu joelho. Hoje, não sinto nada quando eu corro e, no total, emagreci 20 quilos desde que comecei a correr.

Mas então o esporte sempre fez parte da sua vida, né?
Gilberto: Ah, sim. Eu pratiquei, por muitos anos, o futebol, e sempre gostei muito de esporte. Mas nunca pensei que um dia iria ser maratonista. A corrida surgiu por acaso, só para eu perder um pouco de peso e hoje não me vejo mais longe deste esporte.

Quais os benefícios que a corrida trouxe para a sua vida?
Gilberto: Além da perda de peso, eu me tornei uma pessoa muito mais concentrada, depois que comecei a participar de competições. Eu aprendi a traçar um objetivo e seguir até o fim. Quando você participa de uma competição, você traça um plano e segue para atingir um objetivo. Hoje sou muito mais determinado, tenho mais autocontrole e, consequentemente, tudo na minha vida. Hoje, por exemplo, meu maior objetivo é realizar uma ultramaratona de 100km que eu espero completar este ano.

Onde será?
Gilberto: Na verdade, eu e a equipe da Clínica Laboral, que me ajuda e me treina, estamos procurando alguma aqui no Brasil. Se não tiver, eu vou correr por conta própria. Vou fazer o trajeto de Bauru a Botucatu. Mas o objetivo principal é achar alguma oficial aqui no Brasil.

Você nunca teve a oportunidade de correr 100km?
Gilberto: Não, o máximo foram 72km. Mas estou me preparando! Claro que não é fácil e, às vezes, dá até vontade de parar. Mas é aí que entram o foco e a determinação.

Quantas competições você já participou?
Gilberto: Eu tenho 150 medalhas e 90 troféus no total.

Você lembra a primeira corrida que você participou?
Gilberto: Lembro sim. Foi há seis anos, no Bosque da Comunidade aqui em Bauru. Eu corri 10km e fiquei em 5º lugar na minha categoria.

E destas competições, qual foi a mais marcante para você?
Gilberto: Com certeza foi a ultramaratona em Tijuca do Sul, Santa Catarina, no ano passado. Foi a minha primeira ultramaratona e foi extremamente difícil. Além de eu não conhecer o local, ela tinha muitas subidas e foi muito complicada. Com certeza, destaco esta como a mais difícil. Mesmo assim, fiquei em 2º lugar na minha categoria e em 10º na geral.

Você tem o sonho de correr fora do país?
Gilberto: Sim, tenho este sonho. Tanto que o projeto dos 100km é por causa disso. Para eu participar da ultramaratona Mont Blanc na França, eu tenho que fazer, no total, seis pontos em ultramaratonas. Eu já tenho quatro e preciso de mais dois. Esta da França tem 140km.

Estas competições oferecem prêmios em dinheiro? É isto que te motiva?
Gilberto: Sim, oferecem e isso me motiva, com certeza.

Mas no começo esta não era a motivação, né?
Gilberto: Não, quando eu comecei eu só pensava em completar a prova. Este era o meu maior objetivo. Com tempo e o aprimoramento que eu fui conquistando, os objetivos mudaram. A corrida é um esporte solo, onde o seu adversário é você mesmo. Então é um esporte de superação e era isso que me motivava; sempre me superar.

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E você teve que mudar a alimentação também?
Gilberto: Quando um atleta começa a competir, ele tem que mudar muita coisa na sua vida e a alimentação é uma delas. Faz dois anos que não bebo mais cerveja e nem refrigerante, por exemplo. Agora só água! (risos).

Quem começa algum esporte, geralmente, acaba contagiando as pessoas que estão por perto. Com você aconteceu isso também?
Gilberto: Com certeza, depois que eu comecei a praticar a corrida, outras pessoas começaram a participar também. Não só começaram a correr, como mudaram os hábitos alimentares e estão mais preocupados com a saúde. Eu percebi a mudança no meu trabalho e na minha casa também.

E por que você acha que a corrida contagia tanta gente?
Gilberto: É inexplicável. Quando eu estou correndo, eu esqueço de todos os problemas. Sem contar que o esporte me possibilita realizar algumas viagens. Eu, por exemplo, gosto muito de treinar em rodovias, então viajo e vou esquecendo de tudo da minha vida. Não sei exatamente o que contagia a todos, mas eu libero todo o estresse na corrida.

Qual a dica que você pode dar para quem quer começar a praticar o esporte?
Gilberto: Eu acho que a pessoa precisa começar. As pessoas sempre falam que ‘amanhã vão fazer alguma coisa’. Não tem de pensar que é amanhã; tem que fazer hoje. Mas o segredo é ter uma orientação médica adequada. Não pode sair correndo do nada porque vai dar muita lesão e a pessoa vai desistir no primeiro dia. Então, é importante ter a orientação adequada e se preparar fisicamente, com a alimentação correta e muita hidratação.

Quantos dias você treina por semana?
GilbertoEu só folgo no sábado. Durante a semana, eu treino na academia e no domingo, eu corro na rua com um treinamento maior. Geralmente, ando pela estrada de terra de Tibiriçá.

O que te impede de treinar?
Gilberto: Nada! (risos). Mesmo a chuva, quando ela é leve, me ajuda a treinar. Eu não lembro de ter faltado nenhum dia. Inclusive, nas semanas de festas, eu treinei no dia 25 e no dia 1º de janeiro, normalmente.

Tem algum atleta que seja o seu ídolo?
Gilberto: Olha, eu me espelho em muitos atletas que se tornaram meus amigos por causa das competições. É muito legal você conhecer estas pessoas e trocar experiências. De alguma forma, eles acabam me incentivando.

De uma dificuldade que você teve na sua vida, por causa da sua persistência, você acabou ganhando em muitas áreas. Já parou para pensar o que poderia ter acontecido se não tivesse se esforçado tanto lá atrás?
Gilberto: Ah, com certeza eu seria uma outra pessoa. Estaria muito mais estressado, porque o esporte me ajudou muito nisso. Quando eu trabalho, vou para a casa e treino depois, volto totalmente recuperado. Até o meu sonho melhorou. Ter sido tão determinado lá atrás só me trouxe coisas boas.

E, se a gente se encontrar de novo em dezembro deste ano, o que você espera me contar de coisas que aconteceram em 2016 com você?
Gilberto: Ah, eu espero te falar que corri 100km, outras ultramaratonas, que não tive nenhuma lesão séria e que participei de várias provas aqui em Bauru e em toda a região.

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