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Nas décadas de 1960 e 1970, no auge de minha adolescência e juventude, a ocupação na zona sul de Bauru terminava na altura da Praça Portugal, na qual estava instalada a fábrica local da Coca Cola (hoje, estacionamento do Confiança Max). Mais adiante, havia os campos de terra das equipes varzeanas do Internacional (atrás da fábrica), do Fluminense e Portuguesa um pouco mais abaixo (próximos ao Jardim Estoril), os quais eu frequentava quase todos os domingos. O resto era só mato. Havia, sim, uma via de terra que correspondia à atual avenida Getúlio Vargas e que transpunha a rodovia João Ribeiro de Bauru e chegava a Agudos.

Nesta época, eu e os jovens daquele tempo, gostávamos de aventuras com as nossas bicicletas. Vez em quando, sozinhos ou em grupo, tínhamos como desafios irmos até o aeroporto (aeroclube). Para um desafio ainda maior, subíamos a Getúlio mais à frente e fazíamos um “pit stop” para um descanso embaixo de uma árvore, que ficava em um barranco. A árvore fornecia uma deliciosa sombra para os “desbravadores” ciclistas, com suas bikes de pneu balão, sem marchas e que exigiam muita energia do condutor.

Posteriormente, uma pista da Getúlio foi sendo estendida sempre um pouco à frente. A duplicação da avenida só existia até a cabeceira do aeroporto, na altura da rua Inácio Alexandre Nasralla (rua da Yupii Brinquedos). Durante o governo do prefeito Nilson Costa, nos anos 2000, é que a duplicação chegou até os bairros Samambaia e Paineiras. No entanto, na altura das quadras 18 e 19 da Getúlio existia um grande problema para a que a avenida fosse estendida até onde ela se encontra hoje: uma árvore.

Mas não era uma árvore qualquer. Era a velha, bela e frondosa copaíba. A mesma copaíba que disponibilizava sombra para os aventureiros ciclistas há décadas. A nossa copaíba não cresceu muito, tem cerca de 15 metros de altura, porém o diâmetro da copa atinge aproximadamente 30 metros. O interessante é que suas ramas caem até tocar delicadamente o chão, formando uma escultura natural notável.

A copaíba produz muitas flores pequenas, brancas em panículas longas e frutos pequenos, com 2 a 4 sementes dentro. Existem 35 espécies encontradas, principalmente, na América do Sul, especialmente no Brasil, Argentina, Bolívia, Guiana, Colômbia, Peru e Venezuela.

A árvore ficava no traçado da segunda pista da avenida e, seguindo a visão prevalente à época, se ela está atrapalhando a pista, que se corte a mesma. Porém, ao saberem da intenção da Prefeitura, muitos cidadãos bauruenses ficaram indignados e protestaram estoicamente.

Diante deste fato, não restou à administração municipal senão o bom senso, alterando o projeto viário, preservando a velha, centenária, porém maravilhosa copaíba. Assim, a inflexão existente na Getúlio, na altura das quadras 18 e 19, foi resultado de uma luta de bauruenses que não concordavam com a derrubada deste patrimônio vivo da história bauruense.

Alterou-se, portanto, o projeto geométrico da via para preservar esta maravilha com que nos brindou a natureza. Com isto também surgiu a Praça da Copaíba que, além da árvore, dispõe de uma mini academia ao ar livre, bebedouros d’água, uma jardim razoavelmente cuidado, bancos e uma bela pérgola, abraçada por trepadeiras.

Prova de que os bauruenses amam esta árvore, está no fato de que alguns empresários emprestaram o seu nome para denominar suas empresas: hotel, restaurante e corretora de seguros.

Não há como não se sentir seduzido por tamanha beleza bem no coração da Getúlio. Eu mesmo tenho uma foto da copaíba na tela de fundo do meu celular, me permitindo curti-la diversas vezes ao dia. Ao menos aos domingos, durante minha caminhada, faço questão de ir de casa até a praça da copaíba e poder contemplá-la e lhe dizer bom dia. Sempre digo a ela: como tu és bela! Tu és a princesinha da avenida! Que obra maravilhosa do Criador! Obrigado por tornar a Getúlio (uma pista de corrida para automóveis e motos) mais humana.

Em uma cidade onde a cultura de preservação da arborização urbana deixa muito a desejar, o tombamento deste monumento ambiental e natural foi necessário para preservá-la para os nossos netos, bisnetos.

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