A jornalista Paula Alves assistiu sete, dos oito indicados a melhor filme
A jornalista Paula Alves assistiu sete, dos oito indicados a melhor filme

No próximo domingo (28), vai acontecer a 88ª edição do Oscar no Teatro Dolby, na Califórnia e, para se preparar para a cerimônia, alguns moradores da cidade fizeram uma verdadeira ‘maratona’ para conseguir acompanhar todos os longas que estão concorrendo à uma estatueta.

Nós batemos um papo com estes cinéfilos de plantão: o casal Débora Cavaglieri e Pedro Junior, Paula Alves, Julia Dantas e Matheus Bottura do blog Junta 7; para saber mais detalhes sobre o assunto. Confira o bate-papo:

Quantos filmes do Oscar 2016 vocês já viram? E quais foram?
Pedro Junior e Débora Cavaglieri: Dentre os candidatos a melhor filme, já vimos seis dos oito filmes. Foram eles: Spotlight, O Quarto de Jack, O Regresso, Mad Max, Ponte dos Espiões e Perdido em Marte. Mas pretendemos ver pelo menos mais um (A Grande Aposta) até o dia do evento.
Paula Alves: Dos indicados a melhor filme, eu assisti sete dos oito filmes da lista e, como esses mesmos filmes estão indicados em outras categorias, consequentemente, acabei vendo todos que estão concorrendo a melhor diretor, melhor design de produção, melhor montagem, melhor ator coadjuvante e melhor mixagem de som. Até agora assisti A Grande Aposta, Ponte dos Espiões, Mad Max, Perdido em Marte, O Regresso, O quarto de Jack, Spotlight (esses todos estão concorrendo a melhor filme), Steve Jobs, A Garota Dinamarquesa, O Menino e o Mundo, Divertida Mente, Os 8 odiados, Star Wars: O Despertar da Força, Cinderela e Creed.
Julia Dantas: Já eu vi Ponte dos Espiões, Mad Max, Perdido em Marte, O Regresso e Spotlight.
Matheus Bottura: Nossa, acho que seria mais fácil contar os que eu não vi. Das 24 categorias presentes no Oscar, eu completei 20, vendo todos os filmes presentes nela. As únicas furadas que eu dei foram nas categorias de curtas (documentário, animação e curta) e na de filmes estrangeiros, onde vi três dos cinco indicados. Mas contando aqui, ao todo, foram quase 35 títulos diferentes.

Desde que saiu a lista dos indicados, vocês já se programaram para assistir?
Pedro e Débora: Sim. Na verdade até um pouco antes, pois normalmente os filmes já batem com os indicados para o Globo de Ouro, então já dá pra começar algumas semanas antes.
Paula: No meu caso, alguns filmes eu já até havia assistido antes disso, porque passaram no cinema ano passado (como Divertida Mente e Mad Max, por exemplo) e os outros fui me programando logo após a lista sair.
Julia: Eu fiquei de olho nas estreias para tentar priorizar os indicados, além de procurar para baixar na internet. Infelizmente perdi A Grande Aposta, pois ficou só uma semana em cartaz em Bauru.
Matheus: Eu também comecei antes. Lendo pela internet eu já via alguns sites em determinados filmes, mesmo sem a lista oficial ter saído, e foi só que eu comecei essa corrida contra o tempo, afinal de contas, são muitos filmes. Tudo isso faz parte do processo que eu estou tentando para 2016, que é conseguir assistir 366 filmes em 366 dias. Aí, posteriormente a lista ter sido divulgada, conforme os filmes iam aparecendo pela internet, eu focava a minha atenção neles. Talvez tenha sido por isso que eu consegui acompanhar a grande maioria.

E nos outros anos vocês também fizeram esta ‘maratona Oscar’ ou é a primeira vez?
Pedro: Sim, conseguimos fazer algo bem parecido no último ano, mas em Bauru, é bem complicado, porque os cinemas acabam não exibindo uma boa parte dos filmes indicados.
Débora: Os cinemas às vezes esperam o sucesso dos filmes no Oscar para depois colocar em cartaz, o que dificulta nossa programação.
Paula: Já eu sempre gostei de acompanhar a cerimônia, mas desde 2012 venho fazendo essa maratona.
Julia: Gosto de ter assistido o máximo possível dos filmes do Oscar, até para ver se o meu julgamento pessoal bate com o dos jurados da Academia. E muitas vezes não bate! (risos). Acho que a Academia acaba escolhendo muitos dos ganhadores por algum tipo de lobby, mais do que por merecimento.
Matheus: Bom, já no meu caso, esta é a primeira vez. No ano passado eu comecei a acompanhar o Oscar com mais atenção, brincado com os amigos através e apostas e tal. O único problema é que, na edição de 2015, eu só vi os filmes que me chamaram a atenção, como A Teoria de Tudo ou o O Jogo da Imitação.Esse ano, já foi completamente diferente. Foquei nos filmes por que eu queria saber o que realmente acontecia. De saber por que esse filme que eu gostei tanto não levou, enquanto aquele que foi pior saiu como grande vencedor da noite.

Quais são os seus preferidos (melhor filme) até agora? E melhores atores?
Pedro: O meu preferido é Perdido em Marte, por ser o filme mais gostoso de assistir dentre os concorrentes, mas acho bem pouco provável que ele vença. Acredito que O Regresso e Spotlight têm bem mais chances de levar a estatueta de melhor filme, e ainda assim o prêmio ficaria em boas mãos. Já para o prêmio de melhor ator, a parada está duríssima para o primeiro Oscar do Leonardo DiCaprio, mas acredito que ele deve levar porque a academia costuma reconhecer o sacrifício dos atores quando eles representam tão bem e se esforçam tanto pelo papel, como ele fez. Mas pela primeira vez em anos, sou super fã dos cinco atores e não tenho um favorito. Falando do prêmio de melhor atriz, minha preferida pra este ano é a Brie Larson (O Quarto de Jack).
Débora: Eu torço para Spotlight ou o Quarto de Jack, que são histórias complexas e que foram muito bem contadas, mas acredito que O Regresso irá ganhar, por ser muito mais técnico, mais artístico mesmo. Melhor ator eu torço pelo Leonardo DiCaprio, pois a entrega dele para esse papel foi muito grande. Melhor atriz, como faltam muitos filmes para assistir ainda, não consigo ter uma favorita.
Paula: Na categoria de melhor filme torço por Spotlight. Para melhor ator, também torço por Leonardo DiCaprio, apesar de ter me decepcionado com O Regresso e achar que ele já teve interpretações melhores no cinema. Ainda assim, acredito que esse ano ele realmente tem muitas chances de conquistar a estatueta.
Das mulheres que concorrem a melhor atriz só vi a atuação da Brie Larson em O Quarto de Jack, então fica difícil opinar. Mas vi muitos elogios a atuação de Cate Blanchett em Carol (filme que eu ainda quero muito assistir, especialmente por estar concorrendo a melhor figurino, uma das minhas categorias favoritas).
Julia: Eu, além de Spotlight, gostei muito de Mad Max. Spotlight tem um roteiro excepcional e uma história real que merece ser contada, e Mad Max me surpreendeu positivamente pela direção de arte, com um enredo que não é nada bobo. O Regresso é um filme mais poético, um pouco longo e parado para o padrão de Hollywood. Quando assisti pela segunda vez consegui enxergar melhor as proezas da direção, é um filme belo e bem dirigido. Em relação aos atores, na minha opinião, a ala masculina sai em vantagem esse ano – todos os concorrentes são maravilhosos! Mas quem merece levar esse Oscar de uma vez é o Leonardo DiCaprio – o que provavelmente vai acontecer, se olharmos para as outras premiações que já ocorreram.
Matheus: A edição 2016 do Oscar contou com muitos bons títulos. Entre os filmes que eu vi, o que mais me chamou a atenção foi também Spotlight. Ente atores e atrizes, eu gostei muito do Stallone em Creed e da Brie Larson em O Quarto de Jack, que é um filme bem forte, tal qual a atuação da atriz. A química entre o Eddi Redmayne e a Alícia Vikander tornou o filme muito agradável e, é claro, a atuação do Leonardo DiCaprio em O Regresso. Se ele não ganhar o Oscar dessa vez, pode esquecer.

E vocês costumam acompanhar toda a cerimônia? Qual a expectativa para este ano?
Pedro: Sim, costumamos assistir toda a cerimônia (normalmente na TV fechada pra conseguir acompanhar em inglês e conseguir pegar todas as piadinhas). Esse ano estou muito curioso pela repercussão relacionada a questão racial levantada pela internet e em seguida por vários artistas que irão boicotar o evento. E coincidentemente ou não, teremos o Chris Rock para apresentar o evento. Acho essa discussão muito importante e interessante.
Paula: E eu não consigo dormir enquanto ela não acaba. Em geral, achei a lista desse ano um pouco mais fraca do que a dos anos anteriores, mas ainda assim estou muito empolgada. E também estou especialmente curiosa para ver como Chris Rock irá se comportar como mestre de cerimônias em um ano marcado por críticas, né? Aliás, muito necessárias, que é a falta de artistas negros indicados.
Julia: Eu também fico assistindo até o fim da cerimônia! Mas vou confessar: assisto mais pelos famosos do que pela premiação em si. Quase sempre acho que os prêmios foram injustos! (risos); Mas gosto de prestar atenção no discurso dos vencedores, fico imaginando a emoção de quem sobe lá para receber um prêmio que está sendo assistido por pessoas do mundo todo. Para este ano, eu também estou bem estou curiosa para ver como a premiação vai lidar com a polêmica de não ter nenhum negro entre os indicados, que gerou o maior bafafá – com toda razão. Espero que eles deem uma resposta!
Matheus: Já eu comecei no ano passado, mas assisto do começo ao fim. É muito bacana ver a premiação com o Twitter aberto do lado. É sempre legal ver a reação da galera e as piadas que a premiação sempre gera. A expectativa é de uma briga boa entre os títulos, principalmente entre O Regresso e Mad Max – Estrada da Fúria, que prometem ser os maiores vitoriosos da noite. Fora uma torcida de fã por Star Wars VII – O Despertar da Força nas categorias que ele concorre, principalmente na de melhor trilha sonora.

Vocês sempre foram fãs de filmes? Quantos, mais ou menos, vocês assistem por mês?
Pedro: Muito fã de filmes. Mas principalmente fã de séries (acompanhamos dezenas de séries). Basicamente, depois de casados, costumamos assistir pelo menos um filme ou alguns capítulos de séries em uns quatro ou cinco dias da semana. Como tenho um aplicativo de celular que me ajuda a tomar nota dos filmes que assisti, fiz uma conta agora e cheguei nos seguintes números: No ano de 2016, já assistimos 18 filmes (1 filme a cada 3 dias na média). Durante o ano de 2015, assistimos cerca de 90 filmes (1 filme a cada 4 dias na média).
Débora: Gostamos muito mesmo. Como temos gostos diferentes para filmes, acabamos assistindo de tudo para fazer os programas juntos. Alguns filmes que não assistiríamos sozinhos, acabamos vendo para acompanhar o outro e temos algumas gratas surpresas por isso.
Paula: Eu sou apaixonada por cinema e, no ano passado, infelizmente, acabei não conseguindo dedicar tanto tempo da minha rotina para ver filmes, mas nos outros anos, em geral, assistia uma média de 10 filmes por mês.
Julia: Gosto muito de cinema. Já vi mais, principalmente na adolescência, mas vejo em média 10 filmes por mês, entre idas ao cinema (que já foram bem mais frequentes…), Netflix e reprises imperdíveis no Telecine…
Matheus: O cinema sempre foi uma forma de arte que me encantou, mas dos últimos anos para cá, ela tem se tornado mais presente na minha vida. Agora, dizer quantos filmes mais ou menos eu vejo por mês é um pouco complicado. Voltando na história dos 366 filmes em 366 dias, estou bem mais adiantado que um espectador comum. Até o domingo, dia do Oscar, eu já devo ter passado dos 170 filmes. É muita coisa, né? (risos).

Vocês conseguem citar um filme que seja o seu preferido? Por quê?
Pedro: Não consigo! Isso porque, pra mim, essa é a parte legal de filmes e séries: existem tantos gêneros e sub-gêneros, que o máximo que conseguiríamos fazer, seria classificar os melhores de cada categoria. E mesmo assim, existem filmes que acabam sendo parte importante da nossas vida, de como nos moldamos, de características pessoais e até de como vemos o mundo, e portanto tem valores diferentes dependendo do momento da vida em que nos encontramos. Como eu também adoro ler, tenho uma tendência maior em gostar dos filmes que são boas adaptações de livros que já li. Mas se eu puder citar vários filmes que estão entre os meus preferidos, e que fogem um pouco do lugar comum, as minhas indicações atuais seriam: Truque de Mestre (Now you see me), Um Crime de Mestre (Fracture) e Garota Exemplar (Gone Girl).
Débora: Bem difícil responder essa. Como assistimos muita coisa, sempre mudamos de preferidos. Vamos re-classificando os filmes antigos de acordo com os novos que assistimos. Meus preferidos estão entre os clássicos Dirty Dancing (dá um pouco de vergonha, mas é isso mesmo!), O Fabuloso Destino de Amelie Poulain e a Vida é Bela.
Paula: Apesar de amar muitos filmes, meu preferido é Quase Famosos do Cameron Crowe. Esse filme sempre me toca de uma maneira especial, não importa quantas vezes eu o assista. Acho que ele é meu filme preferido de todos os tempos porque tem um pezinho ali na autobiografia, já que conta a história do seu próprio diretor com alguns acréscimos ficcionais, e ser um clássico filme ‘coming of age’, que são aqueles filmes em que a gente acompanha o protagonista em uma jornada de amadurecimento. E claro, por falar muito sobre a minha profissão, a de jornalista.
Julia: Ai, eu não consigo citar! (risos). Um só é muito difícil. Uma vez perguntaram qual foi o mais ‘marcante’ e eu respondi O Senhor Dos Anéis. Achei que me marcou porque na época eu estava muito envolvida com os livros de Tolkien, então aquela estreia teve todo um significado pra mim, outro envolvimento – eu viajava para assistir às estreias… Outro que me marcou foi Titanic, pois eu estava na ‘Leo-mania’ e fui ver nove vezes no cinema. Já mais adulta, Dogville e Cidade de Deus tiveram um impacto forte em mim… mas não consigo escolher nenhum em detrimento de outro. Filme bom é aquele que conversa com o que você está passando na vida real. E a gente está em constante mudança, então não consigo escolher.
Matheus: Eu posso citar algum deste Oscar. Correndo o risco de parecer redundante, mas eu realmente fiquei encantado com o Spotlight – Segredos Revelados. Deve ser mal de jornalista, mas o filme me ganhou muito por isso. O que me chamou a atenção foi esse trabalho de investigação que a equipe faz para desenrolar um caso com uma temática tão complicada. A essência do jornalismo investigativo foi muito bem retratada ali. Individualmente, no filme, não tem nenhum ator que se destaque, talvez a Rachel McAdams, um pouquinho a mais, mas é uma obra que o conjunto funciona muito bem.

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