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Esboçar, delinear, destacar contornos. Estes são alguns significados para o verbo desenhar que podem ser encontrados em qualquer dicionário por aí. Mas eu incluiria mais alguns nesta lista: criar, divertir, presentear e, principalmente, emocionar. E tudo isso está presente no trabalho de Rafael Monti, santista que está em Bauru desde os 13 anos – e que escolheu este lugar para chamar de seu.

Depois de passar uma temporada trabalhando em São Paulo e mais um tempo estudando em Dublin, na Irlanda, o ilustrador retornou para cá, onde pode desenvolver e aprimorar, cada vez mais, o seu talento. Hoje, além de atuar em uma agência de publicidade, Rafa também trabalha em sua página, onde desenvolve uma série de super-heróis semanalmente, e faz caricaturas e ilustrações em canecas por encomenda.

Grande admirador do trabalho de Maurício de Sousa, Rafa sempre desenvolve seus personagens de forma delicada e alegre, com uma característica em comum: todos têm sempre um sorrisão no rosto. Talvez por ser algo muito presente no artista, (o sorrisão marcou presença em muitos momentos durante todo o bate-papo) ou por ser exatamente a reação de quem tem a oportunidade de ver o seu trabalho mais de perto.

Neste bate-papo com o Social Bauru, Rafa fala sobre o trabalho que desenvolve na cidade, relembra o início da carreira, comenta os projetos futuros (não tão futuros assim; vem novidade já no Dia das Mães!) e comenta, sempre com muito brilho nos olhos, sobre esta grande paixão.
Saiba mais sobre o artista:

Você era uma criança que gostava de desenhar?
Sim, era aquela criança que rabiscava na parede da sala! (risos). Mas teve um fato na minha vida que determinou o meu começo nas ilustrações. Eu era, ou melhor, sou muito desatento e a minha professora do 1º ano reclamou muito, porque ela explicava a matéria na sala de aula e eu ficava viajando! (risos). Ficava olhando para o teto, fazendo uns rabiscos na carteira… e aí ela chamou a minha mãe para conversar e orientou que ela me colocasse em algum curso para desenvolver a atenção. Por coincidência, tinha uma escola de desenho ao lado do local onde eu estudava. Minha mãe fez a minha matrícula, para ver se ajudava em meu desempenho. Essa escola era em Presidente Prudente.

Você não é bauruense, então?
Não, eu sou santista. Sou um intruso aqui! (risos). Meu pai é comerciante e moramos em várias cidades. Vim para Bauru aos 13 anos. Acabei indo trabalhar em São Paulo, fiz intercâmbio para Dublin, mas voltei. Meus amigos estão todos aqui, a minha namorada (que hoje é a minha esposa), também morava aqui, então não tinha como não voltar.

E desde aquele primeiro curso, o desenho já começou a fazer parte da sua vida, então?
Sim, quando eu entrei no curso, eu senti que encontrei o meu lugar.

Melhorou sua atenção?
Ah… (risos). Acho que para a ilustração sim! Mas acredito que aquela professora não tenha sentido muita diferença no dia a dia. Mas este foi só o primeiro curso; depois eu fiz vários. Participei de workshop, fiz alguns cursos online e aqui em Bauru também.

E quando surgiu a oportunidade de começar a fazer caricaturas?
No começo eu não fazia caricatura, mas sempre desenhei um mundo mais alegre. Mas a caricatura, em si, foi muito influenciada pela a minha mãe que olhava os meus desenhos e sempre falava que eram muito alegres. Eu nunca consegui fazer desenhos sérios. Se eu for desenhar você, com certeza não será séria! (risos). Eu nem consigo fazer isso. Não é o meu traço, sabe? Por isso, sempre procuro desenhar algo mais exagerado e sempre foi uma característica minha, acho que desde a adolescência.

É mais difícil?
Então, na verdade, eu me encontrei neste caminho. Não consigo fazer diferente. Mesmo que seja uma esfera – não vou fazê-la toda certinha. A minha maior referência sempre foi o Maurício de Sousa e eu acho que tem um pouco do trabalho dele no meu traço. Claro que o meu trabalho não chega nem aos pés do dele… pelo amor de Deus! (risos). Mas eu tenho muita influência.

Você já teve a oportunidade de conhecê-lo?
Sim, uma vez ele veio aqui em Bauru e participou de uma sessão de autógrafos. Na época, eu tinha uns 15 anos e fui para entregar alguns desenhos que eu tinha feito. Além destes desenhos, eu escrevi uma carta pedindo para trabalhar com ele. Infelizmente, na hora, ele não viu a carta, mas até que eu tive sorte; depois de um tempo, me ligaram do escritório dele dizendo que eu não havia sido selecionado. Mesmo assim, agradeceram eu ter escrito a carta e foram muito delicados. Olha, só de ter recebido esta resposta, eu já fiquei muito feliz!

Ele ainda é a sua maior influência?
Sim, com certeza. O mundo do Maurício de Sousa é muito mágico, muito alegre. É ainda a minha influência.

Como é o seu trabalho na sua página?
Eu tenho uma série que se chama ‘Heróis de Quinta’. Divulgo, toda quinta-feira, uma tirinha com os super-heróis, que são outras grandes influências. Sempre gostei de desenhar os super-heróis.

Como é o processo de criação? A inspiração vem de repente?
Depende muito. Às vezes, do nada, aparece uma inspiração e eu tenho que largar tudo para colocar no papel. No caso de alguma encomenda, eu me forço a ter uma ideia, assim como a série que eu tenho na página também, onde toda quinta eu tenho que publicar algo novo. Mas sempre fico um tempo antes pensando, até finalizar o desenho. Vou elaborando uma semana antes, mais ou menos, até ter toda a ideia formada. Quando eu tenho uma data para entregar, acaba sendo mais demorado.

Você cria em conjunto com o cliente?
Sim, fazemos tudo junto. Uma caricatura por encomenda, quando eu não conheço a pessoa, é muito difícil de ser feita. Eu gosto do traço alegre, mas quando não conheço, não é fácil. Sempre peço, no mínimo, umas três fotos de rosto e alguma de corpo e faço muitas perguntas, sobre profissão e hobby. Preciso dessas informações para ter uma ideia de como é aquela pessoa. Mas acontecem algumas situações engraçadas. Outro dia, por exemplo, eu estava no shopping e encontrei um casal. Cumprimentei e eles não responderam. Na hora eu achei muito estranha a reação deles. Poxa, nem me responderam… Mas depois eu lembrei que eu tinha desenhado o casal por encomenda de uma outra pessoa, por isso, eu os conhecia, mas eles não! (risos).

Quantos desenhos você já fez?
Olha, não sei exatamente, mas acho que uns 250.

Você trabalha em uma agência e também por conta própria. Como você faz para não entrar no automático?
Eu sempre descanso aos domingo. É um dia sagrado para descanso. E eu amo tanto o que eu faço, que não fica mecânico, sabe? Eu acordo todo dia às 5h e trabalho até às 8h com as canecas; aproveito o horário de almoço para fazer também e de noite vou até umas 23h30 fazendo novas ilustrações. Mas eu prezo pelo descanso, até para conseguir produzir mais depois. É um momento necessário.

Além da página no Facebook, onde você divulga o seu trabalho e produz muita coisa, você também faz caricaturas por encomenda e ilustrações em canecas. Como funciona?
O cliente pode escolher o que ele prefere: só a caricatura ou o desenho estampado em uma caneca. Tenho dois públicos, na verdade: pessoas físicas e jurídicas. No caso da jurídica, eu trabalho com ilustração publicitária, mascotes e derivados. Já pessoa física, posso aplicar em vários tipos de produtos, além da caneca. E para o Dia das Mães, eu já estou pensando em algumas novidades, algum combo… não decidi ainda. Mas terá alguma novidade! E ah, também estou preparando algo para lançar na minha página, alguma série sobre o Dia das Mães, por exemplo. Este ano, quero investir ainda mais no entretenimento da página, então, sempre vou lançar novidade lá.

Existem alguns trabalhos que parecem mais uma diversão. O seu é um deles. Você ganha a vida desenhando e muitas pessoas, talvez no passado, não tenham acreditado que você teria sucesso com isso. Já parou para pensar nisso tudo?
Já sim, mas eu não me vejo fazendo outra coisa. Acho que se eu não fizesse ilustrações, eu seria músico, ou seja, não teria como fugir da arte. Mas olha, não tem comparação… eu sou um músico muito ruim! (risos).

Para conhecer melhor o trabalho de Rafa Monti, acesse: Rafa Monti Ilustrações.

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