Na foto: Gustavo, Silvia, Igor e Felipe Cunha
Na foto: Gustavo, Silvia, Igor e Felipe Cunha

Há 30 anos surgia em Lins o restaurante Tayu e, um ano depois, ele chegaria a Bauru como um dos pioneiros da comida oriental na cidade. O Tayu tem como base e estrutura a família. O que começou em uma chácara com Sílvia Aparecida Raposo, continua hoje em dia com uma grande estrutura com seus filhos Gustavo e Igor Moreira da Cunha, além de seu neto Felipe D’Oliveira Moreira da Cunha.

A força das três gerações e a vontade de sempre inovar e manter a qualidade é que movem o estabelecimento. E é isso que Sílvia, seus filhos e seu neto contam para o Social Bauru nesta conversa!

O restaurante Tayu está comemorando 30 anos. Como foi este começo?
Sílvia: Nós começamos em Lins. Na época, eu tive contato com alguns restaurantes orientais e percebi que poderia abrir uma unidade deste empreendimento na cidade. Eu já queria empreender em algo e restaurante com comida chinesa ainda não tinha em Lins. Tinha muita boutique, outros restaurantes… tudo o que eu pensava em abrir, já existia na cidade. Por isso comecei a pensar em algo que não tinha por lá e optei pelo restaurante com comida chinesa.

Então foi a primeira experiência com restaurante?
Sílvia: Exatamente, eu nunca tinha trabalhado com um restaurante e resolvi apostar nesta ideia. A partir da decisão, eu fui buscar cozinheiros e outras pessoas para participarem da minha equipe para montar o meu restaurante. Inclusive, um destes funcionários ainda trabalha aqui até hoje – há 30 anos.

E quando o empreendimento veio para Bauru?
Sílvia: Nós ficamos um ano em Lins e foi um sucesso. Além dos moradores da cidade, nós atraímos muitas pessoas de fora e eu percebi que poderíamos ir para outra cidade. Inclusive, nós tínhamos muitos clientes de Bauru, o que me fez notar que esta cidade poderia ser um bom local para ampliar o empreendimento. Aí, decidimos vir para a cidade e inauguramos em uma chácara, no local que hoje se tem o condomínio Estoril 5.

Imagino que há 30 anos, aquela área era bem diferente…
Sílvia: Nossa, totalmente! Era uma área verde forte, com clima bem bucólico e exótico. E novamente, foi um sucesso. Durante um tempo, ficamos com as duas unidades: em Lins e aqui em Bauru, mas depois de um tempo eu decidi me concentrar aqui na cidade. Aí abri um segundo restaurante, uma churrascaria ao lado do Tayu e depois continuamos apenas com o restaurante oriental.

Com a sua história, ficou inevitável que os filhos também entrassem no negócio, né?
Sílvia: Com certeza. Meus filhos acompanharam tudo desde o começo e logo eles já começaram a me ajudar. Hoje, estamos com a terceira geração aqui conosco, com o meu neto que se formou em gastronomia e é responsável pela cozinha.
Gustavo: No meu caso, até fiz faculdade de direito e tive um escritório durante cinco anos, mas continuei no restaurante. Trabalhava nos dois empregos e fiz uma especialização em direito tributário, em São Paulo. Trabalhava aqui durante a semana e viajava aos finais de semana. Quando decidimos abrir o Sin Tae, que é um outro empreendimento nosso, ficou mais complicado conciliar os dois e decidi seguir com os restaurantes. Mas fiz isso com a consciência tranquila e não tenho nenhum arrependimento de ter tomado esta decisão.
Felipe: E eu estou há uns dois anos. Eu fui criado aqui no restaurante e ajudava muito, desde os meus 15 anos. Fui gostando cada vez mais, me formei em gastronomia e agora trabalho aqui na cozinha. Ajudo em outros pontos, mas meu foco principal é a cozinha.

Há 30 anos a senhora não tinha noção que ia envolver tanta gente da família?
Sílvia: Eu via que meus filhos gostavam muito. O Gustavo e o Igor sempre gostaram, deram um apoio muito grande para mim e por isso, continuaram com o negócio. Já o Felipe, meu neto, nunca imaginei que fosse gostar e criar tanto.
Gustavo: É verdade. A parte da criação tem que ser feita por um chef mesmo, e esse é o Felipe. Tem muita pesquisa de internet, livros, estudos em outros restaurantes. Nós vamos muito para São Paulo procurar novidades, tendências, procuramos feiras da área gastronômica. Fazemos isso todo ano. E gastronomia é um mundo, né? E ele está empenhado neste desenvolvimento.

E quando aconteceu a mudança de local?
Sílvia: Então, depois de um tempo que estávamos lá na chácara, começamos a pensar na expansão e estudamos a possibilidade de construir um novo restaurante. Depois de 15 anos, viemos para este prédio atual.
Gustavo: Novamente, escolhemos um lugar distante.
Sílvia: Exatamente, quisemos uma área mais reservada.
Gustavo: E não mudamos só de local, decidimos mudar a concepção do restaurante também. Hoje, com a ajuda do arquiteto bauruense Jurandir Bueno, nosso salão está sem pilares no meio, temos sala de reunião e sala vip, além de a cozinha ter se tornado mais funcional. Foi tudo projetado para ser um restaurante, diferente da chácara.

Vocês ficaram com medo de fazer essa mudança?
Gustavo: Ficamos, pois saímos de um ambiente rural para um mais urbano. Isso assusta um pouco.

Nesses 30 anos, teve algum momento que vocês pensaram em desistir?
Sílvia: Olha, enfrentamos momentos complicados, como a crise Collor, que foi bastante problemática. Nós passamos por dificuldades, mas conseguimos superar.
Gustavo: Em 2008, teve uma crise que foi bem complicada também. Atualmente essa crise também faz o movimento cair um pouco, mas estamos fazendo bastante mudanças. A gente colocou alguns festivais diferentes à noite pra movimentar, além de oferecermos as saladas, que é uma novidade do local. Sempre tentamos inovar para manter a qualidade mesmo com as dificuldades.

Vocês começaram com a comida chinesa, mas depois foram adaptando o cardápio?
Gustavo: Nós começamos a adaptar o cardápio com a comida brasileira, com filé e peixe na telha. Depois veio a comida japonesa. Lá no começo nós tínhamos alguns pratos da comida japonesa, mas era outra concepção. Começamos a desenvolver essa parte de uns 15 anos pra cá. Agora com a diversidade e facilidade de transporte, trabalhamos com peixe fresco e os melhores produtos.

Para esse ano tem alguma mudança?
Gustavo: Nós temos um cardápio novo, com porções que estão maiores, além de termos novos drinques. Também estamos organizando alguns eventos que serão divulgados em breve.

Quando vocês vieram para Bauru, tinham poucos restaurantes de comida oriental, mas atualmente existem vários. De alguma forma, vocês se preocupam com a concorrência?
Gustavo: Nós temos essa linha mais gastronômica, gourmet. Desde a compra da matéria-prima até a manutenção de receitas tradicionais. Sempre nessa linha de qualidade.
Sílvia: E eu percebo que, apesar de ter vários restaurantes aqui em Bauru, cada um tem a sua proposta. Então não é uma preocupação, pois nós do Tayu temos um estilo totalmente diferente dos outros. Também temos um público muito fiel e cativo, que sempre nos acompanha e que percebe que priorizamos o padrão.

E muita gente cresceu aqui também, não é? Tem essa fidelização…
Gustavo: Sim! Tem história de pessoas que começaram a namorar lá na chácara, ficaram noivos lá, se casaram e hoje trazem os filhos pra cá. E eles falam ‘Ah, meu filho tá aqui com a namorada dele e eu namorava a mãe dele desde a chácara…’ (risos). Essa relação afetiva com os nossos clientes é muito legal.

E qual o segredo pra durar tanto tempo?
Sílvia: Eu acho que é a qualidade, o padrão e a continuidade. O fato de os meus filhos terem me ajudado a seguir com o negócio foi importante para estarmos onde estamos hoje. Se eu não tivesse os meus dois filhos junto comigo, eu provavelmente estaria desgastada. O restaurante está na terceira geração e ele continua se movimentando, inovando, buscando novas visões. Claro que temos muito trabalho! E por isso eu tenho uma equipe aqui comigo. Uma equipe que não me deixa. E, além dos meus filhos, tem o Felipe, que eu acho que tem um papel importantíssimo para termos este sucesso ainda hoje.

Você, Felipe, como a nova geração, deseja o quê para o restaurante?
Felipe: Eu espero o melhor possível.
Sílvia: O amor que ele tem por isso aqui é muito grande. Então não é difícil para ele. É difícil para nós segurarmos ele!

Serviço:
O Tayu está comemorando 30 anos de tradição e sucesso em Bauru.
O cardápio conta com as melhores opções da comida oriental e brasileira, sempre com novidades.
Local: Rua José Antônio Braga, 2-77 – Vila Aviação.
Horário de funcionamento: Seg-Qui: 11:00 às 14:30 e 18:00 às 23:30
Sex: 11:00 às 14:30 e 18:00 às 00:30
Sáb: 11:00 às 15:30 e 18:00 às 00:30
Dom: 11:00 às 15:30 e 18:00 às 23:30
Telefone: (14) 3224-3685
Para saber mais acesse: www.facebook.com/tayu.restaurante/

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