Marina Louzada, moradaora de Bauru e vegetariana há dois anos
Marina Louzada, moradaora de Bauru e vegetariana há dois anos

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), vegetarianismo é o regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes e pode ser dividido da seguinte forma: Ovolactovegetarianismo, que utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação; Lactovegetarianismo, que utiliza leite e laticínios na sua alimentação; Ovovegetarianismo, que utiliza ovos na sua alimentação; Vegetarianismo estrito, que não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação.

A nutricionista Jennifer Cavichiolli Paixão explica que a palavra ‘vegetariano’ vem do latim vegetare, que significa ‘dar vida’, ‘animar’. Ou seja: trata-se de um estilo de vida natural praticado desde a antiguidade por budistas, iogues e tibetanos, entre outros grupos.

O psicólogo, formado na Unesp de Bauru, e vegetariano Fernando Perri teve a sua entrada no vegetarianismo aos 14 anos de idade. “Vi, em um sítio de amigos dos meus pais, matarem um filhote de porco. Decidi ali que não queria que ninguém passasse por aquilo para eu me alimentar”, conta Fernando. Ainda na adolescência e dependente dos pais, o psicólogo não conseguiu manter a dieta 100% livre de carnes até os 19 anos. “Eu acabei voltando a comer frango e peixe algumas vezes na semana, pois eu não sabia cozinhar e Bauru ainda não oferecia opções de restaurantes vegetarianos em 1984”, explica.

Ao conversar com vegetarianos, nota-se que existem duas maneiras mais comuns de começar esse estilo de vida. Uma é mais ‘radical’ e propõe o corte imediato de todos os tipos de carne. A outra é gradual e faz a mudança em ‘porções’. Fernando Perri, por exemplo, sugere começar evitando todos os embutidos e exercitando a expansão do paladar com vegetais, legumes, ervas, etc. “Depois de alguns meses, retire todas as carnes do seu jantar. Deixe-as apenas para a hora do almoço e, de preferencia, faça uma alternância entre vermelha, de frango, de peixe e escolha um dia para deixar sem nenhuma”, aconselha. Ele ainda orienta a tirar primeiramente a carne vermelha, depois o frango e, por último, o peixe. “Isso ajuda também no convívio social”, conclui.

Marina Louzada, que hoje tem uma loja de doces sem o uso do leite animal, passou pelos dois processos. “Fui vegetariana por dois anos na adolescência e fiz tudo de uma vez, da noite para o dia. Retornei ao vegetarianismo há cerca de dois anos e dessa vez fiz aos poucos. Mas em um período curto, retirei tudo”, conta.

E os nutrientes?
Uma lenda muito comum que rodeia os vegetarianos é que sem a carne o corpo da pessoa não absorve todos os nutrientes necessários. Segundo a nutricionista Jennifer Cavichiolli, essa “é uma dieta rica em nutriente sim”. O problema só surge se a pessoa corta a carne e não aumenta o seu leque de variedade na alimentação. “Muitas vezes, as pessoas só excluem a carne e não aumentam o consumo de grãos, sementes, oleaginosas, verduras e legumes a fim de suprir o consumo de todos nutrientes”, explica Jennifer.

“Apesar da aparente baixa disponibilidade de zinco, cobre, magnésio e selênio, parece que o organismo dos vegetarianos pode se adaptar para aumentar a absorção desses elementos”, afirma a nutricionista. Alguns outros benefícios da ausência da ingestão de carne são a menor prevalência de obesidade, doenças coronarianas, osteoporose, diabetes e certos tipos de câncer. “Pode-se também haver carência de vitamina B12, mas quando ocorre é com tempo superior há 20 anos, pois uma pequena parte de B12 é secretada na bile e reabsorvida diariamente, sendo essa quantidade suficiente para suprir as necessidades orgânicas”, conclui Jennifer.

Além de uma possível melhora na saúde e qualidade de vida, o vegetarianismo oferece a oportunidade de conhecer melhor aquilo que você come. Pelo menos foi assim para a jornalista Jéssica Frabetti. “Eu passei a valorizar melhor o alimento, de onde ele vem, entender o processo, excluir industrializados e levar isso até para outras esferas, como as roupas que visto e todo o resto que eu consumo”, explica. Para Fernando Perri, seu vegetarianismo caminha lado a lado com a Yoga e questões ecológicas. “Acho que é difícil separar as transformações que vêm com essa cultura Yoga e vegetarianismo. Acredito que a expansão da consciência por poder pensar fora da caixinha é uma das coisas que mais me agrada”, conclui.

Se as qualidades nutritivas da carne podem ser substituídas por diversos tipos de outros alimentos, qual o lado negativo de ser vegetariano? “Explicar a sua escolha para as pessoas e comer fora de casa”, responde a publicitária, e vegetariana há 16 anos, Kamila Feldenheimer. A designer, e vegetariana há sete anos, Paula Lumi também vai na mesma linha. “Encontrar opções para comer fora de casa e conciliar com a rotina da família é a parte mais difícil”, afirma.

Não só a rotina da família que come carne, mas como os questionamentos que nunca param podem exercitar a paciência de quem escolhe seguir o estilo de vida vegetariano. “Eu nunca fui de comer muita carne, eu percebi que eu só comia socialmente por ter vergonha de dizer não e não assumir isso”, diz Jéssica. “É impressionante como esta escolha mexe com a cabeça das pessoas à sua volta. Eles precisam de tempo pra se adaptar a sua nova opção”, afirma Fernando Perri.

Vale lembrar que ser vegetariano não é a mesma coisa que ser vegano – que, por motivações éticas, não consomem nada de origem animal, seja alimentos, cosméticos, roupas ou qualquer tipo de atividade. “Existe uma certa hostilidade entre vegetarianos e veganos. Às vezes até mesmo no meio vegetariano você não encontra o apoio que espera por diferenças ideológicas”, explica Fernando.

Para ‘abrir os olhos’ das pessoas em relação à indústria de carnes, os vegetarianos indicam documentários: A carne é Fraca; Cowspiracy; A História das Coisas; Meatrix. “E, se mesmo assim não se convencer, veja ‘Terráqueos'”, propõe o psicólogo. Aqui vale um aviso que “Terráqueos” tem cenas fortes.

Quer uma opção de cardápio vegetariano? A nutricionista Jennifer Cavichiolli mandou uma especialmente para o Social Bauru! Confira:

Desjejum
Suco de laranja
Iogurte com quinoa e nozes
Pão de inhame e gergelim com geléia

Colação
Mamão com chia

Almoço
Grão-de- bico
Arroz integral
Salada de folhas verdes com castanha do pará
Cenoura e couve flor cozida
Suco de limão

Café da tarde
Smoothie de banana com morango

Jantar
Omelete com espinafre
Arroz multi grãos
Purê de abóbora
Lentilha
Salada de tomate

Ceia
Chá
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