Nas últimas semanas, em frente à famosa lanchonete Skinão, há uma faixa contendo um aviso de que o local está fechado, temporariamente, para reformas. Murmura-se que a casa não volta mais ou que foi passada para outra administração. Independentemente do que irá acontecer me vem a pergunta assustadora: Como pode ser real a possibilidade de não existir um “lugar oficial” para comer um Bauru, em Bauru? E, com ela, outra questão muito importante: Por que a cidade, por tanto tempo, só tinha um “lugar oficial” para comer o famoso sanduíche?

Andando de taxi na capital, há alguns meses, o taxista me perguntou de onde eu era. Depois que informei que era de Bauru, perguntei se ele conhecia a cidade e ele respondeu: “Conheço somente o lanche”. Recordo que, aos nove anos, em uma viagem a Orlando (EUA) – época em que o dólar ainda era 1 para 1 (acreditem) –, o sanduíche Bauru estava no cardápio de uma lanchonete americana.

Todos os artistas e músicos famosos que vêm para nossa cidade querem experimentar o verdadeiro Bauru. Meu tio, que mora em Brasília, come o lanche toda vez que vem para cá. O sanduíche é uma referência e deveria ser algo turístico para quem chega à cidade.

A cidade de Brotas é famosa por seus passeios, com pousadas por todo canto. Itu, pelo tamanho exagerado de objetos e das porções de comidas oferecidas por lá. Ibitinga, famosa pelos seus bordados, Jaú por seus calçados, Gramado pelo chocolate… Só para citar alguns exemplos! Esses lugares “respiram” o conceito que faz sua fama.

Bauru, embora tenha filhos e habitantes ilustres, que levam seu nome para o mundo (Marcos Pontes, Pelé, Osíris Silva, Edson Celulari, Maurício de Souza – entre muitos mais), é conhecida principalmente pelo lanche que leva seu nome. Nada carrega tanto o nome da cidade para outros lugares quanto o Bauru. Então, por que não existe o sanduíche em cada esquina? Por que isso não é explorado? Por que não é cultural?

Em todos os lugares do país, o Bauru pode ser encontrado – mesmo que confeccionado de maneiras diferentes e com outros ingredientes, ele ainda está lá, nos cardápios. E por que, se no Brasil inteiro o lanche é encontrado em qualquer esquina, só em nossa cidade ele é tão timidamente ofertado?

O Bauru deveria ser o carro-chefe, o pedido número um de quem vem pra cá. Deveria ser uma cultura respirada dentro de cada bar, lanchonete ou restaurante. Com orgulho!

Como isso poderia se tornar realidade e ser um diferencial na cidade? Refletindo sobre o assunto, pensei em duas soluções possíveis:

1. Uma lei obrigando todos os locais a produzir o sanduíche Bauru. Os lanches poderiam ter diferentes fórmulas e versões, moldados com características e um toque especial da casa, mas ainda assim deveriam estar lá com elementos que lembrem e homenageiem o original. Para os locais não especializados em lanches, como, por exemplo, um restaurante japonês, fica a alternativa em fazer um “Temaki Bauru” ou qualquer outro prato que lembre o lanche. Para os que fizerem o original, um belo certificado para colocar na parede, enquadrado.

2. Uma lei de incentivo fiscal. Para os locais que fizerem o sanduíche original, uma porcentagem de abatimento nos impostos. Simples assim. Bauru na mesa, menos impostos.

Eu fiquei sabendo que a primeira ideia já foi até abordada pelo vereador Lima Junior, em uma sessão da câmara. Não sei em qual andamento está, mas gosto mais dela por ser drástica.

Sabe o que eu mais queria? Que isso fosse cultural na cidade. Queria que a impressão de quem viesse de fora fosse: “Bauru é interessante! Em todo lugar que você vai, tem algo relacionado ao lanche. É cultural, respeitado e faz parte do turismo da cidade”.

Mas, hoje, infelizmente, o que provavelmente se ouve falar é: “Acho que esse lanche não tem a ver com a cidade, deve ser alguma coincidência com os nomes. Eu fui lá e a cidade não tem nada relacionado, não encontrei em nenhum lugar… não ouvi ninguém falar”.

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