bauru-check-topo

Um dos principais trabalhos da universidade pública é contribuir com a cidade que a recebe para gerar desenvolvimento e retorno para a população. Quatro estudantes de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, enxergaram nas eleições municipais de 2016 essa oportunidade. Tudo por iniciativa própria, sem pressão de trabalho da faculdade ou projeto de extensão.

Em uma iniciativa inspirada por uma palestra sobre Fact-Checking no Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Victor Pinheiro e Matheus Fernandes, ambos de 20 anos, questionaram se isso poderia ser aplicado a Bauru. Com a ajuda de Guilherme Sette (22) e Adriano Arrigo (28), o Bauru Check saiu do mundo das ideias e conheceu o mundo.

O Bauru Check utiliza informações já disponibilizadas em portais públicos que seguem as leis de transparência e acesso à informação. “Essa informação é de livre acesso, mesmo assim, pouca gente sabe que existe, inclusive jornalistas, então procuramos dar visibilidade a eles”, explica Victor.

Com um projeto em potencial tão incrível, o Social Bauru não poderia deixar de conversar com os meninos do Bauru Check. Confira a entrevista e entenda porque é importante que você visite a página antes de chegar às urnas no domingo!

Como surgiu o projeto Bauru Check?
Victor:
Eu e o Matheus Fernandes assistimos uma palestra no Congresso da Abraji sobre Fact-Checking com as criadores da Agência Lupa, do Aos Fatos e o criador do Chequeado, site argentino. Além disso, eu fiz um mini-curso de investigação de dados públicos ministrado pelo Gil Castelo Branco, do Contas Abertas. No congresso nós dois pensamos se poderíamos aplicar esse tipo de jornalismo em Bauru. Então decidimos criar o Bauru Check aliando a investigação de dados públicos e o Fact-Checking, mas por enquanto só exploramos os dados públicos mesmo. Nossa intenção também é checar as falas de políticos de Bauru futuramente. Entendemos que a cobertura política em Bauru poderia ser bem mais qualificada.

Antes de começarmos as atividades, convidamos o Guilherme Sette, nosso amigo e colega de classe, para participar. Depois o Adriano Arrigo veio falar com a gente que estava interessado em participar do projeto, ofereceu a habilidade de infografia dele e deu muito certo! Primeiro porque nós não conhecíamos muitas ferramentas que fossem gratuitas e segundo que ele é muito bom nisso.

Todos sempre se interessaram por política?
Victor:
Sim, a política é talvez o principal assunto do jornalismo, e todos tentam acompanhar de alguma forma.

Vocês tiveram que estudar mais cada assunto retratado nos textos? Como vocês decidem as pautas?
Victor:
Em um sentido sim, principalmente as leis que determinam as regras eleitorais, que passaram por uma reforma recentemente. As pautas normalmente são iniciativas individuais, mas que se complementam buscando um quadro maior. No geral é um processo bem colaborativo, com discussões sobre o conteúdo achado e diferentes pessoas fazendo etapas da postagem, como montar gráficos ou operar redes sociais.

E como funciona a rotina de postagens?
Victor:
Tentamos estabelecer uma rotina que possibilite uma apuração aprofundada e tempo para os textos repercutirem. Nesse período pré-eleições, as postagens ocorrem em ritmo maior, pelo volume de informação relevante.

E como vocês têm acessos à todas as informações que são postadas? Há um diálogo com os candidatos?
Victor:
Todos as informações que utilizamos nos nossos textos podem ser encontradas em sites públicos, seguindo as leis de transparência e acesso à informação, como o portal do TSE e da própria prefeitura bauruense. Essa informação é de livre acesso, mesmo assim, pouca gente sabe que existe, inclusive jornalistas, talvez por não conhecerem esses portais. Então procuramos expor dados relevantes que estão disponíveis, mas não tem visibilidade. Em nossas reportagens procuramos sempre mostrar como chegamos até aqueles dados através do “Como Checamos”.
Por enquanto, ainda não entramos em pautas que necessitem de entrevistas, talvez seja um passo caso o projeto tenha mais visibilidade. Mas nosso objetivo é ser o mais equilibrado possível e não tomar nenhuma posição a favor ou contra um candidato.

Com este projeto, vocês acabaram tendo mais interesse por política?
Victor:
Em um sentido sim, principalmente em acompanhar mais de perto a política em nível municipal, que apesar de receber uma cobertura menor tem grande importância para os habitantes da cidade.

E votam em Bauru? O pensam sobre as eleições municipais de Bauru? Como veem os candidatos?
Victor:
Não. Como grande parte dos estudantes de Bauru, viemos de outras cidades, onde votamos. A eleição é um processo importante, todos temos grande afeição pelo município e desejamos a melhor gestão possível, tanto em prefeito quanto em vereadores, por isso tentamos divulgar informações que tornem esse processo mais aberto e democrático, e facilitem as escolhas e a participação da população.
A imparcialidade é parte essencial de nosso projeto, baseado mais em dados do que fontes humanas, por isso não nos posicionamos a favor ou contra nenhum candidato.

E vocês sentem que os jovens são interessados em política ou não?
Victor:
A política está em todo lugar, dominando os jornais e as discussões na internet. Os jovens tem sua própria agenda política, suas reivindicações, e em algum nível isso passa pelo poder público municipal.
Nós queremos facilitar o acesso à informação, possibilitando uma participação política mais embasada, e até um interesse maior, de jovens e não-jovens.

Serviço
Quem quiser conhecer mais do trabalho e se informar sobre a política de Bauru, basta acessar a página do Facebook ou o Medium do Bauru Check.

Compartilhe!
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Giovana Romania
Carregar mais em Geral
...

Verifique também

Idealizado por moradora da região, projeto que ensina Braille de forma online e gratuita completa um ano com live comemorativa

Apesar de existirem, no Brasil, mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual R…