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Existem dois tipos de ensaios nus possíveis: um é feito pelo mercado que vende o corpo da mulher para um nicho específico. O outro lado é o nu artístico, que empodera, expressa a essência da mulher e dá à ela a oportunidade de amar o corpo e quebrar padrões impostos.

O ensaio sensual pode ser extremamente artístico: é assim que enxerga o fotógrafo de Bauru, Gabriel Woelke. “Tentei trabalhar bastante a arte e não demonstrar uma foto apelativa para o nu e sim, algo que fosse uma imagem bonita com um corpo nu dentro do contexto”, explica. E, para quem não é “modelo profissional”, a experiência pode ser fantástica também. “Muitas vezes quando uma mulher aceita ser fotografada, não é pra mostrar pro mundo que ela é linda ou esperar seus likes em redes sociais. E sim mostrar para si mesma a beleza de uma maneira que o espelho não consegue, mas a fotografia sim”, afirma Bruna Novelli, jornalista de Bauru e modelo nas horas vagas.

Conversamos com algumas pessoas da cidade que já passaram por esta experiência – seja à frente ou atrás das lentes. Veja o que eles relataram:

As modelos

Bruna Novelli, jornalista, fotografada por Gabriel Potter

“Gostei tanto da experiência quanto do resultado. Fotografar com um profissional é como tomar uma injeção de autoestima. E o bom é que nem dói. O profissional da fotografia vai usar dos seus melhores ângulos, vai usar uma iluminação que te valorize e vai te pedir para fazer expressões que você nem sabia que conseguia fazer. Há quem possa chamar de ‘propaganda enganosa’. Eu chamo de ‘mostrar o melhor de você mesma’.

Muita gente veio me contar que adorou as fotos. Elogiaram a mim e ao trabalho do Gabriel. Porém, acredito que ainda há esse tipo de preconceito contra algumas formas de exposição feminina, não só em fotos, mas com usar uma roupa curta, por exemplo. Um absurdo em pleno ano de 2016, quando se discute tanto sobre machismo e desconstrução de padrões. Muitas vezes quando uma mulher aceita ser fotografada, não é pra mostrar pro mundo que ela é linda ou esperar seus likes em redes sociais. E sim mostrar para si mesma a beleza de uma maneira que o espelho não consegue, mas a fotografia sim”.

Arianni Milano, modelo e psicóloga, fotografada por Daniel Aratangy e Alessandra Levrchenko

Eu já fiz diversos ensaios no seguimento “sensual” desde 2011, inclusive para quadros de programas de televisão e revistas conceituadas no cenário brasileiro e mundial. O contato para primeira foto de revista aconteceu por um contato através do Twitter. Eles tiveram acesso a um editorial que eu fiz em Bauru e aí as propostas aconteceram.

Atualmente ser modelo é uma segunda paixão, minha principal ocupação é a psicologia, mas me dedico à moda porque acredito que ainda não esgotei minhas possibilidades. Já me questionaram sobre como eu consigo conciliar vertentes tão distintas, e pra isso não existe uma resposta pronta; eu simplesmente trabalho com competência, as pessoas ficam satisfeitas, e isso não da margem para questionamentos.

Tudo o que fiz, eu guardo com carinho, pois foram experiências ótimas. Tive o privilégio de estar integrando equipes excelentes, com fotógrafos renomados. Foi uma oportunidade de desmistificar esse universo também, é tudo feito com muito cuidado e comprometimento. Fiquei muito feliz com o resultado; apesar do teor sensual as fotos ficaram discretas, artísticas. Inclusive, um ensaio que eu fiz para uma das revistas de renome nacional foi eleito como a melhor dobradinha, que é o ensaio com duas pessoas, da história da revista!

Eu admito que o preconceito com ensaios desse tipo partiu mais de mim mesma do que qualquer outra pessoa. Na verdade, assim que surgiram os convites eu fiquei um pouco receosa, me preocupei com o que as pessoas poderiam pensar de mim e como opiniões e comentários poderiam me prejudicar. Mas logo concluí que esse era um dos riscos da exposição e que meu papel era justamente confrontar esse tabu. Minha família sempre me deu muito suporte, minha madrinha estava presente em todos os ensaios me apoiando. Lembro de comprar a revista e levar em um domingo na casa da minha vó para todos verem. Estava contente e satisfeita com o resultado.

Drieli Rodrigues, recepcionista na Mega Model Bauru, fotografada por Gabriel Potter

“Fiz um ensaio sensual no sobradinho do Gabriel; as fotos devem ter pouco mais de um mês e meio. Eu e o Potter nos conhecemos há muito tempo e muito antes de começar a surgir essas coisas sensacionais na vida dele, nós já conversávamos sobre fazer um ensaio assim. Uma vez até fizemos uma prévia na minha casa sem preparação nenhuma e que ficou maravilhoso. Eu amei fotografar com o Gabriel, porque, além de meu amigo há anos, ele é um profissional incrível. Ele me deixa sempre muito confortável: nós rimos, falamos da vida e sem perceber já tiramos diversas fotos maravilhosas. Não recebi nenhuma crítica em relação ao ensaio, pelo contrário, foram só elogios”.

Victória Prevideli, modelo, fotografada em İznik, uma província da cidade de Bursa, na Turquia

“Sou modelo da RN Agency em Bauru, mas atualmente estou na Turquia e foi aqui que fiz meu primeiro ensaio mais sensual, organizado pela minha agência turca. Foi um experiência maravilhosa! O fotógrafo foi completamente profissional e me deixou à vontade o tempo inteiro. Eu mandei as fotos para minhas melhores amigas e para minha mãe, todas amaram e me deram um enorme apoio. Felizmente, não sofri nenhum tipo de comentário preconceituoso por causa da ‘pegada’ mais sensual das fotos”.

Laura Ferratone Andolfato, amazona, fotografada por Gabriel Potter

“Fiz parte do projeto ‘Sobradinho’, do Gabriel Potter. Ele havia fotografado uma amiga minha, a Luana, e comentou com ela que procurava ‘modelos’, aí ela me indicou. Nós conversamos por Facebook, ele falou sobre a proposta do ensaio sensual e de cara eu aceitei! Como não era o meu primeiro ensaio desse tipo, não fiquei tão nervosa ou com medo. No começo sempre dá um frio na barriga, mas depois das primeiras fotos passa a vergonha e o nervosismo também. E no final de tudo eu amei o resultado! Não tem coisa melhor do que ser fotografada. Todos os meus amigos e minha mãe apoiaram muito, e não tive contato com qualquer preconceito”.

Os fotógrafos

Gabriel Potter

“Fotografo mulheres há dois anos. Não me considero um especialista, porém, pelo fato de estar tão focado nesse tipo de fotografia, considero que sou um retratista. Para chegar no nível especialista tem que estudar, é um trabalho muito difícil. Isso só pelo fato de eu estar lidando com a intimidade da modelo, pois cada uma tem sua história, seu sentimento. Não tem uma fórmula exata, vai muito da conexão que rola entre a modelo, o fotógrafo e câmera. É sempre um desafio. Rola aquele friozinho na barriga, sabe? Ao mesmo tempo, é muito gratificante. Amo o que faço.

A principal preocupação na hora de tirar a foto é respeitar a modelo. Isso é essencial para que ela esteja à vontade! Eu me dirijo à ela sempre com naturalidade e respeito. Inclusive, comecei a trabalhar também com uma assistente. A Aline me ajuda muito, pois lida muito bem com as modelos que tenho fotografado, aí vira mais um bate-papo descontraído e acaba ajudando todo mundo. Também existe a direção que é parte fundamental para que o ensaio seja satisfatório. Tento tratar essa sensualidade da mulher de uma forma completamente natural.

Já fotografei mulheres que nunca foram fotografadas, e também profissionais que já viajaram o mundo fotografando. Conseguimos tirar um trabalho bem legal de ambas. É como eu disse, não existe uma fórmula, vai muito do ‘feeling’ mesmo. A arte é isso, ter liberdade para fazer o que você sonha e imagina, fazer de tudo para tornar aquilo real.

A parte mais satisfatória do trabalho é quando eu mostro o resultado final para a modelo. O sorriso delas. Não tem sensação melhor do que ela te agradecer por aquela foto que mostra o quanto ela é bonita e por alguma pressão social não conseguia enxergar. Isso é sensacional!”

Gabriel Woelke

“Eu sou fotógrafo há quase três anos, mas já estou inserido na arte desde criança. Comecei com dança, e ainda danço até hoje. Acredito que a dança trouxe muitas qualidades para os meus trabalhos atuais. Não me considero um fotógrafo especializado em nada, não me coloco nessas posições e não me agrada ser taxado e visto como um cara que faz uma coisa só. Eu sou artista, gosto de fazer experimentos com tudo.

Por agora não estou fazendo mais tantos ensaios com mulheres, experimentei algumas coisas esse ano e acredito que consegui fazer bons trabalhos e coisas interessantes. O meu último trabalho foi um nu artístico com uma dançarina que gosto muito e acredito que ficou bem diferente e interessante.

Refleti muito sobre fotografia sensual ou de nudez. Alguns trabalhos pareciam ser só uma supervalorização da mulher ao invés de algo artístico. Tentei trabalhar bastante a arte e não demonstrar uma foto apelativa para o nu e sim que fosse uma imagem bonita com um corpo nu dentro do contexto, mas a aceitação das pessoas é algo meio estranho e complicado. Ainda sinto que a grande maioria delas observa apenas a nudez e o físico das pessoas do que realmente a foto como uma obra de arte.

Acho que nem eu ou qualquer modelo que eu tenha fotografado fomos alvos de preconceito, mas rola sim comentários desnecessários de algumas pessoas. O que dá pra fazer é ignorar. Eu me preocupo realmente com a foto e seu contexto”.

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