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“Quem tem medo de morador de rua?” A pergunta na capa do jornal é um questionamento com uma resposta muito simples e, quase sempre, unânime. Mas já parou pra pensar qual o motivo de muita gente temer uma pessoa em situação de rua? É com o intuito de mostrar quem são essas pessoas e dar voz a uma população periférica desconhecida que surgiu o “Fatos da Rua”.

O jornal, que teve sua primeira edição publicada em outubro, traz como tema principal o preconceito que impede os moradores de rua de sair dessa situação. Conseguir um trabalho é muito difícil, pois essas pessoas são estereotipadas negativamente pela sociedade, mas o projeto, apesar de estar no começo, já provocou algumas mudanças.

Éderson Henrique de Oliveira Frederico, que frequenta o Centro de Referência Especializado em População em Situação de Rua (Centro POP), explica “O Centro POP foi mais divulgado, quase ninguém conhecia e depois do nosso jornal várias pessoas vieram fazer entrevistas aqui. Valeu pra divulgar o serviço que ajuda bastante gente que mora na rua”.

Outro participante é Rodrigo Vieira, do ramo da comunicação, já trabalhou em rádio e morou na rua mas, depois que sua família viu sua participação no jornal, resolveu dar uma chance à ele. “O jornal ajudou para que a minha família acreditasse em mim. O título é “Fatos da Rua” mas aconteceu de a gente citar muitos fatos da nossa pessoa. A minha família me deu uma oportunidade de voltar pra uma casa que já era minha” conta Vieira.

Um ponto do jornal é mostrar o lado mais humano das pessoas que estão na rua, já que, apesar de se encontrarem nessa situação, elas têm uma família, sonhos, preferências musicais e muitos talentos, como Luís Henrique da Silva que escreve poesias. “O projeto me fez ter uma visão muito mais humanizada do morador de rua. Espero que possa mostrar isso para todos que lerem o jornal” explica Daniela Arcanjo Rodrigues, estudante de jornalismo e quem teve a ideia de fazer o “Fatos de Rua”.

Como surgiu
No começo, a ideia era produzir um jornal para a periferia da cidade de São Paulo como trabalho para uma disciplina do curso de jornalismo da Unesp em Bauru. Depois de conversar com algumas pessoas, Daniela conheceu o “Boca de Rua”, jornal de Porto Alegre feito por moradores de rua, e decidiu se inspirar nessa ideia.

Além de Daniela, outros seis alunos fazem parte do projeto que busca por em prática o exercício de um Direito Humano, o da comunicação. “Hoje, quem pode se comunicar são pessoas que tem uma determinada renda. Mas a comunicação é um Direito Humano. Para exercer esse direito você só precisa ser humano. Por que não temos, então, publicações para essa população? E por que eles são retratados de forma tão estereotipada?” questiona Daniela. Na primeira edição, o jornal teve a participação de quatro moradores de rua que pensaram nos temas das matérias, fizeram as entrevistas e saíram às ruas de Bauru para vender o jornal, que tem o preço de R$2.

Circuito de vendas
Diante das dificuldades das vendas, a equipe do “Fatos de Rua” decidiu fazer um circuito de vendas. Nessa quinta-feira, dia 24, eles estarão lá no bosque da Unesp, a partir das 17h. Além da venda dos exemplares, os moradores de rua que colaboraram com a produção do jornal estarão lá para conversar e mostrar um pouco dos talentos.


Serviço

Evento: https://www.facebook.com/circuitodevendas
Dia 24/11 – às 17h
Unesp Bauru: Av. Eng. Luiz Edmundo C. Coube, 14-01, Núcleo Habitacional Presidente Geisel

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