Quando você vai a uma balada é muito comum ver sempre uma mulher na porta para recepcionar o cliente. Para quem não sabe, ela é a hostess, palavra inglesa que significa anfitriã. Muito mais do que sorrir e ser simpática, o trabalho da hostess começa muito antes do cliente chegar com a organização da lista e do lugar.

E pode parecer fácil, mas a profissão exige muita paciência e jogo de cintura para gerenciar eventuais problemas que surgem. Além disso, saber as regras de etiqueta, a comunicação e a postura são diferenciais para a profissional da recepção.

Para se tornar uma hostess não é obrigatório ter um curso, mas todo o treinamento e conhecimento ajudam na hora de ter contato com o cliente. Em São Paulo, por exemplo, por ser uma cidade onde a maioria dos restaurantes, baladas e feiras contam com uma anfitriã, existe cursos que dão a formação necessária para trabalhar em diferentes lugares.

Aqui em Bauru, alguns bares já contam com hostess para recepcionar o cliente e representar o estabelecimento e nós, do Social Bauru, batemos um papo com as profissionais Thayla Teodoro, que trabalha há mais de 8 anos como hostess; Jéssica Mendes, hostess há 4 anos; e Victória Coffone, que atua há oito meses, para saber um pouco mais sobre a profissão.

Confiram a entrevista:

Pra começar, queria que vocês esclarecessem uma dúvida comum: qual a diferença entre hostess e promoter?
Thayla: Poderia classificar a diferença de uma forma bem simplista: promoter é quem divulga e trabalha na parte externa do evento, e a Hostess ou Host trabalha da porta pra dentro do estabelecimento.
Victória: o promoter é responsável pela divulgação e a hostess pelo atendimento.
Jessica: São cargos bem diferentes. Promoter são aquelas pessoas que promovem festas, inauguração de lojas, restaurantes, bares, lançamento de produtos em locais de grande circulação, com objetivo de entregar panfletos, distribuir convites, fazer lista de convidados etc. Hostess é mais relacionado ao objetivo de recepcionar as pessoas, alocá-las em um local específico, fazer cadastros, e ser realmente a figura de boas vindas do estabelecimento!

Além de receber o cliente e levá-lo até uma mesa, no caso do restaurante, o trabalho de uma hostess envolve outras atividades, certo? Quais?
Thayla: Hostess é a anfitriã da casa, ela é responsável por abrir um sorriso e fazer com que o cliente saiba que é bem-vindo, antes mesmo de entrar. É importante que ela entenda a logística do bar, restaurante e das opções de mapa de mesas pra adaptar sempre que for necessário, possibilitando o fluxo dos garçons. É ela quem comunica a cozinha da troca de mesas pra que os pedidos sejam realocados. É ainda responsável pelas reservas e pela tão temida ‘fila de espera’! (risos). A hostess é quem vai correr para adaptar as mesas e fazer com que o cliente seja atendido o mais rápido possível. Ela também faz as honras, se despedindo do cliente em nome de todos.
Jessica: Ser hostess vai muito além do que recepcionar pessoas. Somos a primeira pessoa com a qual os clientes têm contato, então a hostess é responsável por iniciar um bom atendimento!

Como é a rotina de trabalho?
Thayla: Dinâmica, corrida e intensa! (risos). Eu, particularmente, procuro sempre tentar me divertir. O pessoal que trabalha nesta área geralmente é bem-humorado e, entre um abacaxi e outro, sempre surgem brincadeiras e os sorrisos ajudam a tudo ficar mais leve no fim da noite. A Hostess é aquela vendedora rápida que convence o cliente na espera que vai valer a pena aguardar a mesa e que aquele é de fato o estabelecimento que ele deve entrar. Ao mesmo tempo, também tem que ter o jogo de cintura pra lidar com as ‘carteiradas’. É comum ouvir o famoso: ‘sabe com quem você está falando?’. Sempre assertiva e sorridente, a hostess sabe se portar em todas essas possíveis e muito frequentes situações.
Victória: Nossa rotina de trabalho é muito prazerosa. Temos momentos de grande pico e estamos sempre em movimento.
Jessica: É um trabalho muito puxado e cheio de responsabilidades, mas, ao mesmo tempo, super dinâmico. A hostess acaba exercendo várias funções e nenhuma delas é entediante, todas requerem movimento e jogo de cintura. É por isso que gosto tanto!

Qual a característica que uma hostess precisa ter? O que é imprescindível para uma boa profissional?
Thayla: A hostess precisa ter a inteligência emocional que possibilite pensar rápido e com serenidade, sem perder o bom humor. Ajuda muito ser uma pessoa bem relacionada no círculo social da cidade, nesse meio em que muitos se ajudam, rola também muito puxão de tapete e inveja. Precisa ser elegante e ao mesmo tempo humilde. É interessante também ter um conhecimento em outras línguas, é muito comum recepcionar estrangeiros.
Victória: Na minha opinião, educação e simpatia. Eu me coloco sempre no lugar do cliente e imagino como gostaria de ser tratada.
Jessica: Ser simpática é fundamental nesta profissão, pois acredito que tratar as pessoas com atenção, de forma empática e alegre, já é essencial para o cliente se sentir em um ambiente profissional e de qualidade. E aí vem a assertividade, pois, mesmo que aconteçam vários problemas, ou que você esteja em um dia ruim, devemos lidar com isso da melhor maneira, procurando não perder as estribeiras!

E o salário? Vocês precisam buscar outras fontes de renda?
Thayla: Bauru ainda não é forte em relação a esse nicho. Muita gente não sabe a importância de um host e, por isso, acaba não valorizando financeiramente. Porém, esse cenário está mudando e empresas conceituadas já percebem que, quando o profissional é bom, precisa de retorno financeiro.
Victória: Como tenho 20 anos, para os meus objetivos o salário é satisfatório. Mas sempre que possível procuro novas atividades pelo principal fato de conhecimento e networking.
Jessica: Por ser um cargo relativamente novo e ainda não ser reconhecido pelos estabelecimentos da cidade, a remuneração é baixa. Porém, observo que isso vem mudando de uns meses pra cá! Alguns locais estão investindo na contratação deste serviço por perceberem que é um diferencial e que pode alavancar o serviço prestado. Logo, logo, as hostess estarão ainda mais presentes em Bauru e espero que mais valorizadas também.

Vocês trabalham em locais de lazer e entretenimento. Você também se diverte ou está 100% do tempo focada no trabalho?
Thayla: Eu me divirto muito! Em todos os locais em que já trabalhei na cidade, dei a sorte de conhecer pessoas bem humoradas que sabem que é necessária leveza pra trabalhar, enquanto as pessoas estão se divertindo. Então, acabamos nos divertindo também.
Victoria: Estar focado no trabalho é fundamental, ainda mais pela alta rotação de pessoas com que lidamos, Mas a diversão está sempre presente.
Jessica: Nestes anos de trabalho não me lembro de um dia que meu trabalho não tenha sido divertido. Logicamente que trabalhar no período noturno, nos finais de semana e lidar com público extremamente variável não é uma tarefa fácil e traz muito cansaço. Porém, por outro lado, o ambiente noturno me anima por trazer música, descontração e muita risada! Tive sorte de trabalhar com pessoas com alto-astral e de fazer muitas amizades, até mesmo com clientes! Acho que isso já diz muita coisa sobre a diversão que é trabalhar como hostess.

Tem alguma história engraçada pra contar?
Thayla: Sim, uma vez um cliente foi duas vezes na noite e no mesmo restaurante, com duas namoradas diferentes, quando fui abrir o cadastro da comanda pela segunda vez, o sistema detectou que a primeira comanda ainda não havia sido finalizada. Dá pra imaginar que rolou uma D.R no jantar, né? Já participei de pedidos de namoro, noivados, comemorações, despedidas, e incontáveis aniversários. Fiz grandes amigos assim.
Victória: Sempre têm pessoas que bebem além da conta e já recebi convites para sentar junto, cantadas. Na hora de fazer o cadastro, temos que pedir o telefone e tem cliente que já falou ‘agora você passa o seu’. Clientes que querem pagar bebidas e que se esquecem que estamos trabalhando. Alguns até ficam bravos quando não aceitamos. Mas também já vivi algumas histórias engraçadas.
Jessica: Muitas vezes, a galera combina o ‘rolê’, aniversários, comemorações, no lugar que estou trabalhando e acabo aproveitando da companhia deles, passando de vez em quando na mesa e usando a pausa para conversar. E mesmo quando não estou trabalhando durante a semana, opto, na maioria das vezes, por frequentar os lugares que trabalho. Então não é estranho acontecer de algum cliente me abordar perguntando: ‘moça tem mesa pra dois’? (risos).

Já sofreu algum tipo de preconceito por ser hostess?
Thayla: O preconceito é velado. Já escutei comentários negativos de pessoas que não entendem a importância da função e o quanto é necessário competência e dedicação pra ser uma Hostess de qualidade. Mas assim como tudo que passamos na nossa rotina, a melhor solução é sorrir, acenar e seguir em frente.
Victória: Não, acho que não tem motivo para isso acontecer.
Jessica: É uma profissão muito subestimada porque as pessoas acreditam que só estamos ali para sorrir e acenar. Além do fato de que a maioria das pessoas que trabalham na área são mulheres, então atitudes machistas e depreciativas são comuns, infelizmente. Frases do tipo: ‘isso aí todo mundo faz’, ‘você tá aí só por que é bonitinha’, ‘dá um sorrisinho pra mim’… eu já ouvi muito mais vezes do que gostaria.

Você pensa em continuar na carreira? É uma carreira que proporciona estar muito tempo na profissão ou é passageira?
Thayla: Continuar no meio de restaurantes e hospedagem está nos meus planos. Eu me formei em licenciatura em História e cursei Hotelaria, mas confesso que meu coração bate mais forte por essa loucura que é o entretenimento e lazer. Acredito que com o passar do tempo a tendência será de crescimento.
Victória: Hostess na minha concepção não é considerada uma carreira, mas uma atividade que pode ser exercida por diversas profissões. No meu caso, como relações públicas, pretendo continuar desempenhando a função não somente em bares, mas também em eventos e cerimoniais.
Jessica: Entrei no ramo com objetivo de ser freelancer. Sou psicóloga de formação, faço mestrado e pretendo seguir carreira, mas acredito que uma coisa não elimina outra. Para mim ser hostess sempre será uma boa opção de trabalho que eu gosto de fazer e que levo jeito.

Gostou da profissão e quer saber mais informações? Acesse o site http://www.neoware.com.br/sites/hostess/associacao-hostess.php

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