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Bauru, cidade lanche ou cidade sem limites, também atende pelo codinome cidade universitária, isso porque são dez universidades totalizando, aproximadamente, 30 mil alunos.

Muitos desses estudantes, deixam sua cidade natal para vir morar em terras bauruenses e precisam encarar a mudança sozinhos e se adaptar à nova vida. Com o tempo, se aprende a lidar com situações diversas de uma forma experiente, mas até isso acontecer, os universitários passam por muitos perrengues.

Conversamos com veteranos da graduação para saber curiosidades sobre a época em que eram bixos:


1- Se perder

“No terceiro dia de aula, cheguei atrasada na faculdade por causa do trabalho. Enquanto tentava encontrar minha sala, o tempo começou a ficar muito nublado e, com pressa, acabei entrando em uma sala errada. Quando entrei, não reconheci o pessoal da sala e a professora perguntou o que eu queria, apenas fechei a porta sem dar nenhuma resposta porque fiquei com muita vergonha. Então, resolvi perguntar para outras pessoas a localização da sala e do bloco. Acabei descobrindo que teria que atravessar o estacionamento para ir à sala correta e, nessa hora, já estava chovendo muito. Um veterano, ao ver meu atraso e desespero, resolveu me ajudar e ofereceu uma “carona” de guarda-chuva e me indicou a sala certa. Com certeza foi o dia em que tive mais sorte durante a faculdade!” – Natalie Alves.

2- Não se preparar e criar expectativas sobre a faculdade

“Cheguei aqui em 2008 porque, muito além da vontade de fazer faculdade, eu queria na verdade era sair de casa. E saí! Com frio na barriga, mas com uma enorme vontade de viver. No dia da matrícula pensei que moraria dentro do campus da UNESP, porém, descobri que não havia moradias e foi uma surpresa (claro, eu não havia pesquisado). Penso que sempre gostei de ser surpreendida. Na tentativa de resolver a situação, saí andando pelo campus em busca de anúncios que ofereciam quartos para alunos. Olhei apenas um anúncio e resolvi ligar para o número que estava disponível num pequeno papel escrito com caneta azul. E foi assim que tudo começou. Não pedi dinheiro no semáforo, raramente ia às festas e sim, eu era um bichinho que vivia perdido e que gostava de se perder, na luz do dia. Engraçado como experimentei a sensação de estar sozinha numa cidade que eu não conhecia ninguém, dividindo o quarto com uma desconhecida, que eu também era. A entrega fez-se necessária, eu incrivelmente confiava nas pessoas e o resultado disso era a reciprocidade. Dificuldades, alegrias, tristezas, gargalhadas, lágrimas, contentamentos, descontentamentos e aprendizados. A experiência do novo e o conhecimento que fui adquirindo me fizeram ir desabrochando para um caminho desconhecido e desejado, o da fruição. Toda e qualquer retrospectiva sobre o início de um ciclo nos fazem reviver inumeráveis momentos que por vezes nos fazem mal, nos fazem bem e às vezes não fazem nada, porque nem de tudo é possível lembrar. Guardo o que é importante, porque é desse processo que surge o agora.” – Tassia Sardão.

3- Pagar mico com os trotes dos veteranos
“Uma tradição do curso de Relações Públicas é o uso do babador pelos calouros. Eu e meus amigos, bixos de RP na época, usávamos o babador com nossos apelidos nas festas, na faculdade, no shopping e em vários outros lugares. Isso despertava curiosidade nas pessoas, muitos até perguntavam o que significava e nos parabenizavam pela aprovação no vestibular. O legal é ver que cada curso possui sua tradição e a maioria delas buscam integrar os calouros.” – Alana Gomes

4- Conhecer novos amigos
“Antes de passar no vestibular da Unesp em Bauru, eu havia conhecido duas pessoas que já cursavam engenharia mecânica aqui, curso que eu almejava há um tempo. Portanto, quando recebi a informação de que eu tinha sido aceito pelo vestibular e teria que ir fazer a matricula em Bauru em breve, fui correndo passar a notícia para estes dois amigos, que me convidaram para passar alguns dias a mais em Bauru e conhecer um pouco mais a faculdade e a cidade em si. Me despedi dos meus pais na própria faculdade e segui jornada com os novos veteranos. Nesse mesmo dia, conheci melhor o campus, os pontos mais frequentados pelos universitários na cidade, pontos de utilidade como farmácias, restaurantes e supermercados, a república que os dois amigos moravam juntos e, por último, fomos comemorar em uma outra república, apenas com o pessoal que seria meus veteranos. Me lembro deste dia como um dos melhores da faculdade, eu estava sozinho, como bixo, em meio à tantos veteranos, tudo era muito novo, e foi neste momento que caiu a ficha de que eu realmente estava entrando em uma etapa nova da minha vida. Havia muita repercussão na época sobre alguns trotes violentos que aconteceram em alguns Campus, mas todos aqui me trataram bem e com respeito, isso me deixou tranquilo. Enfim, a partir daquele dia, parte dos veteranos que eu conheci, hoje, são uns dos meus melhores amigos aqui na faculdade e o ano de bixo foi o melhor ano da minha vida, pois conheci muitas pessoas, extremamente diferentes e boas, e que algumas delas pretendo levar para o resto da vida em amizade.” – Thiago Ibanhes

5- Aceitar uma carona solidária
“Sempre ouvi dizer que ser universitário acaba unindo as pessoas e, quando virei bixete, tive certeza disso. Moro em Lençóis Paulista e quando passei em matemática, na Unesp de Bauru, precisei ir de ônibus para o campus. Para minha total surpresa, enquanto eu esperava no ponto de ônibus uma moça parou, perguntou se alguém estava indo para a Unesp e ofereceu carona! Confesso que fiquei com receio de entrar no carro de uma desconhecida, mas eu não estava sozinha e resolvi aceitar. No trajeto que fizemos, pude conhecer pessoas super legais, chegar mais rápido e ainda economizar o dinheiro da passagem. Fiquei maravilhada com a experiência e achei muito bacana essa interação que era tão nova para mim! Sei que o mundo se torna um lugar melhor quando ajudamos o nosso próximo e foi fundamental encontrar isso na faculdade desde meu primeiro dia, pois a primeira impressão que tive foi de uma faculdade cheia de amor.” – Letícia Leite

6- Querer entrar em vários projetos da faculdade
“Como Bauru tem muitas faculdades e cada uma tem vários cursos, é muito normal ficar perdido no meio do monte de ofertas de projetos da universidade, laboratórios, atlética, etc. No começo dá vontade de fazer tudo ao mesmo tempo para viver ao máximo a realidade da faculdade o quanto antes. ” – Lucas Guanaes

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