Bianca, Mayra, Gabriela e Simone representam a força feminina em Bauru
Bianca, Mayra, Gabriela e Simone representam a força feminina em Bauru

Mulher é frágil. É delicada. Precisa de proteção. Não pode trabalhar à noite. Não pode isso, não pode aquilo – não pode. Você, mulher, já não ouviu isso alguma vez? É triste, mas muitas leitoras devem ter dito ‘sim’ em pensamento agora.

Nesta terça-feira, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher, data que surgiu no final do século XIX em razão das lutas femininas por maiores e melhores condições de trabalho e de vida. Cerca de 1911 funcionárias da Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica dos Estados Unidos, entraram em greve pedindo mudanças no ambiente de trabalho. E, ainda hoje, em pleno ano de 2016, as mulheres ainda precisam ir à luta pelos mesmos motivos.

Mas, mesmo com todas as adversidades, muitas não desanimam e seguem em frente com seu propósito: o de ocupar o lugar que elas quiserem. O Social Bauru teve o prazer de conhecer quatro exemplos disso aqui em nossa cidade: Simone Charlois, Mayra Oliveira, Gabriela Oliveira e Bianca Moura, que trabalham como seguranças em festas e estabelecimentos bauruenses.

Muito mais que as princesas que desejam encontrar o príncipe encantado para viver feliz para sempre, essas bauruenses que são, sim, heroínas de verdade, só querem uma coisa: o reconhecimento.
Confira os depoimentos:

Simone Charlois, segurança há 12 anos
A oportunidade surgiu há 12 anos e acabei continuando trabalhando em festas e formaturas, como freelancer, porque o meu emprego fixo é na Fundação Casa. Em Bauru é complicado ter um contrato fixo como segurança, ainda mais sendo mulher, que tem pouco espaço na profissão. Ela é muito discriminada. Por exemplo: em uma formatura contrata-se 15 homens e duas mulheres – uma para o banheiro e outra para portaria. A discriminação já começa aí. Outro preconceito que sofro, além de ser mulher, é em relação a minha idade, já que tenho 45 anos. É triste ver um convidado me chamando de ‘tia’, de ‘vó’, batendo boca e ficando quieto quando chega um homem. No dia a dia, outra parte difícil é aguentar a falta de respeito que às vezes acontece. Já o maior benefício é por conhecer outras pessoas e fazer amizades. Apesar do cansaço físico, eu sou muito feliz.

Mayra Oliveira, segurança há 2 e 3 meses.
“Eu já fazia Krav-magá, uma defesa pessoal do exército israelense, antes de exercer a profissão de segurança. Quando decidi trabalhar como segurança, fiz o curso de defesa pessoal aqui em Bauru. Esse curso é obrigatório para qualquer pessoa que queira exercer a função de segurança, mesmo freelancer. O desgaste físico e a falta de reconhecimento das pessoas para quem nós prestamos a segurança é complicado, mas o prazer de fazer bem ao próximo, de proteger as pessoas mesmo sem conhecê-las é gratificante. A satisfação de fazer o bem é muito boa – mesmo sem o reconhecimento que merecíamos. Acho que isso nos torna alguém melhor. Reconheço que é muito mais difícil sim, para uma mulher conseguir uma vaga na área de segurança. Algumas pessoas pensam que nós não vamos ‘dar conta’ em uma situação difícil, e acabam preferindo chamar mais seguranças homens do que mulheres. Mas, na verdade, esquecem de levar em consideração o nosso currículo. Muitas mulheres são muito mais preparadas do que alguns seguranças homens. A melhor coisa do nosso trabalho é o reconhecimento. É raro, mas algumas pessoas a quem prestamos os nossos serviços nos elogiam e nos agradecem. É muito bom.”

Bianca Moura, segurança há dois anos.
“Para exercer a profissão, eu também passei por preparo físico e hoje atuo como freelancer em festas e eventos. Confesso que a parte mais difícil é ter que saber lidar com as diversas situações, ambientes e, principalmente, com as pessoas. Mas, com certeza, o maior benefício que ela nos traz é o autoconhecimento e ter o reconhecimento daqueles que acreditam no nosso trabalho, demonstrando satisfação e credibilidade, é maravilhoso”.

Gabriela Oliveira, segurança há oito meses.
“Eu tinha amigos que já trabalhavam com isso e, como eu já treinava defesa pessoal e luta junto com eles e estava desempregada, surgiu a oportunidade. Acredito que a parte mais difícil seja lidar com pessoas embriagadas, porque a maioria não se comporta com a mesma noção de quando estão sóbrios. Geralmente, já mais pro final das festas, é quando elas começam a dar trabalho e temos mais ocorrências. Mas a melhor parte é quando as pessoas as pessoas te reconhecem como aliado e não como inimigo, como vejo em muitos casos. A função do segurança é proteger e não agredir.”

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