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Engrandecer significa ficar grande, fisicamente; aumentar, crescer; crescer em conceito, dignidade; valorizar-se. O termo remete a diversos contextos e foi pensando nisso que a jornalista Bárbara Christan, com a ajuda de um amigo, chegou à palavra “ENGRANDEÇA”.

“Eu pensei em engrandecer, e ele [amigo] falou que seria melhor um nome mais imperativo, por isso Engrandeça. A palavra remete tanto às mulheres grandes, tema da reportagem, quanto ao engrandecer pessoal, que eu proponho com meu texto, reforçando o empoderamento feminino”, explica.

Engrandeça” começou como um trabalho de conclusão de curso e vai continuar como um projeto de vida. A reportagem transmídia, ou seja, mistura de fotos, vídeos e textos, tem como objetivo atingir mulheres gordas para ajudá-las no processo de aceitação e valorização de seus corpos, além de ser uma ferramenta de luta contra a gordofobia, prenconceito contra pessoas gordas.

Em um momento de imposição de um padrão de beleza pelas mídias, Bárbara quer usar das mesmas ferramentas para empoderar mulheres, ajudá-las a se libertarem e, assim, mostrar ao mundo que todos os tipos de corpos são bonitos e que a gordofobia não faz sentido.

Júlia Eleutério participou da "Galeria do empoderamento" para o Engrandeça
Júlia Eleutério participou da “Galeria do empoderamento” para o Engrandeça

Nós conversamos com a Bárbara para saber um pouco mais sobre esse projeto lindo. Confira:

– Quando e como surgiu a ideia do Engrandeça?
A ideia do projeto surgiu quando eu estava fazendo uma disciplina do pré-projeto do TCC, Planejamento em Comunicação, que é quando você escolhe um tema e formato para o trabalho. A princípio, eu faria um documentário sobre fotografia de moda, uma extensão da minha pesquisa de iniciação científica, mas não estava muito contente com a decisão. Eu sabia que gostaria de fazer algo relacionado ao audiovisual, mas o tema não estava mais me contemplando. Um dia, em uma conversa com uma amiga, eu desabafei sobre a minha frustração com o tema, e ela me aconselhou a buscar os assuntos que eu mais gostava de estudar e escrever sobre. Como eu sempre gostei de falar sobre mulheres, principalmente por causa do feminismo, me veio à cabeça a gordofobia, que é algo que eu sempre vivi, durante a minha vida inteira. Eu percebi que falar sobre o que sempre me deixou triste e indignada ia ser a melhor coisa que eu podia fazer, para mim e para outras mulheres. Realizar o projeto em forma de reportagem transmídia me proporcionou entrar em contato com um novo tipo de jornalismo, uma vez que a narrativa transmídia mescla conteúdos textuais, audiovisuais e fotográficos. Eu pude juntar as minhas paixões em uma coisa só: fotos, vídeos e textos, e trabalhar com algo novo.

– Como você pretende atingir as mulheres com o seu projeto?
A minha intenção é que o site chegue a mulheres que odeiam seus corpos, seja ele magro ou gordo. Que elas possam entender melhor como nós estamos coagidas por uma sociedade extremamente opressora e ditadora de padrões inalcançáveis, e que tudo bem estar fora deles. Desejo também que o projeto atinja mulheres que não sofram de gordofobia, mas sim de pressão estética, para que tenham consciência de que estão dentro de uma normatização e padronização de corpos promovida pela mídia e pelo sistema capitalista. Espero que cada texto ou vídeo possa trazer o mínimo de reflexão sobre o assunto – é claro que ninguém vai amar seu corpo da noite para o dia, mas aos poucos, o discurso pode ir se tornando mais presente em cada pessoa, e isso é o que gera mudanças a longo prazo.

– Na sua opinião, qual a importância de projetos como esse?

Produtos como o meu podem ajudar pessoas a viver suas vidas com mais leveza, mais autenticidade. Ele pode aliviar dores que permanecem nelas por anos. Pode mostrar aos preconceituosos que não vamos nos cobrir, não vamos nos calar em relação à gordofobia – e a qualquer tipo de preconceito também. Mostrar resistência é o que nos permite evoluir e mudar pensamentos e ações opressoras.

– Como militante feminista, você pretende tratar de outros assuntos que cercam as mulheres ou somente a gordofobia? Por que?
Eu, pessoalmente, sempre tratarei de temas que cercam as mulheres sob a ótica feminista – vivências minhas e de outras, e claro, tendo consciência de que estou em uma posição privilegiada de mulher branca e de classe média. Mas o Engrandeça é um projeto voltado para mulheres gordas, para empoderá-las, proporcionando reflexão às magras sobre seu lugar privilegiado. Eu gostaria que esse sempre fosse o foco dele; que ele engrandeça a autoestima e aceitação do público feminino em relação ao seu corpo.

– Em seus textos você diz sobre amar o seu corpo do jeito que ele é. Para a maioria das mulheres é muito difícil. Como foi para você e como sua experiência pode ajudar outras mulheres?
Olha, não é nada fácil. Não é agora e nunca foi. É uma luta diária, interminável, cansativa, como as entrevistadas dizem na reportagem. Mas é necessária. A minha experiência foi engraçada, porque eu não consegui perceber a transição do “quero emagrecer” para “estou bem com o meu corpo”, não tem uma marcação cronológica. Eu comecei a ler muito sobre gordofobia e a perceber detalhes em mim que eu não gostava e a olhar pra eles de outro jeito, pensando em toda a estrutura que me fez acreditar a vida toda que eu era feia, que eu não podia ter estrias, que tinha que usar 38. Aos poucos, isso foi se fazendo mais presente no meu dia a dia, até na maneira com que eu encarava fotos de pessoas gordas nas redes sociais, em filmes, ou até pessoalmente. Assim, eu comecei a mostrar mais meu corpo, usar um decote que antes não usava, um cropped, uma saia mais curta. E também comecei a me portar diferente, parar de me esconder nas fotos com medo de parecer maior, ou de olhar para as pessoas na festa, e até a dançar mais! Saber mais sobre a gordofobia fez com que eu entendesse o preconceito, identificasse-o nas falas, em ações minhas e de outros, e pudesse corrigir esse comportamento – tanto é que em muitas conversas com minhas amigas pude perceber a mudança de pensamento que elas tiveram, assim como eu. Eu mudei interiormente, e isso começou a transparecer, e eu já não conseguia mais guardar isso só para mim. Por isso eu acho que a reportagem pode ajudar as pessoas: quando elas começarem a identificar as sutis manifestações de gordofobia dentro e fora de si, podem refletir e mudar seu comportamento. E quando você muda de atitude, não muda somente a si mesmo, muda também sua relação e a atitude de quem você convive.

– Qual a importância da internet para projetos como esse?

A internet possibilita uma maior visualização e leitura de projetos como esse do que se fosse impresso, por exemplo. Ela atinge um grande número de pessoas, pois hoje grande parte da população tem acesso, seja através do celular ou computador. Sem contar que, para mim, foi a melhor saída, já que não é preciso investir tanto dinheiro com a produção e divulgação do trabalho. Dessa maneira, pessoas podem chegar a mim através das redes sociais, como Facebook e Instagram, e do e-mail do site, [email protected] – a comunicação rola sem muitos gastos e é instantânea.

– Qual o seu maior objetivo com o Engrandeça?
O objetivo do Engrandeça é promover a autoaceitação e o empoderamento de mulheres gordas, mostrar que é possível ser fora do padrão e ser feliz.

– Você tem planos para o projeto no futuro? Quais?
Sim, quero continuar com o site, mas com matérias mais soltas, trazendo novas perspectivas. Quero trazer pequenas entrevistas, mais descontraídas, com as youtubers e influenciadoras gordas mais conhecidas, por exemplo.

– Se você pudesse fazer um pedido, qual seria?
Que meu site seja visto por quem realmente precisa, e que de fato promova alguma melhora para essa pessoa. Se isso acontecer com só uma pessoa, meu pedido já foi atendido!

Se você se interessou pelo “Engrandeça” fique de olho nas mídias sociais do projeto!
Site: www.engrandeca.com
Facebook: www.facebook.com/engrandeca
Instagram: www.instagram.com/engrandeca
Youtube: www.youtube.com/engrandeca

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