Durante muito tempo, o cigarro era tido como algo glamoroso. As propagandas mostravam que o ato de fumar fazia parte de uma cultura social entre pessoas consideradas “legais”. Com o tempo, os danos causados pelo cigarro foram tomando lugar na mídia e as propagandas já não eram mais permitidas.

Hoje em dia, todos têm consciência que fumar causa danos irreversíveis à saúde. Porém, o problema é que este, como os outros vícios, não são fáceis de serem deixados de lado. Por isso, é bem comum ter aquele amigo que está sempre tentando largar o vício em cigarro. Mas e você, conhece alguém que realmente parou?

Nós sim! Conversamos com dez bauruenses para saber como eles conseguiram parar de fumar e quais as dificuldades que enfrentaram. Então, se você quer largar o cigarro, confira essas histórias incríveis. Se você não fuma, espalhe os depoimentos por aí e ajude um fumante!

Augusto Lagatta

“Faz 14 dias que estou sem fumar e parei por uma consciência própria. Eu pertenço a uma geração que pegou a curva do gráfico. Vivemos toda a publicidade que dava todo o glamour ao cigarro, que colocava como algo chique e bonito. Ao mesmo tempo, pegamos o reverso quando a mídia deixou de divulgar o cigarro e começou a falar mais francamente, e a desmontar a imagem. Eu vivi os dois lados da moeda, então minha consciência pediu para eu parar de fumar e isso foi sendo amadurecido passo a passo. Eu fumava um cigarro e, no final, ficava com a culpa na consciência, o que serviu de mola para que a cada cigarro, eu quisesse parar. Eu fumava desde os 13 anos, então foram 18 anos de vício. Eu fumava um maço de cigarro por dia, isso no dia a dia. Nos dias de balada e de bar era uma maço só para o ‘rolê’. Faz pouco tempo que parei de fumar, então não sei dizer se já tive algum ganho real ou se estou passando um efeito placebo. Mas tenho mais ânimo, minha ansiedade diminuiu e o meu pique para fazer exercício melhorou. O que eu passo para quem está pensando em fumar, ainda mais para os jovens é: não entre nesse vício maldito. O vício do cigarro é triste. É um caminho sem volta e é difícil parar. O crime não compensa, não existe glamour, fumar não é legal, te deixa fedido, com mau hálito… fumar vai te matar um dia. Se vale a pena continuar tentando? Vale! Força! Você tem que ser mais forte que o cigarro e não deixar ele te vencer. Eu parei de fumar e ainda tenho um maço que fica na mesa da minha casa. Eu olho todo dia pra ele e falo: ‘não vou fumar’. Eu tento ser mais forte que o cigarro. Eu vou vencer o cigarro e não ele vai me vencer”.

Jaqueline Xavier

“Parei de fumar em 05/03/17 (quarta tentativa). O motivo foi a saúde. Sou muito ansiosa e faço tratamento. O cigarro potencializa e muito a ansiedade. Fumava desde os 14 anos e hoje tenho 37, e fumava, em média, 15 cigarros por dia. Sentia cansaço, ansiedade, mas o pior sintoma era a taquicardia muito forte. Desde que parei, não sinto estes sintomas, como o cansaço e a taquicardia. Para a ansiedade, faço tratamento psiquiátrico e, por ter parado de fumar, minha medicação para a ansiedade foi aumentada para também controlar a vontade de fumar. Vale muito a pena continuar tentando parar de fumar; a saúde não tem preço. Quando decidi parar de fumar, escrevi no maço: ‘quem é mais forte’? Agora, há três meses estou sem fumar. Passei por muitos apuros nos primeiros 20 dias. Pensei que fosse matar alguém! A mente pede, o corpo pede, mas precisamos ser resistentes em nome do bem maior, e que dinheiro nenhum compra, que é a saúde”.

Sandro Paveloski

“Parei há 40 dias. Eu não suportava mais o cheiro e decidi também mudar meu esquema de vida. Caminhava com minha cachorra e o cigarro atrapalhava muito minha rotina. Mas, acima de tudo, foi porque eu queria muito mesmo. Eu tive dois períodos de cigarro na vida – o primeiro, da adolescência até os 20 e poucos anos. Aí eu parei e fiquei 25 anos sem fumar. Por problemas particulares e ansiedade, voltei a fumar e fiquei mais quase cinco anos fumando. Nunca fui de fumar muito, um maço durava três dias às vezes. Exceto fins de semana que chegava a fumar um maço por dia. Eu sentia falta de ar e, juntando ao sedentarismo, uma completa indisposição para o exercício. Mesmo numa simples caminhada eu me sentia sem ar e sem resistência. Hoje, estou bem mais disposto. O sono não está nada bom, porque é justamente à noite que o vício em nicotina fala mais alto, graças à minha rotina de trabalho. Mas no geral, estou mais resistente, voltei a caminhar e me sinto melhor. Eu acredito que parar de fumar é uma decisão íntima e pessoal. Só existe uma fórmula – querer. Remédios ajudam, cursos, consulta com psicólogo idem. Mas o primeiro passo é dizer: ‘eu quero’. O resto é muleta. Muletas ótimas, pois cada pessoa tem uma forma de ver a vida e de encarar seu próprio vício. Mas sempre começa com um ‘eu quero’ bem forte, estruturado e consciente. Assim, vale sempre continuar tentando, quantas vezes forem necessárias! Mas gostaria também de dar um recado para as pessoas que não fumam ou são ex-fumantes e querem que alguém querido pare de fumar – não fique no pé da pessoa, não critique. Acolher e apoiar é o melhor caminho. Se ela tentar e desistir, esteja ao lado apoiando e evitando a cobrança e o julgamento. Quanto mais perguntas, quanto mais tocar no assunto, mais a vontade de fumar se aproxima. Acolher é o caminho!”

Fábio Rodrigues Mendes

“Parei de fumar no dia 6/4/08, durante o show do Ozzy Osbourne em São Paulo. O motivo foi que no dia 30/03/08, durante a festa do meu noivado, eu estava num canto sozinho fumando, quando minha mãe se aproximou de mim e disse: ‘filho, pare de fumar… por mim!’. Um detalhe é que meu pai, cinco anos antes, faleceu por causa do cigarro. Fiquei com isso martelando na cabeça por mais uma semana até que resolvi parar. Fumei dos 14 aos 35 anos, um maço por dia, quando saía nos fins de semana, fumava de dois a três maços na noite. Eu sentia muito cansaço físico, falta de ar, indisposição e as comidas não tinham muito sabor, era horrível. Hoje em dia, não suporto mais o cheiro do cigarro, me faz mal e prende minha respiração. Me irrita alguém fumando perto de mim. O que mudou hoje, depois de nove anos? Foi a melhora incrível no sabor dos alimentos e a respiração tranquila. Recomendo, de todo coração, que todas as pessoas consigam parar de fumar. É uma coisa que vai sentir no corpo, pele, bolso, e você não vai mais ficar fedendo a cinzeiro, o que é horrível. Parar de fumar, pra mim, é uma questão de opinião, sem essa de não consigo e ‘blá blá blá’. É só colocar um propósito em sua vida e ver que você é mais forte que o cigarro. Fumar não leva a nada, quer dizer, leva sim, mais rápido para um caixão”.

Sarah Bianco

“Parei de fumar há um ano e um mês. O motivo foi profissional e por vaidade! Como meu trabalho é visitar a casa das clientes, eu comecei a ficar incomodada com o cheiro do cigarro em mim. Além disso, meu namorado não fuma e de repente caiu a ficha que seria horrível se fosse ao contrário. Aí começou a vontade de parar. Fumei por 10 anos e fumava um maço por dia. Eu sentia falta de ar, falta de apetite e indisposição. Meu cabelo e a minha pele eram muito ressecados e o cheiro, por vezes, me enjoava. Desde que parei mudou tudo! Desde a minha rotina alimentar até a minha disposição. Assim que parei de fumar comecei a correr, mudei a minha alimentação, passei a ser mais vaidosa e cada dia que passa me sinto mais confiante e firme pra continuar nesse propósito. Quando resolvi parar, criei um cronograma e um plano: estipulei em quantos dias iria parar e fui reduzindo gradativamente a cada semana. Para passar pela abstinência inicial, que é mais forte, pedi um remédio ansiolítico para o meu ginecologista e com o tempo fui retirando. Por fim, inclui a corrida na minha vida e isso foi fundamental para eu continuar firme e sem recaídas, pois fui adquirindo resultados fantásticos com esse esporte e isso me motivou a ‘não perder’ o que tinha conquistado. Para quem quer deixar de fumar ou já deixou, mas vive tendo recaídas: fique firme! A vontade dura minutinhos, mas os resultados duram uma vida inteira. Crie uma recompensa ao parar de fumar para que a rotina fique mais fácil e você não caia em tentação”.

Rogério Chaves

“Parei de fumar há dois anos por causa dos meus filhos, que tanto que ‘atormentavam’ para parar. Fumei por mais de 35 anos e o prejuízo que eu sentia era o cansaço; não conseguia andar muito que já cansava. Desde que parei de fumar, o meu fôlego melhorou muito, porém acabei engordando e hoje faço caminhada para emagrecer. Para quem está tentando parar tem que ter muita força de vontade. Eu não parei sozinho, fui a um médico e tomei um remédio que me ajudou. Sabia que sozinho não ia parar. Mesmo assim, não foi fácil. Tem que ter muita força de vontade”.

Maria Helena da Costa

“Parei de fumar há seis anos por vontade própria. Fumei mais ou menos durante 25 anos, na gravidez e depois voltei. Normalmente, eu fumava um maço por dia. Por conta do cigarro, eu era muito magra, não tinha fome, tinha a pele envelhecida e a voz muito rouca e cansada. Muitas coisas mudaram depois que eu parei: a voz e a pele são mais bonitas; agora o cheiro da minha pele é outro! Até dentro da minha casa é perfumado. As comidas e as frutas têm outros sabores. É tudo diferente. Não é fácil; se fosse, todos fumantes parariam. Eu me apeguei a fundo na religião, nas orações e consegui. Para mim foi um êxito, pois em casa, meus filhos, meu genro e minha nora não fumam e eu ficava incomodada em fumar perto deles. Mas graças a Deus eu parei. Meu marido ainda fumou mais oito meses além de mim. Depois, ele fez uma cirurgia no pulmão e também parou. Hoje, até nisso combinamos. Para quem está tentando parar, força a todos. Um detalhe – quando der vontade de fumar, tome água”.

Maria Cristina D’Incao

“Parei de fumar em 2014. Eu estava cansada de fumar e precisava começar a pensar que no futuro seria mãe e o ideal seria parar de fumar. Fumei desde os 14 anos, parava algumas vezes e acabava voltando. Eu estava fumando dois maços por dia e sentia vários prejuízos como cansaço, não conseguia fazer nenhum exercício direito. Desde que parei, tudo mudou – disposição, a pele é muito mais saudável, o humor é outro. Não é fácil parar de fumar e requer muita força de vontade. Eu, no caso, coloquei uma data e disse a mim mesma que iria parar de fumar na data que marquei. Chegou o dia e parei definitivamente. Mesmo meu marido fumando, permaneci forte. O difícil foi só os primeiros três dias. Por isso digo: resista, procure outras coisas que te façam esquecer o cigarro. Tenho certeza que, passando pelas primeiras semanas, perceberá que não precisa do cigarro para sobreviver”.

Márcio Lanzarini

“Fumei ininterrupta e compulsivamente (em média, três maços por dia) dos 14 aos 33 anos. Hoje tenho 37. Parei de fumar pois, além do gasto mensal absurdo, ainda senti que estava afetando muito minha voz e, como trabalho com música, decidi parar. Eu sentia falta de ar, rouquidão, dores de cabeça (aquele incômodo na nuca, tipo ressaca de cigarro mesmo), além do grande prejuízo financeiro. Desde que parei, a disposição, a respiração, o hálito – sem cheiro eterno de cinzeiro – e o apetite mudaram. Além da melhora na voz (fundamental para o meu trabalho) e ainda gasto infinitamente menos grana com minha autodestruição. Vale muito a pena continuar tentando! Não é fácil, mas também não é impossível. Basta tomar a decisão e fazer o máximo pra mantê-la. E para quem está passando por isso, não se culpe caso, vez ou outra, você pegar um cigarro. Acontece mesmo, só não se permita voltar com tudo. Ainda hoje, após quatro anos da minha ‘parada’, vez ou outra compro um maço de algum cigarro de menta (evito os que eu mais gostava) e detono ele no mesmo dia ou dou para alguém; jogo fora o que sobrou. Sei que não é o indicado, mas digamos que é uma forma de gerenciamento da vontade, para que ela não se acumule e eu mergulhe de cabeça em um maço de Marlboro num futuro nem tão distante”.

Felipe Araújo

“Não fumo há três anos e meio. Eu já estava com vontade de parar e um dia, conversando com a minha namorada e meu amigo, fizemos uma aposta: eu ficaria seis meses sem fumar e, se perdesse, teria que pagar uma caixa de cerveja para os dois. No final, não paguei caixa nenhuma. Fumei por cinco anos, mas nunca cheguei a fumar um maço por dia, minha média era um maço a cada dois dias. Eu sentia falta de ar, principalmente quando ia fazer algum exercício ou algum esporte; cansava muito rápido. Agora, sinto minha respiração mais pura (antigamente, eu não tinha muito cheiro e nem percebia o cheiro de fumaça que ficava no meu carro). Não sinto mais falta de ar nem canso como antes, mas acho que a principal mudança foi mesmo o cheiro. Hoje, odeio o cheiro e nem gosto muito de ficar perto. O que eu posso dizer é que vale a pena. É difícil no começo, mas depois de um tempo, a diferença começa e você vê que compensa mesmo ficar sem”.

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