É de conhecimento geral que Bauru é uma terra de muitos talentos em diversas áreas artísticas e o Rap é uma delas. O gênero musical faz parte de um dos pilares do Hip-Hop e o nome é atribuído aos termos ritmo e poesia. Os músicos são conhecidos como rapers ou MCs, sigla que significa master of ceremony, do inglês, mestre de cerimônias.

Essa matéria surgiu da vontade de conhecer mais sobre os bauruenses que movimentam a cena do Rap na cidade. Por isso, fomos conversar com alguns deles para saber um pouco mais sobre a história e os trabalhos que estão fazendo.

Betin MC

“Eu sou de Guaianases, São Paulo, e comecei a desenvolver rimas desde muito cedo. O meu primeiro trabalho foi lançado em 2013, com o CD ‘Chá de Mente’. Dois anos depois, em 2015, lancei o ‘Espírito Ativo’. Neste ano, lancei um CD duplo com produção total do MoonhBeat’s, irmão e BeatMaker, intitulado ‘Universo’. O lançamento desse último CD será no dia 15 de setembro, no Jack Music Pub. Minha inspiração para escrever vem de tudo. Do mal e do bem; da história de tudo; das teorias lançadas; da verdade quem seria. Sempre gosto de lembrar que somos seres humanos e, como tal, temos que zelar por isso. Seres humanos… seres humanos? Penso como um poeta e ajo como cidadão. Temos que sair da mesmice e da burrice, do marasmo acumulado. Acredito que nosso problema é mais mental do que financeiro ou social. Por aí vai… (risos) As músicas falam por elas”.

Estrofe MC

“Eu nasci em Bauru e sou MC há muito tempo. Mas oficialmente há uns quatro ou cinco anos, mais ou menos. Eu sempre quis ser MC. Minha inspiração vem da vida, da fé, das vivências, dos estudos, enfim, de aprendizados. Sempre gostei de falar de Deus e de fé. Porém, ultimamente, se faz necessário abordar outros temas, devido minhas experiências pessoais com a vida e com o mundo. Hip Hop, pra mim, significa resistência, um lugar onde quem se identifica pode ser quem é, protestar, ou tão simplesmente, se expressar. Além de ser um salva-vidas, o Hip Hop também é um estilo de vida. Tenho muitos planos e para o rap, já tenho algumas letras do próximo CD prontas e um som do CD ‘Guerra é Guerra’ também será lançado no Youtube.”

Gabriel Lou

“Eu vim pra Bauru em 2013. Comecei a compor bastante em 2010. Desde 2015 fazia apresentações, mas meu primeiro lançamento foi em 2017. Sempre quis fazer música, mas o Rap era a tendência mais forte e dominante em mim. Eu percebi que era MC desde sempre e só não tinha admitido isso! (risos) Eu me inspirei muito no som dos meus amigos inicialmente. Tanto nos que cantam ao meu lado, quanto nas ‘bancas fechadas’ com a gente. No Rap Nacional, busco absorver o que cada artista tem de melhor. Gosto muito de Síntese, Makalister, Froid e ouço muito Raffa Moreira também! No cenário internacional, gosto de Kendrick Lamar, Lil Peep, Migos, 6lack e mais uma lista bem diversa de estilos. Eu gosto de falar das reflexões e sentimentos mais intensos que tomam conta de mim e parecem me impedir de viver. Então eu busco alguma solução, alguma forma de encontrar um norte pra seguir. A cultura Hip Hop me remete a uma luz para aqueles que se sentiram incapazes e insatisfeitos com a forma de vida imposta pelo cotidiano da sociedade. Aqueles que enxergaram a necessidade de uma postura mais subversa para buscar melhoria na vida das pessoas. É incrível, eu nem sei o que dizer. Talvez o maior fenômeno de mudança de vida que nossa sociedade possa ver. E, claro, tenho muitos planos! Ainda esse semestre sai o meu EP, “trampo” colaborativo com o Noslen. Também venho me dedicando bastante à produção musical e produzindo o EP do Cotrim, Padilhas, Kaito e todos da minha banca FRENESI. Ano que vem dou início à faculdade de produção musical”.

Noslen

“Sou MC há um pouco mais de quatro anos; comecei no primeiro semestre de 2013. Eu sempre gostei muito de música e quis trabalhar com algo relacionado, mas só me descobri como MC em 2013 mesmo. A inspiração para minhas músicas vem de tudo que me rodeia, das pessoas que eu converso, das músicas que eu ouço, das coisas que vivo, etc. Aprendi que a diferença de um poeta para as outras pessoas é que ele consegue tirar alguma inspiração nas coisas que parecem ser as mais simples. Procuro ser versátil, mas admito que nos últimos tempos meus sons estão vindo com uma pegada mais “sujeira”. O que a cultura hip-hop significa pra mim? Sinceramente? Nunca parei pra pensar nesse tipo de pergunta… Acho até que não podemos dar significado pro Hip Hop, pois ele é maior do que nós, seus significados e seus motivos para existir são muito maiores. Meus planos são de crescer com o meu coletivo, viajar o Brasil e o mundo fazendo o que eu gosto e que se tornou o sonho da minha vida. Quero poder cativar o máximo de pessoas que eu puder”.

Renegados MC

“Tudo começou há três anos, em Bauru, com o sonho de três meninos que eram praticamente imaturos e tinham apenas um sonho de escrever e cantar. Mael era MC de batalha, Thomas tinha um grupo de Rap (Artigo rap) e Cawan dava seus primeiros passos no Rap. Mael deu um salve no Thomas e no Cawan e formaram o grupo Renegados Mcs. Hoje com um amadurecimento maior na cultura é possível perceber que passou de sonho para uma luta e até mesmo um oficio. Sempre quisemos ser MCs, porém a cultura Hip Hop e a Casa do Hip Hop proporcionaram outros caminhos, por exemplo, o de DJ, do break e do grafite, entre outros. Nossa inspiração vem muito além do Rap: o Cawan sempre tocou bateria na igreja e sempre esteve envolvido com música; o Thomas já teve um grupo de rock onde tocava violão e o Mael é beatmaker, ele faz as batidas (instrumentais) para o grupo. Então ouvimos de tudo: jazz, samba, reggae, raps gringos (trap), blues, mpb e até mesmo rock. Mas a inspiração também está no dia a dia e em cada quebrada, no cotidiano que passamos, nos sentimentos dentro de casa, na rua ou em outros locais. Sempre passando a realidade. Falamos sempre de temas que mais nos afligem, seja ele espiritual ou social. Rap sempre foi um discurso político, uma mudança e sempre gostamos de fazer mudança nas pessoas, na forma de pensar ou de agir, mostrar o ‘lado B’ de um caminho para um moleque de quebrada que está acostumado com polícia oprimindo, drogas, ostentação e que até acha tudo isso normal. Gostamos de falar de temas imprevisíveis, nos quais ninguém está preparado para ouvir ou entender. Hip Hop é a união de quatro elementos, então nós somos a união. União é uma família, Hip Hop é família, não é playground para brincar ou somente algo para se divertir ou se distrair, é um estilo de vida, um movimento, algo de mudança. Para o futuro, queremos trabalhar em projetos de CD, em acústicos e em shows. É interessante também dizer que mais pra frente, queremos dar aulas de Rap nas escolas, explicando a cultura. Queremos sempre progredir, jamais desistir dos sonhos”.

Subverbal

“O Subverbal surgiu com o Jonatas Santos Pereira da Silva Santos (JS) e com o Lucas Lincoln Furuta Aguiar (LK), em primeiro de janeiro de 2013. Somos amigos de infância e nos encontramos depois do Lucas ter voltado de Diadema onde passou a infância. Nós fazíamos rimas muito antes de fundar o Subverbal. Nós dois tivemos o sonho de se tornar jogadores de futebol, coisa de moleque, mas o que prevaleceu mesmo foi a carreira musical, que começamos a seguir com profissionalismo aos 15 anos de idade, quando formamos o grupo Subverbal. Nós tiramos as inspirações de tudo aquilo que estamos sentindo no momento, de alguma vivência, um acontecido que mexeu com o social ou até mesmo com o íntimo, o pessoal. A cultura Hip Hop significa muito pra nós, pois além de ser ferramenta para salvar vidas, foi esta cultura que nos salvou e eu fico feliz em vê-la se expandindo cada vez mais no Brasil. Em dezembro, estamos mudando para Diadema, ABC da capital paulista, para dar continuidade em nosso segundo álbum”.

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