O apito do árbitro poderia ser como o do trem da Noroeste, que anuncia uma nova viagem, rever parentes, andar nos trilhos, ver paisagens, bois e vacas que parecem miragens, a imponência de um veículo arrebatador, forte, invencível, assim, poder-se-ia falar do Esporte Clube Noroeste nos idos cinquentas, sessentas, setentas, o Norusca deveria ser de Minas Gerais, porque era o Trem! Naquele remoto mil novecentos e setenta e quatro, assisti a Noroeste e Portuguesa Santista , um insistente empate sem gols, oxo (lê-se ocho), como diria, Walter Abrahão, ou “a mais indesejável das virgindades”, como vociferou Nélson Rodrigues!

Sim, minha estreia no Estádio Alfredo de Castilho, o templo sagrado dos alvirrubros, foi um empate sem gols, mas vi um craque, entre muitos, Lorico, envergado, parecia-me que iria cair, entretanto e entre poucos, tratava a bola com carinho, que Norusca! Que bom torcer para o Norusca!

A saga de um torcedor do Esporte Clube Noroeste não é fácil, Mestre Leonardo de Brito costuma dizer, entre sambas e cervejas, “Entender de futebol é fácil, difícil é entender de Noroeste!” Sim, pernambucano jornalista e, agora, pai duas vezes, avô de Miguel Brito, como entender esse ioiô de outrora? O sobe e desce rendeu ao Norusca esse apelido de ioiô do futebol paulista!

Coração de Noroestino não bate, apanha, experimente ser Noroeste sem polêmica, não existirá o seu ser!

Sábado de carnaval de 1979, vi Lela fazer o gol “Urucubaca” no Corinthians de Sócrates, aliás o time de Parque São Jorge é um freguês eterno do Alvirrubro bauruense!

Sábado de carnaval de 2006, vi meu amigo Celso Zinly, morrer de infarto em um embate com o Palmeiras!

Isso é Esporte Clube Noroeste, uma antítese, capaz de produzir campeões mundiais interclubes, como Edilson Guimarães Baroni, o Baroninho, e capaz de minguar na Série B do Paulisteca de 2015!

Noroeste vira jogo contra o Botinha de Ribeirão Preto do Professor Amir, do Prevê Objetivo, gênio da História Geral e do Brasil, perdia por 4×1 e virou para 5×4, só para fortes, só para Noroestinos de verdade como Pavanello, Cláudio Amantini, Vanderlei da Costa Valério , Jorge Eduardo Campos, Luiz Tota Antônio Rodrigues, Tom Armani, Edmilson Queiroz, Reynaldo Grava, Ricardo Coube, Samuel Ferro, Duda Trevizani, José Carlos Marques, Luiz Nicola, pessoas que insistem em torcer pelo Norusca!

Neste setembro, o Esporte Clube Noroeste completa 107 anos, 1 de Roque de Luiz Carlos, João Marcos, de Sílvio Luiz, de Evandro, de Geraldo, de André Luiz, 10 de Zeola, de Vadinho, de Edson Vieira, de Lenilson, 7 de Zé Carlos Coelho, de Varlei, de Lela, de Roger Lisboa, de João “Fumacinha” Luís, de Rodrigo Tiuí!

E nesse aniversário, há o que comemorar? Alguém lembrou? 107 primaveras? Sim, com rosas e espinhos, esse é o Norusca, com uma nova mente na administração, Estevan Pegoraro e Reinaldo e Rodrigo Mandalitti, salvadores da pátria alvirrubra! A cidade apoia? Não, a cidade não tem Esporte, o Noroeste não é Clube e a estrada Noroeste está fora dos trilhos, então, existe o Esporte Clube Noroeste?

Sim, Noroeste é mais forte, sobrevive, tal qual Fênix, ressurge das cinzas, a cidade de Bauru precisa amar o Norusca, que defino como: “Paixão de poucos, torcida de alguns, polêmica de todos!” Noroeste, Te amo, com próclise, pois foi antes de mim mesmo, Amo-te com ênclise, pois amarei até depois! E Amar-te-ei com mesóclise, pois o meio justifica esse fim que nunca chegará!” Avante, Esporte Clube Noroeste!

Professor Sinuhe, torcendo e distorcendo o amor pelo Norusca!

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