Foto: Muhammed Muheisen

“Essas crianças de hoje em dia” é uma frase bem comum atualmente. E de fato, as crianças de hoje não se comportam como antes, sobretudo, quando falamos em brincadeiras. As bonecas, os carrinhos de corrida e os jogos como quebra-cabeça e da memória, agora, ficam a um toque de distância. Todos os brinquedos se resumem a aplicativos, desocupando espaço nas prateleiras e ocupando o tempo das crianças.

Quem viveu a infância nos anos 90, 80 e até 70 já reproduziu a afirmativa “a minha infância foi a melhor” e, de fato, talvez tenha sido. Juntar os amigos, brincar descalço na rua, suar e gastar energia são verbos raros nas infâncias da “geração tecnologia”. E como recordar é viver, fizemos uma sessão nostalgia para celebrar o Dia das Crianças, e conversamos com alguns bauruenses que relembraram as brincadeiras preferidas de antigamente.

Bruna Novelli

“Eu fui uma criança bem tranquila. Era obediente, educada e também muito tímida (bem diferente de hoje). Não sei ao certo quando e nem o motivo que me fez perder a timidez, mas quando criança, eu era bem o tipo que se escondia atrás da mãe, a usando de “escudo-anti-pessoas”. Tinha muita vergonha de interagir, principalmente com quem eu acabava de conhecer. Eu sempre fui muito imaginativa, então gostava de criar histórias para brincar com a minha irmã. A gente chegava da escola, almoçava e depois ia para uma edícula que tinha no quintal de casa, com cômodos cheios de brinquedos. Era o paraíso. Eu criava um cenário na minha cabeça, um roteiro e o desenvolvimento dos personagens das histórias que a gente ia brincar. Juntávamos tudo o que precisávamos, montávamos nosso cenário e começávamos a entrar em casas mal-assombradas, praias paradisíacas e desertos inabitáveis. A tarde passava e a gente nem via. Era mágico. Tenho muita saudade da minha infância. Por muitas vezes eu me pego em uma espécie de teletransporte, e quando percebo, estou de volta à minha primeira casa. Ela ficava no centro da cidade, era simples, mas muito rica de histórias e principalmente das minhas próprias histórias. Por isso, a infância hoje para mim é sinônimo de LUGAR. Um lugar seguro, onde eu não precisava me preocupar com absolutamente nada. Um lugar onde eu tinha minha mãe, meu pai e meus avós por perto. Um lugar que, quando era dezembro, tinha um velhinho, que eu nunca o via, mas sabia que ele vinha de longe, só para deixar um presente debaixo de um pinheiro, que eu enfeitava com bolas espelhadas, na companhia de minha mãe. Lembro também de um um coelho, que inclusive, eu também nunca cheguei a ver, mas ele levava um chocolate bem gostoso para debaixo da minha cama, sem falta, todo mês de abril.
A minha infância, hoje é significado de um cantinho aconchegante, cheio de inocência e boas memórias que eu, vez por outra, faço uma visita para recarregar as energias. Eu vou até lá, coloco um pouco daquela magia em pozinho nos bolsos, a levo para vida de gente grande, espalho no meu caminho e magicamente tudo fica mais leve.”

Rafael Botta

Eu fui uma criança muito quieta e eu era bem tímido. Isso só mudou quando eu tinha 12 anos, quando minha mãe me colocou para fazer teatro. A minha brincadeira favorita era bets, como é conhecida em Bauru. A gente colocava duas latinhas de óleo – quando o óleo ainda era vendido em latinhas – e brincávamos em duplas. Era muito legal porque a gente socializava com crianças de outras idades, diferentemente de hoje que as crianças estão voltadas ao mundo virtual. Outro ponto é que a gente ocupava a rua, porque era tranquilo. Hoje, por questão de segurança, as mães acabam até privando isso. Sim, tenho muitas saudades de algumas coisas da infãncia: do cheiro de algumas coisas, do gosto de outras… Embora eu tenha saudade, eu sei que tive uma infância saudável e a gente mata a saudade comendo o bolo favorito da mãe e os doces! (risos).

Elis Andrade

“Olha, eu sempre fui muito agitada e, por isso, gostava muito de brincadeiras dinâmicas. Quando ia em alguma festinha e tinha caça ao tesouro, eu ficava realizada. Era uma das brincadeiras que eu mais gostava porque reunia várias crianças, era divertido decifrar e procurar as pistas até chegar no tesouro. Era um grande desafio! (Risos)
E lembrando desta época, com certeza sinto saudades, foi uma fase muito gostosa que deixou muitas lembranças boas. É como diz a musica: ‘É que a gente quer crescer e quando cresce quer voltar do início.’ (Kell Smith)”

Juliana Siqueira

Eu sempre fui uma criança muito tranquila e quieta. Na infância, as brincadeiras que eu mais gostava eram a de casinha, Lego e de mexer com a terra no quintal da minha casa e na escolinha. Eu gostava de brincar de terra porque era refrescante e relaxante; já a brincadeira de casinha era legal porque eu sempre gostei de cozinhar e, quando chovia, o Lego era a opção! Mas, apesar de ter boas recordações, eu não eu não sinto saudade da infância. Crescer faz parte da vida.”

Fernanda Laborda

“Eu era super quieta e tímida, e amava brincar de escolinha e de loja. Quando a brincadeira era de escolinha, eu ficava muitas horas dando aula pros alunos imaginários, tinha até ma lousa na varanda de casa, onde eu ficava escrevendo e explicando! Já quando era de loja que eu brincava, eu pegava todas minhas roupinhas e montava na sala de casa como se fosse uma loja. Inclusive, tinha muitas clientes imaginárias! (risos). Acho que eu gostava destas brincadeiras porque, como eu era tímida, eram brincadeiras que eu conseguia brincar sozinha! Apesar que a minha melhor amiga também amava essas duas brincadeiras e sempre brincávamos juntas! Tenho saudade sim, eu tenho saudade dos momentos da minha infância na casa dos meus avós, que já faleceram, sinto até o cheiro da casa deles; de quando os primos se reuniam; da mangueira que tinha no quintal e na horta do meu avô! Ai que tempo bom!

Amanda Correa

“Eu era uma criança quieta e tímida! Mas depois que fazia amizade eu me soltava! Sempre gostei de brincar de correr, pega-pega, esconde-esconde e ‘lutinha’. Eu gostava porque envolvia muitas crianças da rua, é era muito divertido! Sinto falta da infância e uma pena que as crianças hoje não tenham estímulo e segurança o suficiente para brincar na rua! Quem brincou na rua teve infância! Essa moça geração infelizmente não sabe o que é isso!”

Fabio Toledo

“Fui uma criança quieta, mesmo andando com um pessoal mais agitado. Eu gostava de jogar futebol mesmo. Onde eu morava não tinha tanto movimento na rua, então eu jogava em frente de casa, ou em uma quadra que tinha por perto. Gostava porque morava em uma cidade que eu não conhecia ninguém quando cheguei, aí jogando bola conhecia pessoas da minha idade que eu não tinha contato na escola, por exemplo. Mas também gostava de jogar bola sozinho, me imaginando na pele de algum craque mundial. Tenho saudades da falta de obrigação da infância. Ou de obrigações bem menores da infância. Acho que isso já é suficiente pra sentir falta.”

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