Homenagem ao Dia dos Professores

A “folhinha”, que é calendário, mente a contrariar que os números não mentem, pois setembro é nove, outubro é oito, novembro é onze e dezembro é doze!

O décimo mês assusta-nos que o tempo passa, o tempo voa mais que a extinta poupança Bamerindus que não continua e nem é boa em tempos TEMERosos!

A dona de casa, um ser em extinção, que mora em apartamento, condomínio, sem domínio, palafita, casebre, residência, mansão, barraco, assusta-se ao chegar ao supermercado e ver, de novo, panetones, então é Natal, ainda não, Simone!

É outubro, é outubro ou nada, para o vestibulando, neologismo ingrato de quem espera e se desespera, o Enem vem aí! É Outubro Rosa para as Amigas do Peito, grupo que conscientiza, ensina, previne em nome de todos, avisa sem alarde, ensina o que pode ser sina e assina com respeito a todo peito, antítese dos governantes que mamam em qualquer mama e nem repeitam Gal Costa e a “dona das divinas tetas!”. Câncer de Mama, coisa seríssima, não podia chamar Câncer de Madrasta, claro que há as boadrastas, mas logo Mama?

No entanto, o Outubro também é do professor, da professora, seres humanos a todos os anos, soberanos, decanos, enganos, alegremente tristes ou tristemente felizes, quem são esses seres?

Leciono há trinta anos e vi um pouco de muito, agradeço minha carreira a Gilberto Aparecido dos Santos, o Giba, a José Carlos Marques, a Dudu Ranieri, a Duda Trevizani, a Nélson Azevedo Brochado, a José Rafael Mazoni, à Élida Farias, à minha esposa que obrigava a preparar aulas, são pessoas que marcaram meu início, meio e quiçá, fim!

Mas, todo ano, pergunto-me: “Por que sou professor?”. Falam que se ganha mal, cria-se o filho dos outros, toleram-se os pais, obedece-se a coordenadores, admite-se todo dia uma possível demissão do diretor, comenta-se o social do capital, afinal e, talvez, sem final, por que ser professor?

Porque não há nenhum creme que se rejuvenesça mais que o aluno, não há desafio maior que tentar ser acompanhante em tempos tão solitários, não há abraço mais sincero, pois é raro, não existe lousa mais fotografada que qualquer ídolo, modelo ou popstar, nunca uma antítese, ou seja o velho e o novo, foi tão metáfora, nunca o giz ficou tanto por um triz, nunca uma lousa quis ser tanto a melhor cousa, nunca uma aula virou, às vezes e tanto, jaula, nunca o sinal foi tanto de alerta, nunca se quis outrora terceirizar aquele que pensa ser o primeiro, nem que seja por um segundo! Odeio amar o que faço, mas fui contaminado por um vírus incurável, tive os surtos desde pequeno, fui aluno de Dona Rodes, Dona Jacy, Dona Tomiko, Dona Leontina, vendia rapadura e minha única freguesa era minha professora Inês, fui para Santos e Dona Míriam me fez cantar o Hino Nacional até aprender, fui aluno da Dona Zilá que nunca me deu nota “A”, resistiu e deu-me B++, fui aluno de Dona Renê Ramos, é outra História!

Fui aluno de Luiz Vítor Martinello e também “inaugurei Iracema”, fui aluno de José Humberto Santana e vi que se tirava zero e não se era nulo, fui aluno de Carlão Fernandes Leite, fui discípulo de José Marta Filho e aprendi a Boatemática, fui aluno de Tonho, Sandra Burneiko, esposa do Meira, um dos meus ídolos, fui aluno de Sérgio Lhamas, fui aluno de Hélio Requena, fui aluno de Maria Negrão, fui aluno de Cleide Rapucci, de Márcia Zamboni, de Irmã Jacinta, de Darvino Côncer, de Adenil Alfeu Domingues e queria ser o quê? Professor! Sou um professor – confessor!

E quando você, tal qual um monge, um padre, larga o mundo dos mortais, para ser professor, você conhece os caros e raros: Antônio Carlos Meira, Sônia Mozer, Rubens Benini, Tico, Adenir Souto, Wagner Gonçalves Teixeira, Toninho Schiavianato, Ronaldo Gatti, Sica, Robinson Gargamel Belé, Paulinho César Campos, Alex Siqueira, Rodrigo Andreolli, Lealdo Biga Filho, Antônio Tuco, Maurício Quagliato! Epitáfios um dia? Talvez! Esquecíveis? Não, para quem ao copiar a matéria, sabia que a aula tinha o além da alma, e, que bem antes, das redes sociais, o professor foi fisgado e o aluno, percebendo ou não, compartilhou o único momento de alguém único e, quiçá, último que partilha com, #repartiu! Sou Professor, obrigado!

Professor Sinuhe Daniel Preto, esperando o sinal!

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