Foto: Reuters/ Steve Marcus

Duas ou três semanas atrás, em artigo escrito para esta coluna, relatava o privilégio de visitar a cidade de Las Vegas, localizada no estado americano de Nevada, sudoeste dos Estados Unidos.

No artigo pude narrar parte da experiência vivida naquela cidade, considerada como a Capital Mundial do Entretenimento. Tratei de percepções que tive com relação àquela emblemática urbe, quer pela maravilha das construções e jardins, quer pelo requinte dos interiores de hotéis, shopping centers e cassinos. Constatei, também, a tristeza proporcionada por jogadores contumazes apostos, quase sempre derrotados pelas máquinas e mesas de jogos. Também não podem ser esquecidos os mendigos sentados às calçadas pedindo um trocado.

No entanto, o pior de tudo estava por acontecer. No dia dois de outubro, um domingo, registrou-se um tiroteio em massa em Las Vegas, considerado o maior da história americana. O resultado apontou cinquenta e oito mortos e mais de quinhentos feridos.

Tanto o Mandalay Bay Cassino e Hotel, onde o atirador estava postado, como o local da concentração de pessoas que assistiam o último dia do festival country, ficam na Las Vegas Boulevard, a famosa Strip. Eram 22h08min, no horário de Las Vegas, 2h08min, no horário de Brasília, quando teve início, durante o show do cantor Jason Aldean, as rajadas de tiros de fuzis covardemente efetuadas por Stephen Paddock, de 64 anos, contra uma multidão indefesa.
As notícias que rapidamente percorreram as mídias de todo o mundo quase me fizeram congelar. Afinal, há apenas poucos dias antes estivera muito próximo do local, por diversas vezes, junto com a minha família e um grupo de amigos.

Mas por que Paddock escolhera o dia dois de outubro e não alguns dias antes, ou mesmo depois? Será que ele tinha realmente planejado que fosse durante o festival? Afinal, se pensava em atingir uma multidão, não seria necessário esperar este evento, pois a Strip fica lotada de turistas todos os dias e é cheia de eventos, como o bailar das águas do Bellagio.

O que teria passado pela cabeça deste aposentado de classe média, vítima e alimentador do sistema, já que era um jogador contumaz? Por que matar dezenas de pessoas inocentes, que ali estavam somente para passear e se divertir? Aparentemente, não há nenhum aspecto fundamentalista associado ao assassino.

Ainda chocado e atônito com a ocorrência, pensei se por acaso não teria cruzado com Paddock pelas calçadas, hotéis e cassinos de Las Vegas. Quem sabe ele estivesse por lá planejando seu ato bestial.

Ainda não se sabe quais as verdadeiras motivações de Paddock. Porém, algumas perguntas aguardam respostas, por parte de autoridades americanas, sobre o ocorrido. O que levou Paddock a realizar tal ato de insanidade?
O acesso a hotéis, shopping centers e cassinos em Las Vegas é totalmente livre e as atividades decorrentes se dão em espaços contíguos, dificultando a verificação da presença de armas por parte dos frequentadores. Paddock poderia estar alojado em diversos outros hotéis que teria, facilmente, uma grande multidão para ser escolhida como vítima.

O que está acontecendo com este mundo no qual vivemos? Na segunda metade do século passado, tínhamos a impressão de que o mundo caminhava em busca da unidade entre os povos. Vários fatos assim apontavam: a queda do muro de Berlim e unificação das Alemanhas; a criação da União Europeia, uma união econômica e política de 28 Estados-membros independentes; a falência do comunismo; a Primavera Árabe, uma onda revolucionária de manifestações e protestos que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África, etc.

No entanto, o século XXI teve seu início marcado por batalhas sangrentas no Iraque, Síria, agora, as trocas de ameaças bélicas entre EUA e Coréia do Norte, dentre outros fatos relevantes. Os atentados, antes praticados por exércitos ou grupos fundamentalistas, agora estão disseminados por meio de ações de “lobos solitários” e se repetem recorrentemente em muitos países.

Não estamos seguros nem mesmo para viajar aos Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra, antes, os destinos mais desejados por pessoas apenas interessadas em descansar e se divertir.

A polícia reporta que encontrou o franco atirador já morto na suíte do hotel. Paddock pode ter se livrado da justiça dos homens, mas da justiça divina ninguém escapa.

Penso que está faltando Deus no coração das pessoas! Há quem mate em “nome de Deus”. Mas, Deus, no alto de sua bondade e misericórdia, só espera que seus filhos façam o bem, espalhe o amor e mitigue as injustiças. Deus quer um mundo com liberdade, igualdade, fraternidade, lema da Revolução Francesa, mas, sobretudo, com amor ao próximo.

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