Acabo de me aposentar do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos. Foram 25 anos de um trabalho árduo, dedicado, sério, porém, rico em termos de conquistas, de desafios e de objetivos alcançados. Os demais anos de trabalho foram na atividade privada e em empresa pública. Neste período, jamais houve dia algum em que eu estivesse desempregado.

Na UFSCar, passei por todas as etapas possíveis da carreira docente federal: professor Auxiliar, Assistente, Adjunto, Associado e Titular. Realizei plenamente as atividades de pesquisa, ensino, extensão e administrativas. Oriento, ainda, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana. Muitas preciosas amizades foram amalgamadas com colegas docentes, técnico-administrativos e centenas de alunos. Foram momentos únicos. Em São Carlos pude também cursar o mestrado e doutorado em Engenharia de Transportes na EESC-USP.

Justamente o ano de 2017, quando chega o momento de mudar o curso de minha vida, coincide com a comemoração dos 50 anos da Faculdade de Engenharia de Bauru, a FEB, onde fiz parte de seu corpo discente. Minha turma ingressou em 1974. Em quase 38 anos de carreira docente e no mercado, reconheço a significativa contribuição da FEB, que me fez despertar para uma carreira apaixonante e com destacada implicação social, conferindo-me elevada capacidade de adaptação ao mercado, a partir das oportunidades surgidas.

A FEB começou a ser pensada ainda na década de 1950, por meio do deputado e ex-prefeito Nicola Avalone Jr. que, em 1959, encaminhou projeto de lei à Assembleia Legislativa-SP, propondo a criação da FEB. No entanto, foi no decorrer da década de 1960 que a ideia da criação da unidade de ensino superior ganha consistência.

Em decorrência de uma grande mobilização de pessoas e forças vivas da cidade, com o intuito de fazer nascer uma escola de engenharia, com o apoio do prefeito municipal Nuno de Assis, cresce o movimento em favor da faculdade.
Muitas foram as pessoas que se engajaram neste firme propósito, podendo-se elencar alguns: Eng. José Renato do Valle Gadelha, Eng. Luiz Edmundo Coube, Eng. José da Silva Martha Filho, Eng. Elder Gadotti, Abilio Pinheiro Chagas, Hecmet Farha.

O prefeito Nuno de Assis sancionou e promulgou duas Leis, em 1966, que criaram a Fundação Educacional de Bauru e a Faculdade de Engenharia de Bauru. No ano seguinte, publicou-se o Decreto que autorizava o funcionamento da Faculdade de Engenharia, sob a responsabilidade da Fundação Educacional de Bauru. Em 1967, teve início o curso de Engenharia Mecânica. No ano seguinte, vieram os cursos de Civil e Elétrica e, em 2003, o de Engenharia de Produção.

Em 1970, começou a construção do campus. Minha turma foi a primeira a ser escalada para ter as primeiras aulas neste novo local. Ao chegarmos para a aula, nos deparamos com somente poucos prédios. Não havia cantina e a oferta de ônibus para o campus era pequena. No mesmo dia fizemos uma forte manifestação de que não queríamos ali frequentar aulas, pela falta de infraestrutura. Voltamos para o prédio na Vila Falcão.

Em 1985, a Fundação foi transformada em Universidade de Bauru-UB, tendo o amigo Pedro Walter de Pretto, seu primeiro reitor. Em 1988, após um belo trabalho do deputado Eng. Tidei de Lima junto ao Governo do Estado, a UB foi encampada pela UNESP.

Na FEB tivemos a oportunidade de receber ensinamentos de professores do mais alto gabarito, muitos eram docentes da USP-São Carlos. Não há como se esquecer dos queridos mestres A. Augusto Del Pretti, Carlos Eduardo Diniz, Ivan Valarelli, João Gualberto Pires, José Roberto Segalla, João E. Frisina, Lourivaldo G. Negrini, Paulo Cesar Razuk, Paulo Feritas, Pedro Walter de Pretto, Luiz Daniel Decloedt, Odilson Coimbra Fernandes, dentre tantos outros.

Apesar de que naquela época tivéssemos pouquíssimos docentes com títulos de mestre e doutor, a qualidade de ensino era bastante elevada; aliás, esta qualidade perpassou até os dias atuais. Sempre foi sobejamente reconhecido o elevado conceito que os cursos da Faculdade de Engenharia de Bauru gozaram junto à sociedade.

Enfim, a FEB nasceu sob o desígnio da qualidade de ensino, mantida através dos tempos, devidamente assegurada pela Fundação, UB e, posteriormente, pela Unesp. Muitos egressos da FEB puderam trilhar brilhantes carreiras, atingindo cargos dos mais importantes na sociedade brasileira. Parafraseando um órgão de comunicação local, podemos clamar em alto e bom som que a FEB é “uma joia do interior”, uma joia de Bauru.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Archimedes Azevedo Raia Jr
Carregar mais em Colunistas
Comentários estão encerrados

Verifique também

Coluna Archimedes: O massacre de Las Vegas

Em sua coluna para o Social Bauru, o professor Archimedes fala sobre o massacre ocorrido e…