“O meu interesse pela música vem desde que me entendo por gente, minha família sempre esteve em contato com todo tipo de arte. Cinema, dança, música, teatro: fomos (e ainda somos) ensinados a gostar desde muito cedo, apesar de eu ser o único a ter escolhido esse gosto como profissão”. (Daniel Cecci)

“Via meu pai tocar violão desde pequeno e me lembro de ficar cantarolando na sala desde muito criança também. Mas minha primeira aula de música mesmo acho que foi com 11 anos. Depois, comecei a trabalhar com música aos 15 anos, dando aula de bateria.” (Leo Couto)

“Minha primeira guitarra ganhei em 1990 aos 10 anos. Meu primeiro palco (Sesc Bauru) foi aos 14 em uma apresentação da escola de música onde eu estudava, mas costumo atrelar minha vida musical ao disco “Who Made Who” do AC/DC, que ganhei da Dona Tota (minha mãezinha) quando eu tinha 6 anos. Quando ouvi “Hells Bells” fiquei maluco e não sosseguei até ganhar minha primeira guitarra, então meio que ‘saquei’ ali que era isso que eu queria pra minha vida, mesmo que profissionalmente (recebendo por isso) eu só tenha começado a tocar em meados de 2004.” (Márcio Lanzarini)

“Meu interesse pela música surgiu através da minha família. Minha primeira lembrança relacionada â música é da minha mãe curtindo um vinil do Cazuza. Lembro também que ela ouvia bastante Fabio Jr., quando eu tinha uns 3, 4 anos. Um pouco depois, com mais ou menos 6 anos, por influência dos meus irmãos mais velhos Denis e Carol, comecei a ouvir bandas como Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Guns n Roses, Nirvana. Bandas que estavam no auge em 1993/1994 e todo moleque adorava. Acredito que a paixão pela música venha dessa época; eu era aquela criança que fazia a vassoura de guitarra, bateria de panela.” (Igor Yenes).

Quatro histórias diferentes de quatro personagens diferentes, mas com a mesma realidade hoje em dia: Daniel, Leo, Márcio e Igor são bauruenses que escolheram viver, exclusivamente, dedicados à música. Sonhadores? Loucos? Melhor: batalhadores. Com mais de 330 mil habitantes, Bauru é uma cidade noturna, com cerca de 431 bares cadastrados na plataforma Solutudo (plataforma de serviços), muitos deles, com espaços para shows e apresentações musicais. Apesar disso, viver de arte é sempre um desafio – se é complicado sobreviver com carteira assinada, imagina ser autônomo, ainda mais em uma cidade do interior. Mas para Daniel Cecci, que vive da renda que a música lhe dá há quatro anos, a situação está difícil para todo mundo e não só para os músicos.

“Essa história de que músico sofre e que a vida é difícil depende muito da situação. Sempre quis isso pra minha vida e percebi (e ainda percebo no dia a dia) que, quanto mais eu invisto, mais há retorno, há espaço e público pra todo mundo. O importante é fazer tudo bonitinho e da melhor maneira possível. É matemática, não tem como dar errado quando se esgota as possibilidades pra que tudo dê certo. É importante sempre se manter atento, estudar bastante e se dedicar.”

Como começar?
Mesmo em meio às dificuldades, o sonho de viver por conta própria, sair de um emprego formal, ou seja, com carteira assinada, é um sonho e o processo deve envolver muito preparo e organização financeira. Para Márcio Lanzarini, um dos integrantes da banda Acústico & Calibrados, dar este passo não foi nada fácil. “Aconteceu quando eu não estava mais dando conta de trabalhar o dia todo e tocar de quinta a domingo. Foi um passo bem difícil, pois meu filho tinha 4 anos, eu tinha uma situação financeira ‘beeeeem ferrada’, ainda que a música já estivesse me dando mais grana que o ‘trabalho diurno’. Mas não foi uma decisão simples, pois há sempre uma grande insegurança quando o assunto é trabalho informal, seja ele qual for.”

Como tudo na vida, há sempre os dois lados: o bom e o ruim. Em conversa com o Social Bauru, o contador de Bauru, Marcelo Zanqueta, Elite Assessoria Contábil e Empresarial, comentou sobre os benefícios trabalhistas que o músico ou qualquer outro profissional irá perder ao deixar de ter a carteira assinada. São eles: 13º salário, férias remuneradas, vale alimentação e plano de saúde. “Em contrapartida, temos a possibilidade de uma série de benefícios, como por exemplo, flexibilidade de horários de trabalho, possibilidades de ganhos muitas vezes maiores à época do trabalho com carteira assinada, dentre outros. De qualquer forma, seja na área musical, seja em outro ramo, é muito importante o planejamento”, diz.

Para quem for optar por este caminho em 2018, seguem algumas dicas de Marcelo:

*Deve planejar-se antes de sair do emprego anterior, se possível com algum valor reserva, para passar os períodos de escassez, pois é muito comum, nesta fase da vida, passarmos por uma série de dificuldades, inclusive de âmbito financeiro.

*Caso seja uma surpresa o desligamento do emprego formal, será necessário levantamento de todos os débitos contraídos e todos os valores a serem recebidos, pois é de suma importância termos consciência do que podemos ou não gastar.

*Para amenizar tal situação, é importante o controle financeiro minucioso dos gastos, pois, se o recurso a ser captado é limitado, devemos saber exatamente onde ele é e deve ser empregado.

*Uma rede de contatos também é muito importante, pois amplia exponencialmente as possibilidades de sucesso. Muito importante também é ter um diálogo aberto com toda a família, pois o comprometimento em atingir metas definidas deve se estender não só ao autônomo, e sim à toda família.

*E se por ventura, “o mês for muito comprido” para o que captarmos, é uma possibilidade muito interessante, alguma atividade secundária, para complementar a renda familiar.

Poupança e aposentadoria
Sim, estas duas palavras implicam importantes detalhes que não devem ser esquecidos pelos trabalhadores informais. “Todo mundo tem que ter uma reserva financeira, músico mais ainda – não podemos ficar doente, não temos PLR, não temos 13º salário… No caso da aposentadoria, não me preocupava, mas é importante. Hoje, pago uma previdência privada e a pública também. É um valor que geralmente no mês a gente gasta com besteira, mas que lá na frente faz muita diferença”, afirma Igor, vocalista da banda Aurora Summer.

Para quem está dúvida, Rafael Augusto Vieira Pinto, da Lord Jesus Corretora de Seguros, esclarece: “os planos de previdência podem ser uma alternativa para quem não conseguirá se aposentar pelo INSS, hoje diversos bancos e seguradoras do País oferecem esse benefício para os clientes e também para quem não é cliente. Dentro da carteira de previdência privada existem diversos planos que devem ser planejados e estudados com um profissional habilitado e experiente em previdência para não acabar fazendo algo que lhe agrade em termos de rentabilidade e regras dos fundos.”

Afinal, vale a pena?
“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. Você, provavelmente, já ouviu essa frase do pensador Confúcio alguma vez na vida. Mas quem decidiu dedicar-se à alguma paixão sabe bem a verdade que ela traz.

“Acho que sempre que você optar por viver de algo que, além de pagar suas contas ainda te faça bem, te alegre e te deixe satisfeito/orgulhoso, certamente vai valer a pena”, conclui Márcio.

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