Quem nunca ficou tentado a comprar Bitcoins? Depois das notícias de que a moeda teria valorizado em 2017, ela virou o assunto da vez.

Para começar, as Bitcoins são moedas virtuais, elas não existem no mundo físico, ou seja, você nunca vai achar uma delas perdidas no bolso da calça. Além disso, elas não possuem ligação com nenhum governo e são mineradas (produzidas) por diversos computadores de forma descentralizada. O nome conhecido por criar a moeda é Satoshi Nakamoto, contudo, ninguém conhece esse desenvolvedor.

Mas será que é confiável colocar dinheiro em algo tão abstrato? Para responder a pergunta que não quer se calar, conversamos com o assessor financeiro de Bauru, Gabriel Pagani. Confira o bate-papo com o Social Bauru:

– Gabriel, as Bitcoins são moedas virtuais. O que isso significa?

É um dinheiro 100% virtual, o grande problema é que não tem um lastro. É um dinheiro isento do governo e um dinheiro sem moeda. Mas, hoje, acaba sendo uma aposta, porque é um dinheiro sem ligação com um órgão. Se existe um valor? Existe, mas é um valor em cima de quê?

– São poucas pessoas que produzem essa moeda, certo?

Sim, são os mineradores. Para produzir essa moeda você precisa de um computador e um sistema para minerar, ou seja, criar as Bitcoins. Fazendo uma analogia, é como se você estivesse minerando ouro, mas por meio do computador, ele resolve alguns problemas e acaba gerando uma moeda. O grande problema é que o custo com o gasto de energia para produzi-la acaba sendo elevado. Você até consegue montar uma mineradora na sua casa, mas tem que ver se vale a pena. Hoje, a maioria das mineradoras de Bitcoins estão na China ou em países onde a energia é barata.

– Por que essa moeda se valorizou?

Na verdade era uma especulação, todo mundo começou a comprar, porque disseram “existe um valor nisso” e o preço começou a subir. Quanto mais o valor ia subindo, mais as pessoas queriam comprar o que fez crescer o preço da moeda. Porque não têm tantas moedas no mundo e com todo mundo querendo comprar, o preço foi lá em cima, o que gerou uma valorização muito grande do preço das Bitcoins.

– As Bitcoins poderiam ser uma moeda mundial, o que acabaria com o câmbio, certo? Isso não seria um benefício?

A tecnologia da Bitcoin é o blockchain, um sistema criptografado de transações rápidas. Isso ainda será muito utilizado e vai dar um avanço na parte de moedas. Agora, Bitcoins em si é uma moeda sem lastro, então eu creio que ela não vai se alastrar a ponto de ser uma moeda mundial. O que pode acontecer é o Dólar, que tem um governo por trás e é legalizado, criar um modelo de blockchain e uma moeda única para todo o mundo utilizar. As moedas virtuais, hoje, eu não vejo como uma moeda do futuro.

– Então você não investiria?

Eu trabalho com assessoria financeira e todo mundo me pergunta “Gabriel, investe ou não?” Não é um investimento, é uma especulação. Um investimento é uma empresa, porque ela gera receita, tem um modelo de negócio, vende algo e gera lucro. As Bitcoins são moedas que as pessoas acham que vale alguma coisa, mas não sabem quanto vale, ou seja, você especula.

O valor delas pode subir 100% nos próximos três meses? Pode, mas a gente viu que há um tempo teve muita volatilidade, chegando a cair mais de 30% em um dia. Então não é investir acreditando que é a moeda do futuro, você especula acreditando que amanhã pode valer mais do que hoje, sabendo que pode valer menos.
O próprio criador da Etherium, concorrente da Bitcoin, falou que amanhã os preços das moedas podem valer zero. Então quem quiser colocar dinheiro lá, pode colocar, mas é uma especulação e não um investimento em algo que tenha valor.

– Mesmo que eu especule e compre a moeda. Aqui em Bauru, eu não posso comprar nada com ela, certo?

Sim. Na verdade, o bauruense pode comprar Bitcoins esperando que alguém pague mais caro. Dessa forma, ele vai vender essa moeda ganhando dinheiro em cima. Se você achar algum lugar que aceite a moeda, você pode comprar algo com ela. Mas a principal maneira é vendendo para outra pessoa e pegando o dinheiro, por meio da corretora que você comprou a moeda.

– Quem tem a moeda, consegue comprar algo?

Algumas empresas estão aceitando Bitcoins, mas existem dois problemas, na minha opinião. Primeiro, ela não tem lastro com o governo, então é algo ilegal. Por exemplo, se você comprou um apartamento com Bitcoins, mas há duas semanas o valor caiu 30% em um dia, será que uma construtora irá aceitar o pagamento com uma moeda tão volátil? O segundo problema é o custo operacional. Eu poderia pagar um hambúrguer com Bitcoin, mas o custo dele seria 30 reais e o custo operacional pode custar até 50 reais, então é inviável.

– Se algum bauruense quiser comprar a moeda, como faz?

Existem algumas corretoras especializadas que abrem um cadastro e para comprar as Bitcoins. Mas como é um mercado que está crescendo muito, estão surgindo muitas fraudes. Tem gente que está abrindo falsas corretoras, e a pessoa colocou dinheiro lá achando que comprou a moeda, mas perdeu dinheiro.

– Tem outras moedas virtuais surgindo?

Sim, já existem mais de 100 moedas virtuais, mas a Bitcoin foi uma das que mais se valorizou. Qual a moeda certa e a mais interessante? É complicado fazer essa análise, porque existem várias e você tem que pegar alguma mais negociada. A chance de ganhar muito dinheiro com isso é pouca, mas de repente você compra alguma com mil reais e ganha cinco milhões no futuro. Não dá pra saber, é tudo em cima de uma especulação e de achar que vai valorizar amanhã, então é feito uma aposta para ver o que acontece.

– O que acha das moedas virtuais no futuro? Elas serão viabilizadas ou é apenas uma moda?

Eu, particularmente, acho que essas moedas vão acabar. Mas a tecnologia blockchain e o modelo de moeda virtual deve se perpetuar, porque o governo vai começar a usar isso. Os bancos irão criar uma moeda virtual e o mundo vai trabalhar com isso. Porque o grande problema das Bitcoins é ela ser usada por hackers e terrorismo, uma vez que não tem rastreamento. Os governos no mundo não podem deixar uma moeda livre, sem ninguém saber para onde ela vai ou para onde foi. Então vai ter fim em algum momento, mas a tecnologia de transferências rápidas e criptografadas faz total sentido e deve se manter.

Gabriel Pagani é formado em Administração e trabalha como assessor financeiro na Profit Investimentos, em Bauru.

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