Se você leu o título desse texto e está se perguntando “como assim? o Brasil também faz parte da América Latina”, calma! Para essa matéria, eu pensei em trazer as formas como a cultura de países da língua espanhola aparecem aqui em Bauru. Apesar das semelhanças e do Brasil também ser latino, as nossas culturas divergem em alguns pontos.

A comida é um exemplo, que traz pratos temperados de sabores e muita pimenta, inclusive, para Thiago Dal Médico, do restaurante Bongo, essa é uma das diferenças. “Aqui na nossa região, não estamos tão calejados a comer pimenta quanto os mexicanos, que desde pequenos estão habituados a utilizar pimenta na comida, no sorvete e nas frutas”, explica.

Apesar disso, o empresário diz que a comida mexicana caiu no gostos dos bauruenses, pois as pessoas estão abertas a conhecer novos sabores. “O mais interessante é o conhecimento por meio de novas experiências e a gastronomia de cada país demonstra grande parte da história através de sabores”, diz.

Se tem outra coisa que os latinos sabem fazer, além das comidas deliciosas, é festa. Foi assim que o Joker Bar decidiu fazer uma festa inspirada no Día de los Muertos (Dia dos Mortos), tradicional no México, aqui em Bauru. “Sempre buscamos resgatar festas culturais e procuramos por referências de Halloween, porém, o Dia dos Mortos é uma versão latina desta grande festa. Nós nos interessamos muito, principalmente, por misturar gastronomia, cultura e espiritualidade. Nossa intenção era fazer algo que trouxesse a sensação da alegria controversa em celebrar a morte”, explica Rafael Gimenes, um dos proprietários do lugar.

A festa, em parceria com o Bongo, contou com a presença de 750 pessoas e para os organizadores, o cruzamento das culturas brasileira e mexicana é uma espécie de resistência. “Acredito que o cruzamento de culturas seja parte do povo brasileiro e isso influencia na gastronomia, nas formas de se vestir, na música, etc., o que traz uma sensação de valorização da nossa região que tanto idolatra a cultura norte-americana e européia”, dizem.

A língua também é uma forma de dar visibilidade para a cultura latino-americana e, segundo a Jéssica Monteiro de Godoy, especialista em Ensino de Língua Espanhola, ela também é um ponto em comum com os brasileiros. “Falar um idioma é descobrir todo um universo social, político, econômico e cultural. Falar espanhol neste caso é nos descobrir como latino-americanos, compreender quem somos como brasileiros, compreender que os outros latino-americanos são nossos semelhantes. Falar espanhol nesse caso é um ato político”, esclarece.

Para quem observa nossa cidade com os olhos de outro país, o Brasil tem tanto diferenças como semelhanças com os outros países da América Latina. Para a colombiana María Alejandra Martínez Rodríguez, há um mês e meio em Bauru, as diferenças são “as comidas, o conceito de liberdade, a identidade coletiva e as leis”, conta.

Já as semelhanças é que “tanto no México como no Brasil, [as pessoas] são muito afetuosas e calorosas. Se preocupam em ajudar as pessoas quando elas pedem e nas reuniões sempre tem muita comida e bebida. As culturas são muito alegres”, conta a mexicana Diana Hernández Selvera, que ficou durante dois meses em Bauru.

E você, já viu outra semelhança ou diferença?

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