As Grandes Guerras Mundiais foram um divisor de águas histórico para o início da difusão de culturas pelo mundo, o que hoje nós conhecemos como globalização. A partir das grandes guerras que se espalharam da Europa para todo o globo, os países do Oriente, principalmente Japão e China, começaram a abrir suas fronteiras para o mundo.

Foi assim que muitas artes marciais começaram a se popularizar, entre elas, o Aikido, que em seu sentido literário significa caminho da energia através da harmonia, uma modalidade de arte marcial que acabou caindo no gosto do bauruense.

Mas muitas pessoas ainda não sabem ou têm pouca ideia do que seja o Aikido, para isso, conversamos com o sensei bauruense Lucas Ferreira Sahade, que tentou explicar um pouco sobre a arte marcial.

“Toda arte marcial, você não entra nela compreendendo o que você vai fazer, você se descobre dentro da arte marcial; você não entende Aikido antes de entrar. Você não sabe do que se trata porque você não tem o tato”

Para tornar tudo mais simples, Lucas explica que toda arte marcial que possui o sufixo “do” significa uma caminho a ser trilhado, dessa forma, não executadas técnicas de combate, apenas técnicas para neutralizar ou nocautear uma pessoa.

Esse é um dos ideais do Aikido.

Harmonização com emoção

O Aikido possui uma parte voltada ao espiritual de quem o pratica, buscando aprimorar todas as técnicas ao longo do tempo.

“O Aikido tem toda essa ideia que, como é algo harmônico, não existe conflito, não existe uma iniciativa de agressão, uma iniciativa do ataque. Eu espero a pessoa me dar uma intenção, me dar qual o posicionamento que ela vai tomar e com base neste posicionamento, eu vou responder aquilo sem acrescentar ou diminuir a energia dela, eu vou me harmonizar com ela”.

Mas para quem pensa que o Aikido é uma arte marcial “parada” e sem “emoção”, é completamente o contrário!

Viviane Aparecida Parisi é aluna do sensei Lucas e faixa amarela no Aikido e estava procurando uma arte marcial para praticar, quando descobriu o Aikido por meio de seu sobrinho, que era praticante.

Depois de assistir algumas aulas, Viviane percebeu que a arte marcial não era exatamente o que ela imaginava. “(O Aikido) era totalmente diferente do que eu pensava, que era uma coisa, assim, mais parada, mas não é. O Aikido é bem diferente e inclui técnicas bem legais”, afirma. A aluna percebeu no Aikido uma forma de manter todo o corpo e mentes em movimentos.

aikido bauru
Foto: Social Bauru

O Aikido, portanto, é uma arte marcial que não busca o combate, mas, sim, o autoconhecimento de quem o pratica para que, dessa forma, o aluno saiba se proteger sem realmente machucar o próximo.

Sensei Lucas explica que nesta arte marcial “você aprende a utilizar seu corpo sem quebrar um braço, você aprende a derrubar uma pessoa sem se machucar”.

Além do autoconhecimento, a arte marcial também atua no desenvolvimento do corpo, da concentração e do espírito, tudo isso contribui para a formação do caráter, da fidelidade com a verdade e com o caminho da razão, afirma a aluna Viviane.

Mas as vantagens do Aikido não param por aí.

Aikido no cotidiano

Além do respeito e das técnicas ensinadas dentro do tatame, o Aikido, assim como toda arte marcial, transcende a academia e atua na dia a dia de quem as pratica.

Viviane começou a sentir algumas diferenças em seu comportamento após começar a praticar a arte marcial.

“O que eu percebo é que eu era muito estressada, com parte de trânsito, tem me ajudado bastante, eu tenho parado, refletido, estou mais tranquila”

O sensei Lucas percebe a evolução do comportamento de seus alunos ao longo dos treinos de Aikido, segundo ele, “quando uma pessoa entra na faixa branca, muitas vezes, ela é tímida, tem medo de encarar o sensei,de encarar o aluno mais velho, de se jogar e de receber uma técnica. Conforme ela vai graduando, o espírito dela vai crescendo”.

A partir dessas etapas de evolução, o aluno começa a ganhar mais vigor corporal, a melhorar a concentração e a se controlar em situações instáveis. E isso começa a atuar no dia a dia do aluno, como nos estudos e até mesmo no trânsito.

Para quem se interessou pelo Aikido, tanto Lucas quanto Viviane concordam que não existe uma faixa etária para a prática da arte marcial, afinal, “quanto mais novo você começar, mais disciplina você terá e mais centrado você vai ser”.

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