A pílula anticoncepcional, apresentada para as mulheres brasileiras na década de 60, se tornou, hoje, uma das principais formas de evitar a gravidez. Ela foi criada nos EUA com a parceria do cientista Gregory Pincus e do ginecologista John Rock.

No Brasil, a pílula foi aceita por grande parte da classe média feminina da época, crescendo no mercado em ritmo acelerado. Segundo estudo feito pelo jornal The Guardian em 1970, 6.8 milhões de cartelas de pílulas anticoncepcionais foram vendidas, e na década seguinte, o número subiu para 40.9 milhões, graças à distribuição gratuita do medicamento para as classes baixas.

Contudo, na mesma época da popularização da pílula anticoncepcional, questionamentos sobre os pontos negativos do medicamento aumentaram, devido às altas cargas hormonais e à falta de transparência por parte de médicos e empresas farmacêuticas com relação aos efeitos colaterais.

Mas, afinal, o que realmente é o anticoncepcional e como ele funciona?

O que é a pílula?

O anticoncepcional é um medicamento de via oral que atua na inibição da ovulação. Além disso, ela pode provocar alterações físico-químicas do endométrio e do muco cervical, tendo como objetivo tornar a mucosa menos atraentes para os espermatozóides, impedindo a penetração deles dentro da cavidade uterina.

As pílulas são uma combinação de dois hormônios, o estrogênio e a progesterona, semelhantes aos produzidos pelo ovário.

Esse método é de uso diário e tem eficácia de 97%, apresentando tanto pontos positivos quanto negativos para o organismo feminino.

Prós e contras

Alguns pontos positivos e negativos sobre o uso da pílula anticoncepcional já foram comprovados por médicos e pesquisadores.

Entre os pontos positivos, é perceptível uma melhora na pele e acnes, como confirma a ginecologista de Bauru, Maria Cecília Sahade. “Alguma pílulas modernas melhoram um pouco a pele, deixando-a mais bonita”.

A pílula também atua no ciclo menstrual feminino, deixando-o mais curto e menos intenso, além de regular a menstruação. “Anticoncepcional é o melhor tratamento que tem para cólica”, confirma Maria Cecília.

Além disso, já é comprovado que esse método pode ajudar a proteger contra o câncer de ovário, a anemia, cistos nos ovários e inflamações pélvicas.

Contudo, a pílula aumenta a celulite no corpo feminino e ainda compromete a libido, diminuindo-a. A ginecologista bauruense ainda alerta que mulheres com tendências à trombose não deve usar desse meio contraceptivo, pois aumenta muito a chance de evoluir a doença.

Mesmo com o uso da pílula contínua, ainda é possível que haja sangramentos vaginais, sem contar a sensibilidade mamária, náuseas e alterações de humor, glaucoma, varizes, doenças cardiovasculares, hipertensão e doenças hepáticas.

É importante ressaltar que a pílula anticoncepcional não é efetiva contra o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, sendo necessário o uso de camisinha.

Para a ginecologista, o importante é que cada mulher procure um médico antes de tomar a pílula.
“Pílula anticoncepcional é de acordo com a mulher que toma, o ideal mesmo é que a mulher procure um ginecologista que o oriente”.

Quem usa, conta

Depois de alguns anos tomando a pílula anticoncepcional, bauruenses contaram para a gente como era o período de uso do medicamento, e após colocar os prós e contras na balança, como foi a decisão de parar de tomar.

Amanda Gaspar, após tomar a pílula por quase dez anos, refletiu sobre a forma como os hormônios agiam no próprio corpo, e hoje, já não usa mais o método há quatro anos.

Mesmo com os sintomas da TPM mais aflorados desde que parou de tomar a pílula, Amanda percebe que é necessário “entender que nossos corpos são cíclicos e precisamos respeitar cada vez mais nossos processos”.

A tomada da decisão para parar de tomar a pílula anticoncepcional, em uma sociedade em que quase 80% das mulheres utilizam esse método, pode ser longa e difícil, como foi para a bauruense Isis Rangel, que demorou quatro meses antes de finalmente parar.

“Eu já tinha começado a ler há mais tempo sobre os casos de trombose, embolia e sobre contracepção natural, mas quanto mais eu estudava, mais eu percebia que podia estar me fazendo mal. Isso tudo foi me dando a certeza de que eu deveria parar. Além disso, uma amiga próxima teve trombose e embolia pulmonar por conta de efeito colateral de anticoncepcional e sempre falava pra eu parar”, conta Isis.

As consequências da pílula ainda foram perceptíveis por Bruna Silveira, que parou de tomar o anticoncepcional após um quadro crônico de candidíase.

“Outro fator que me levou a parar de tomar foi a alteração hormonal que pode causar no corpo da mulher. A partir do momento que tive o desejo de levar uma vida mais natural, decidi olhar e refletir sobre os efeitos que o anticoncepcional poderia trazer para a minha saúde”, complementa Bruna.

Bruna também confirma que o corpo feminino é um ciclo que deve ser entendido, pois durante seis meses após o fim do uso da pílula teve que lidar com queda de cabelos, aumento de espinhas, pele e cabelos oleosos, e até mesmo mudança da estrutura do seu cabelo.

Responsabilidade de quem?

Com todas as consequências que o anticoncepcional pode causar, Isis traz à tona a cultura da responsabilização de contracepção exclusivamente para a mulher, sendo que, no Brasil, o hormônio sintético é o mais usado.

“Em outros países, o DIU de cobre é muito mais popularizado (aqui ele é oferecido pelo SUS, mas pouco divulgado). Ele tem a mesma eficácia da pílula, mas não tem hormônios, inclusive é a recomendação da OMS para adolescentes em situação de risco. A pílula depende demais da disciplina da mulher, o que gera diversas falhas, além de outros remédios cortarem o efeito e a gente nem ser informada sobre isso”, explica a bauruense.

Além do DIU, existem outros métodos que não sintéticos como o diafragma, contudo, a informação para a população é precária, e para Isis, a mulher deveria ter opções de escolha, com informações suficientes para a decisão.

A opção de decisão é o ponto crucial para uma mulher; para Bruna, a escolha de tomar ou não a pílula deve ser, primeiramente de quem a toma, tendo em mente sempre o autoconhecimento do corpo, sem deixar de lado a informação.

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