Achei que não haveria mais necessidade de utilizar o espaço desta coluna para expor ideias sobre a construção das avenidas marginais da rodovia Marechal Rondon, em Bauru. Imaginava que escreveria sobre a forma como elas estavam sendo operadas, os resultados obtidos na melhoria do trânsito e da maior segurança. Ledo engano! O pesadelo ainda não acabou. A novela ainda está no ar. Recordemos.

Em uma matéria do Jornal da Cidade-JC, em 04.11.2012, com o título “As marginais da ‘avenida Rondon’ estão a caminho”, eu afirmava a necessidade premente da construção das avenidas marginais da rodovia Marechal Rondon, em Bauru. Salientava o perigo da mesclagem entre o tráfego urbano e o rodoviário de passagem, com o registro de muitos acidentes, lentidão e congestionamentos.

Três anos e meio depois, em 01.07.2016, em minha coluna aqui no portal Social Bauru, o artigo denominado “Reforma da Rodovia Marechal Rondon, enfim a solução?”, mais uma vez, referendava a necessidade premente da obra que acabava de ser anunciada pelo governador do estado. Enfatizava que “Os trechos urbanos destas rodovias proporcionam, em geral, conflitos que, se não forem corretamente gerenciados, geram trechos viários com alto potencial de risco, quer seja para moradores locais, quer seja para os diversos tipos de condutores de passagem, requerendo soluções por parte de órgãos públicos e empresas concessionárias”. Tudo levava a crer que, finalmente, um problema gerado desde a duplicação da Rondon, nos anos 1990, seria finalmente equacionado.

Outra matéria do JC, em 12.10.2017, “Rondon: marginais serão retomadas”, reportava mais uma promessa política não cumprida. Recomeçou e parou. Os políticos parecem não esgotar o arsenal de mentiras apresentadas ao povo com o intuito de justificar o injustificável.
Em julho de 2018 e, novamente, o assunto “marginais da rodovia Marechal Rondon” volta a ser destaque nas páginas do JC e demais mídias bauruenses. Há, no momento, um jogo de empurra entre Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Agência de Transporte do Estado (Artesp) e concessionária do trecho e prefeitura de Bauru. O prazo para o término dos trabalhos era agora. Mas, a obra estimada em mais de 100 milhões de reais está paralisada e sem data para recomeçar. Está ainda em fase embrionária, com poucos trechos acabados.

Como resposta, segundo o JC de 25.7.2018, a Artesp teria determinado à concessionária ViaRondon que retomasse as obras. Na hipótese disto não acontecer, segundo o jornal, a Artesp adotará medidas sancionatórias.

Marginais em trechos urbanos de rodovias são obras imperativas e têm sido construídas em cidades e regiões mais importantes (Campinas, Jundiaí, Rio Preto, Vale do Paraíba, Grande ABC etc.), principalmente no estado de São Paulo. Elas são infraestrutura importante para o crescimento e desenvolvimento da região.

Mas por que será o que bauruense tem que sofrer tanto com estas marginais? Se a rodovia é pedagiada e os contratos de concessão rezam que uma série de obras e melhoramentos devem ser realizados, inclusive com o dinheiro arrecadado, qual a razão para tamanha postergação? Será que vão recomeçar as obras? Será que o problema terá que ser resolvido na justiça? A Promotoria acompanha o caso. O capítulo final da novela ninguém sabe se irá ao ar e nem quando. Enquanto isto, o dramalhão se mantém em voga, à espera de soluções que, aparentemente, seriam factíveis, porém, na prática, parecem insolúveis. Pobre Bauru!

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