Você sabia que no Brasil, em média 5,8% sofre com a Síndrome de Burnout, também conhecida como “esgotamento mental”? O país é o quinto no mundo com o maior número de casos, sendo que, em 2016, a Previdência Social registrou cerca de 75,3 mil trabalhadores por causa de quadro depressivos.

Mas você sabe o que é o esgotamento mental? A gente conversou com duas psicólogas bauruenses que explicaram um pouco sobre sintomas, formas de tratamento e como a sociedade atual ajuda a piorar esse quadro.

O que é o esgotamento mental?

O esgotamento mental está relacionado ao estado de cansaço e à forma como as pessoas lidam com problemas e como interpretam as situações, transformando-as em pensamentos negativos.

A psicóloga Rosilene Maria Pinto explica que “sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônico provocados por uma excessiva e prolongada exposição à situação de estresse no ambiente de trabalho e/ou condições de trabalho: físicas, emocionais e psicológicas desgastantes ou, até mesmo, pode ser desenvolvida por fadiga crônica”.

esgotamento mental
Rosilene Maria Pinto é psicóloga bauruense e explica sobre o esgotamento mental

O esgotamento mental, ou síndrome de Burnout, é desencadeado pelo excesso de trabalho e pouco recursos para lidar com as adversidades, sendo que a pessoa se sente desmotivada e sobrecarregada, perdendo todo prazer em exercer atividades cotidianas, o que pode causar consequências negativas à saúde física e mental, refletindo na vida pessoal.

“A síndrome de Burnout, em muitos casos, é um estágio que leva ao transtorno depressivo. Pode desencadear risco de suicídio e de comportamentos altamente destrutivos”, explica a psicóloga bauruense.

O esgotamento mental é o ápice em que a mente e o corpo de uma pessoa cansam a ponto de causar desequilíbrio e despersonalização, sendo que essa síndrome é igual ao estresse.

“A pessoa tem a percepção de si alterada, de estar desconectada do próprio corpo ou de seus processos mentais. Sente uma sobrecarga enorme, acreditando que não dará conta, sentindo-se incapaz, um estado de insatisfação que faz com que ela comece a perder o interesse e a capacidade de realizar suas atividades”, completa a psicóloga Edinéa Morilha.

Qual a causa do esgotamento mental?

As triplas jornadas entre profissionais, jovens e estudantes exigem que as pessoas passem por cima de seus limites físicos e emocionais para cumprir suas metas e atender necessidades básicas e materiais.

O quadro ainda se torna mais grave no momento atual da sociedade em que vivemos, com o tempo cada vez mais curto e as tecnologias tomando conta da rotina.

Ednéia explica que, “no mundo moderno onde as pessoas, incluindo crianças, jovens, adultos, ou melhor, grande parte da população faz uso incontrolável  de computadores, celulares, tecnologias em geral, onde as notícias e informações são instantâneas, numa velocidade ‘impossível’ de se acompanhar, onde no mundo empresarial cada vez mais se exige pensamento rápido, criatividade, e cumprimento de metas, é muito fácil o cérebro se cansar”.

Alguns sintomas

Uma pessoa que apresenta o quadro de esgotamento mental pode apresentar situações de falta de atenção e concentração, cansaço persistente, excesso de sono ou insônia, perda de vontade de realizar as atividades de vida diária, irritação e choro constante, muito desânimo e sentimento de estar infeliz o tempo todo, tristeza e angústia, somatização, tonturas, falta de ar, palpitações cardíacas, problemas estomacais e até redução de libido.

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Rosilene Maria Pinto, psicóloga

“Em geral, o esgotamento mental leva a pessoa a sentir que todo dia é um ‘dia ruim’, não sentindo a mínima motivação para se levantar e executar as atividades rotineiras e profissionais, pois tudo exige um grande esforço físico e mental. Tem a sensação que está desperdiçando muita energia e tempo, em alguns casos chega à exaustão”, completa Rosilene.

Contudo, é importante salientar que é necessária a busca de um profissional especializado que seja competente para fazer o diagnóstico. Edinéa ainda aconselha que as pessoas não tenham vergonha de pedir ajuda.

As especialistas recomendam

As psicólogas Edinéa e Rosilene dão alguns conselhos sobre como melhorar o dia a dia e prevenir o esgotamento mental.

Fazer atividades físicas, refeições saudáveis, sair com amigos e sempre dar preferência à coisas que vão trazer alegria e prazer.

“Aceitar que você não precisa ser o melhor, que você pode errar, sem culpa, e que o importante é você fazer o seu melhor sempre, não se cobrar demais e não cobrar os outros demais”, explica Ednéia.

E complementa.

“Aprender a falar não quando necessário para os outros e aprender a dizer sim para você, se permitir, se aceitar, buscar melhorias pessoais e profissionais que mantenham sua autoestima, conhecer a si mesmo e amar a si mesmo, sem expectativas depositadas no outro e nas coisas”.

Além disso, quadros de esgotamento mental e outras doenças psicológicas não devem ser vistas como “frescura”, já que elas possuem sintomas palpáveis e observáveis, mudando o comportamento e a parte física de uma pessoa.

Por fim, é importante sempre lembrar que não existe perfeição, erramos e cometemos falhas todos os dias.

Saiba que seu potencial e desempenho independem da expectativa que o outro tem de você; apenas você pode dizer do que é capaz e quem você é!”, finaliza a psicóloga Edinéa.

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