Imagine essa situação: você está parada ou parado no trânsito, com carros e motos por todos os lados, quando olha para o lado e vê um carro antigo, da década passada. Qual a sua reação?

Se a sua reação for: ficar completamente vidrado, achar lindo e pensar, “eu também quero um”, você faz parte desse grupo de bauruenses que coleciona carros antigos, seja como uma forma de hobby, seja para usar no cotidiano.

Afinal, cada dia mais a moda retrô está em alta, e o sentimento de saudosismo cresce tanto na moda, quanto nos estilos musicais e nos meios de transporte.

Nós do Social Bauru entrevistamos nove bauruenses que contaram sobre suas paixões com carros antigos e como é a sensação de poder dirigi-los.

Tamara de Carvalho Carreira

Tamara é dona de duas Lambrettas: uma Li 1965 e uma Xispa 1976. Além disso, a bauruense também possui um Fusca 1969 e um Escort XR3 conversível de 1995.

Tamara conta que sempre sai por Bauru com as motos, ou com os carros, nos dias de chuva. A bauruense gosta tanto das suas relíquias, que até mesmo já participou de uma corrida de motos antigas!

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoas

Sobre a origem de sua paixão? Ela responde:

“Minha paixão vem desde pequena, herdada de meus pais. Eles sempre tiveram os carros que, na época eram novos, e hoje se tornaram um clássico! Então, o contato com esses carros geram muitas memórias, histórias e narrativas que fico horas ouvindo! Meu pai comprou a primeira Lambreta para restaurar quando eu tinha 12 anos, temos fotos ajudando ele a desmanchar ela inteira, eu e minha irmã gêmea, para começar a restauração! Costumo dizer que tenho sangue enferrujado desde que nasci!”

Quando Tamara sai na rua com as motos ou carros, várias pessoas ficam olhando e comentando, até mesmo querendo tirar foto!

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoal

“As pessoas acenam, buzinam, e os sorrisos são espontâneos! Vou a encontros de carros da região, rodando de Lambretta, e as pessoas emparelham para fotografar e acenar! Nas ruas, param pra comentar que tiveram um, ou o pai, é bem legal! Pessoas mais antigas brilham os olhos, e as mais novas ficam encantadas. Carro antigo tem personalidade, são muito diferentes um do outro!”

Tamara ainda comenta sobre a volta dos veículos antigos para as ruas de Bauru e sobre a sensação de poder dirigir seus carros e motos de décadas passadas:

carros antigos bauru
Foto: Arquivo pessoal

“Atualmente o retrô, o antigo, está na moda em todos os aspectos. Decoração, roupas e até nos carros. Acho que isso impulsiona o mercado, que ao meu ver, está inchado com veículos da mesma escala de cores e muita semelhança entre eles. Carro antigo é autêntico, se destaca. A nova geração de motorista está cansada do igual!”

E completa:

“Eu fico mal se não dou uma volta de Xispa pelo menos um dia na semana! Garimpar as peças, ver algo que estava condenado, começar a ganhar vida novamente. Andar de carro antigo é manter a história viva!”

Rafael Pinelli Henriques

Rafael também é um amante dos carros antigos, e possui três: uma Mercedes 1970 – 230, uma Mercedes 1974 – 450 SLC e um MP Lafer 1984.

Ele conta sobre os custos de se restaurar um carro antigo e se é possível ou não utilizar um veículo assim no dia a dia.

“Se o carro é antigo, raro, procurado e precisa de restauro, é sim uma forma de investimento e deve ser restaurado! Não é viável usar um carro antigo no cotidiano devido à depreciação do carro, que com o uso frequente, acontece mais fácil”.

Rafael também descreve qual a sensação de poder dirigir essas relíquias:

“A sensação é boa sim, eu gosto, meus filhos gostam também e sempre estamos usando os carros para passeios”.

Thiago Aquino

A paixão por carros de Thiago foi passada de pai para filho! Seu pai possui uma Kombi 1974 e ele, um Fusca 1977.

Para ele, usar o carro nas tarefas diárias é algo viável, afinal, para ele, “se trata de um carro econômico e de baixo custo de manutenção”.

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoal

E, para Thiago, dirigir seu Fusca é quase uma terapia!

“[Dirigi-lo é] Uma terapia, pra tudo se leva o dobro do tempo, é voltar no tempo. Lembramos de como tínhamos pouco e valorizamos isso. Hoje está muito mecanizado as coisas; tem até carro que dirige sozinho!”

Renato Ramos

Renato é o que chamamos de verdadeiro fanático! O bauruense possui uma Lambretta 1962, um Fusca 1962, um Opala 85, três Kadett (1993, 1994 e 1996) e um Omega 1998.

Ele conta que sua paixão veio desde criança, contudo, seu pai não era um apaixonado por carros, mas o apoiou em seu gosto.

“Desde criança, sempre gostei de carros antigos. Curiosamente, meu pai não era um apaixonado por carros, porém, ao saber do meu gosto e vendo minhas coleções de carrinhos de brinquedo, começou a me levar em encontros de carros antigos. De lá pra cá, a paixão só aumentou, até conseguir comprar meu primeiro carro, e daí para frente não parei mais de somar veículos!”

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoal

Para esse fanático por carros antigos, essa paixão está movimentando muito o comércio de automóveis.

“Acredito que o carro antigo também virou um grande comércio, uma oportunidade para gerar novos negócios e lucros. Alguns valores chegam a assustar, mas é evidente que os carros antigos estão ganhando um lugar de destaque nas garagens de muitas pessoas”.

E a sensação de nostalgia com esses veículos não é só de Renato!

“Eu costumo dizer que um carro ou moto antiga produz um fenômeno incrível nas pessoas, fazem com que elas retornem rapidamente ao passado e abram um grande sorriso em minha direção. Isso me dá muita alegria, pois sei que marquei positivamente aquele momento, me dá entusiasmo para continuar a coleção!”.

Osvaldo Lorena Junior

Osvaldo gosta de carros com motores potentes! Ele tem um Ford Turbo 1934, uma Chevrolet 1972 e uma Caravan 1992, todos no estilo HotRod, carros antigos que são modificados.

O bauruense tem os carros como hobby, e acredita que cada colecionador tem um carro antigo para uma finalidade.

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoal

“O meu é curtir o que gosto!”

Ele ainda afirma que a sensação de poder estar dentro desses carros é gratificante, não é tem preço.

André Fernandes

O apaixonado pelo mundo retrô tem um Fusca 1985 e uma Kombi Furgão 1996.

Ele conta sobre como lidar com as pessoas que o criticam por ter carros antigos. Aviso: não chame os carros de André de velhos!

“Eu levo na boa, brinco dizendo que é doença, que tem gente pior, que gasta dinheiro no futebol de fim de semana, por exemplo! (risos). Agora, quando chamam de carro velho, o bicho pega! Chamar um carro antigo de carro velho chega a ser uma ofensa pra gente, porque nós temos como conceito de carro velho, carros usados sem cuidado, carros ruins de mecânica, sem as manutenções. Generalizar o carro antigo como velho é comum, pois muita gente liga o modelo do carro e o ano, a carros mal cuidados, que vivem quebrando”.

E ele ainda tenta explicar o porquê de números de carros antigos ter aumentado.

“Muita gente lembra do avô ter tido o mesmo carro a vida toda, e quando falecido, o carro acabou sendo vendido pelos familiares, e hoje, a pessoa quer ter o carro pra ter os mesmos momentos que ele viveu, mas hoje com seus filhos e netos. O carro antigo traz uma carga muito boa de lembranças”.

Matheus Falconi

Esse bauruense e o pai possuem uma verdadeira coleção! Juntos, os dois possuem um Fusca 1970, uma Kombi 1975 e três Gols: um 1985, um 1988 e um 1989!

Ele confirma que restaurar um carro antigo pede muito dinheiro, contudo, não é um gasto à toa!

carros antigos bauru
Foto: Arquivo Pessoal

“Nas horas vagas, depois do serviço, eu e meu pai temos esse hobby de restauração. No momento estamos restaurando meu Gol GTS 1988 – e já foi gasto mais de 8 mil reais”.

Matheus sempre foi apaixonado por carros da Volkswagen, e os que ele mais gosta são o Gol GTS, a Kombi e o Fusca!

Douglas Ruzzon

Douglas tem um Ford Corcel 1973 e um Chevrolet Opala 1980. Ele explica sobre o custo benefícios de se comprar um carro novo e um carro antigo.

“O pessoal sempre pergunta do porquê de ter um carro velho e por que não compro um novo. Mas, além do gosto, tem a questão do custo para comprar um carro mais novo.”

“Carro antigo virou um pouco moda nos últimos 10 anos pelo menos, isso se percebe tanto pelo preço dos carros que não param de subir, quanto por lojas que se especializam na venda e/ou manutenção”.

E ele finaliza:

“No geral, eu acho uma sensação boa dirigir um carro antigo, não tem aquele conforto dos carros mais novos, mas traz uma sensação boa, além de que carro antigo sempre é exclusivo, nunca um é igual ao outro”.

Ufa! E você achando que carro antigo era raridade! Depois dessa, deu para ver que a tendência é ver cada vez mais relíquias nas ruas de Bauru!

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