Cosplay. Palavra de origem inglesa que surgiu da união de outras duas: “costume”, que significa fantasia, e “play”, que significa atuar.

De forma geral, o cosplay é mais do que apenas usar a roupa igual a um personagem, é de fato encarar na pele e ter os mesmos trejeitos do personagem que está sendo interpretado.

Hoje em dia, com o crescimento do universo geek em várias vertentes, desde os jogos, os filmes, as séries e os livros, o cosplay tem tomado cada vez mais espaço de quem ama se envolver com história e personagens.

E para quem ainda não conhece, conversamos com três cosplayers de Bauru que contaram as dificuldades e prazeres em se fazer um cosplay.

Por que fazer cosplay?

Maria Júlia Loli é aluna de Relações Internacionais em Bauru, e desde muito pequena sempre teve paixão por se fantasiar, assim como Beatriz Alineri Pauli, que começou a fazer cosplay porque gostava de incorporar seus personagens favoritos.

“Eu não sabia que isso tinha um nome até eu ficar mais velha, e quando eu descobri que o cosplay era um movimento de pessoas que faziam isso, realmente, decidi fazer também e eu me apaixonei desde o primeiro cosplay que eu fiz”, conta Maria Júlia

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Maria Júlia durante a Comic Con com cosplay de Mulher Maravilha

Diferente de Maria Júlia, Marina Tinti Andrade teve contato com o cosplay a partir de sua prima.

“Ela me levou no meu primeiro evento de anime quando eu tinha 10 anos, quando logo fui inserida nesse universo de cosplayers. Então, já no ano seguinte, com 11 anos, eu fiz meu primeiro cosplay”.

Quanto fica?

A produção de um cosplay varia muito do tipo de roupa e qual personagem será caracterizado. As três meninas concordam que personagens com armaduras são os mais difíceis de se fazer, além disso, perucas e outros acessórios mais especializados podem incrementar o preço da roupa, pois, muitas vezes têm que ser importadas.

Maria Júlia conta que seu cosplay mais trabalhoso foi o de vestido de noiva da personagem Margaery, de Game of Thrones. No total, demorou mais ou menos dois meses para ficar pronto e custou por volta de 800 reais. Isso porque o vestido continha 250 rosas feitas a mão e a peruca foi importada.

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Maria Júlia durante a Comic Con com cosplay de Margaery Tyrell, de Game of Thrones

“A dificuldade e o tempo gasto para se produzir um cosplay varia dependendo da dificuldade das roupas/acessórios do personagem em si. Por exemplo, um personagem que usa armadura ou alguma arma grande dá muito mais trabalho do que um personagem que usa apenas uma roupa relativamente comum e um penteado simples”, conta Marina.

O tempo e o dinheiro gasto podem parecem grandes, além disso, muitas pessoas veem o cosplay como “coisa de criança”, o que fez com as três meninas passassem por episódios de preconceito e até mesmo abuso.

Roupa não é convite

Encaradas, mãos que apalpam e até mesmo comentários mais sérios, tudo isso são coisas que muitas cosplayers enfrentam ao fazer o que gostam.

Para as três meninas, o grande problema que ainda é um ponto negativo para meninas que praticam o cosplay é o assédio sofrido pelos homens.

Beatriz conta que muitos homens já a encararam de uma forma que a deixou bem desconfortável.

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Maria Júlia durante a Comic Con com cosplayers de Game of Thrones

Já no caso de Maria Júlia e Marina, as duas meninas já passaram por casos de homens às pegando pela cintura, tentando relar na bunda das meninas e as apalpando. E isso acontece independentemente da roupa, pode ser um cosplay apertado e curto ou até mesmo em um vestido longo.

Lembrando que, a roupa de uma menina não é convite para assédio.

“E eu acho que pior coisa é sofrer assédio por causa de cosplay; eu já sofri assédio por causa de cosplay, eu acho que toda mulher que faz cosplay já sofre assédio. E essa para mim é a pior parte”, conta Maria Júlia

Prazer em ser cosplayer

Apesar de tudo, as três meninas amam fazer cosplay, e já até participaram de eventos como a Comic Con e outros.

Maria Júlia comenta que seus dois cosplays favoritos foram o de Margeary, de Game of Thrones, e de Bucky, do filme “Capitão América 2: O Soldado Invernal”. Marina já fez, ao todo, dois cosplays de Sakura, do anime “Sakura Card Captor”, dois cosplays da Hermione, da franquia “Harry Potter”, uma de Louise, do anime “Zero No Tsukaima”, uma de Canário Negro (Sara Lance), da série de TV “Arrow” e da personagem Rey, de “Star Wars”.

Beatriz, ao todo fez seis cosplays, sendo eles de Nami, do anime de One Piece, de Emma Frost, do X-Men, e a que mais gostou: de Jewelry Bonney de One Piece.

Todas elas contam que a sensação de estar em um evento e ser reconhecidas pelos seus cosplays é sensacional. Muita gente quer tirar foto e ainda parabeniza o trabalho delas.

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Maria Júlia durante a Comic Con com grupo de cosplayers

Além disso, Maria Júlia conta que o cosplay fez com que ela fizesse amigos novos, e sempre se encontram nos eventos que participam.

Para ela, “a sensação de fazer cosplay, para mim, é poder ter uma suspensão da realidade, fugir daquilo que você é sempre, poder agir de forma que geralmente você não agiria quando você tá sendo você mesma”.

Beatriz ainda completa que se sente a vontade de estar com outros cosplayers e de compartilhar a criatividade da prática.

Por fim, Marina completa:

“Cosplay é homenagear personagens e histórias que você admira e, através deles, ter a oportunidade de conhecer outras pessoas que têm gostos similares aos seus”.

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