No Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há 7.158 crianças disponíveis para adoção e 38 mil pessoas interessadas em adotar.

Essa diferença tão grande entre adotados e adotantes se deve aos longos procedimentos exigidos pela justiça brasileira e até mesmo pela pouco divulgação do processo.

Para contar um pouco como foi o processo de adoção, três mães bauruenses falaram da experiência e ainda tiraram algumas dúvidas sobre como a adoção funciona.

Por que adotar?

Ligia Gambetti possui três filhas, uma biológica e duas que foram adotadas: a Pietra, de 16 anos, e a Sophia, de 12.

Ela conta que sempre quis ter filhos, e após o casamento, passou três anos tentando engravidar, fazendo vários tratamentos nesse meio tempo.

“Engravidei com 31 anos e tive uma gravidez muito difícil, passei muito mal e nessa gravidez foi a primeira vez que pensei que poderia ter outras formas de ter filhos”, ela conta.

Quando sua primeira filha nasceu, a Úrsula, Ligia lembra que passou pelo quadro de depressão pós-parto, fazendo com que a adoção se tornasse ainda mais presente em sua mente.

“Passaram mais três anos e comecei a ter muitas dores, foi quando fui diagnosticada com endometriose grau quatro, e teria que uma retirar meus ovários, isso com apenas com 35 anos”.

Foi logo após a cirurgia que Ligia conversou com seu marido e os dois resolveram ter mais filhos, só que agora, por meio da adoção.

Sobre as duas filhas de adoção, Ligia conta:

“Sei e sinto que Pietra é igualzinha a mim por dentro, na personalidade. Já a Sophia é meu retrato de quando eu tinha meus 12 anos. Sou mãe energética e amorosa, igualmente entre as três, amo demais minhas meninas e elas vieram para nós com o maior amor que poderíamos dar”.

Lillian Flaitt e Carina de Castro são outras bauruenses que também encontraram na adoção uma forma de ter uma criança. Sobre o processo, elas comentam:

“Por que não adotar? Para mim e para Carina não existe absolutamente nenhuma diferença entre alguém gerado por mim ou por ela ou por outra (como foi o caso). Tínhamos a opção de inseminação, que não era descartada caso o processo demorasse pra acontecer. Mas fomos agraciadas com as gêmeas, Valentina e Lavínia. A adoção é um ato de amor como a geração de um filho, a diferença é que ele é gerado no coração. É a realização do sonho de ser mãe”.

No dia a dia

Para Lillian, todo o dia em que passa com as filhas é um aprendizado diferente, um novo momento e uma nova experiência.

Segundo ela e Carina, “elas nos ajudaram, nos deram a missão de educarmos e ajudarmos no desenvolvimento delas, em suas escolhas para serem seres humanos melhores”.

Tabu?
Ligia ainda conta que desde muito cedo, ela e o marido foram muitos abertos com as filhas, dando liberdade para que todos os assuntos fossem abordados.

“Elas, desde bebês, foram acarinhadas e amadas, mas sempre contamos que elas eram do coração, que vieram para nós de outra forma, mas que eram nossas. São minhas filhas independentemente de como ou onde vieram até mim!”, Ligia explica.

Preconceito

Ainda que as filhas das três bauruenses sejam muito amadas por toda a família e amigos, Ligia conta que já sofreu com preconceito de pessoas de fora, principalmente dos adolescentes e crianças que estudaram com as filhas.

“Durante toda a vida, elas terão alguém que irá tentar desestabilizá-las, comentando coisas como ‘você tem curiosidade de saber quem são seus pais de sangue?’, ‘não quer saber porque eles não te quiseram?’ entre outras coisas. São perguntas assim, que dentro de casa eu as ensinei a lidar, e que estamos aqui independente de tudo”.

Carina concorda com Ligia quando o assunto é preconceito, e completa:

“Infelizmente ainda existe muito preconceito. A adoção não é uma maternidade de segunda categoria, e eu sinto muito por aqueles que pensam assim. A adoção é entregar-se de corpo e alma, é amar sem limites, sem distinção. É realmente uma entrega. É estar pronto para a maternidade”.

Processo de adoção no Brasil

Conheça o passo a passo de como funciona o processo de adoção no Brasil:

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