No último Parapan-Americano, a delegação brasileira de natação acumulou o incrível número de 257 medalhas, sendo 109 de ouro, 74 de prata e 74 de bronze, chegando ao 2º lugar no quadro geral da competição.

Isso mostra que a atuação dos paratletas no Brasil demonstra grande eficiência, mas infelizmente, ainda são poucos reconhecidos.

Para contar um pouco mais sobre o tema, conversamos com Jonathan Martins de Souza, atleta de natação da ABDA, que recentemente conquistou a medalha de prata no campeonato de São Caetano. Ao todo, a equipe de natação de Bauru conquistou 27 medalhas de ouro, 16 de prata e três de bronze, levando o troféu de campeã.

Por que você começou a praticar esporte?

Minha história com a natação aconteceu de repente. Antes disso, eu sempre busquei me manter ativo por meio da academia e da musculação, até ser abordado em um supermercado pela Aline, minha técnica.

Por que escolheu essa modalidade?

Eu sempre gostei muito de água, mas nunca fiz aulas de natação na infância. A oportunidade surgiu, num primeiro momento, para que eu pudesse aprender a nadar. Com o passar do tempo, e depois de ter aprendido os estilos de nados, fui me interessando mais pelo esporte até participar do meu primeiro campeonato, o Campeonato Paulista – Troféu Daniel Dias, na sede do meu centro de treinamento.

E quais os benefícios da natação?

Os benefícios da natação são diversos e é um esporte que pode ser praticado por todas as idades. Por se tratar de um dos esportes mais completos e recomendados, a natação me proporcionou perda calórica e equilíbrio muscular, e melhorou minha postura e capacidade aeróbica.

Qual a importância, na sua opinião, do esporte na inclusão dos deficientes físicos?

São vários os aspectos positivos e que, pra mim, são muito mais do que saúde. Além de todos os benefícios físicos e de melhorar a autoestima e a confiança em nós mesmos, o esporte me traz a sensação de que podemos realizar muitas coisas dentro das nossas limitações e adaptações.

O sentimento de independência e igualdade vem junto, porque, em minha opinião, não existem diferenças no esporte se você é ou não pessoa com deficiência, o espírito esportivo e a determinação são os mesmos.

Há alguma adaptação no seu esporte?

Os treinos são adaptados de acordo com a patologia da pessoa, respeitando suas limitações. Para as competições, é preciso realizar o que chamam de Classificação Funcional. Ela é realizada pela equipe da Federação Nacional (ou Internacional, quando são mundiais ou as Paralímpiadas).

A equipe determina qual a classe em que o atleta se enquadra, na natação vai de S1 a 14, onde quanto menor o grau da lesão, maior (e mais competitiva) é a classe. Pode ocorrer de o atleta ter classificações diferentes em algumas provas, como o nado peito (SB) e o medley (SM).

esportes deficientes bauru
Jhonatan e sua equipe de natação

Há quanto tempo você pratica? O que você sentiu de diferente em sua vida desde que começou a praticar o esporte?

Estou praticando há pouco mais de nove meses e minha evolução tem sido bastante significativa. Os treinos são realizados todos os dias da semana e sempre acompanhados por profissionais especializados. De cara, no primeiro momento, eu senti o impacto dos treinos que me ajudaram a perder peso rapidamente. Hoje eu me sinto mais disposto e com maior fôlego para encarar treinos mais intensos ou de longa duração. A minha respiração, flexibilidade e postura melhoraram muito também.

Você compete profissionalmente ou o esporte é apenas um hobby?

Atualmente tenho me preparado todos os dias para competir representando a cidade e a ABDA nos campeonatos em que for escalado. Quem sabe um dia, com muito treino e dedicação, a nossa Seleção Brasileira Paralímpica (risos).

Em Bauru, existem locais adequados para a prática de esportes para deficientes?

Sei que existem alguns projetos de inclusão na cidade. Gostaria de falar, em especial, da ABDA, onde eu realizo os treinos. A ABDA é uma associação que promove a inclusão social entre crianças e jovens por meio do esporte.

As modalidades são natação e atletismo para pessoas com ou sem deficiência, e também polo aquático. Milhares de alunos são atendidos nos sete centros de treinamento espalhados pela cidade e tudo isso é feito de forma gratuita para a comunidade.

Na sua opinião, existe preconceito por parte da população ou não?

Acredito que a nossa realidade precisa ser mais inclusiva. Na minha opinião, acho que as pessoas com deficiência deveriam ter uma atenção especial para que tenham igualdade de oportunidades não só nos esportes, mas em toda a sociedade. Ainda percebo que existem algumas dificuldades ou faltam instalações com estruturas que possam atender a gente.

Natação para a vida

Glauciene Martino Ribeiro também é atleta da natação da ABDA e conta que desde cedo foi muito agitada e sempre praticava esportes, chegando até mesmo a competir pela ginástica olímpica.

Após ter uma doença, Glauciene viu sua vida mudar por completo:

“Fiquei anos sem fazer nada. Apenas com a fisioterapia. E o que podia me ajudar seria algo relacionado com a água. Como vi que estava piorando, comecei a procurar até que cheguei na ABDA”.

Para ela, o esporte trouxe liberdade mais uma vez para sua vida, mostrando que as limitações podem ser superadas!

“Minha vida mudou muito. Eu me sinto livre e tenho a sensação de não ter problema físico algum quando eu nado. Eu me sinto livre. O esporte me trouxe objetivos, sonhos. Sem o esporte, eu estaria muito pior do meu problema de saúde”, ela conta.

Outros esportes

Em Bauru, a ABDA (Associação Bauruense de Desportos Aquáticos) atua com natação e atletismo para deficientes, os mais populares no Brasil!

Contudo, existem várias modalidades adaptadas que podem ser praticadas por todos! Confira alguns deles e como funcionam:

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