O fim de um relacionamento pode ser um momento conturbado para ambas as partes. Colocar um ponto final em um convívio tão íntimo pode parecer difícil logo de cara, contudo, esse ponto final pode ser uma vírgula.

Há quem diga que possa parecer loucura, mas a amizade com um ex-namorado pode existir, tão forte a ponto das duas pessoas se tornarem melhores amigas! É o que conta Barbara Alcântara e Gabriella Brizotti, estudantes de Bauru que se relacionam bem com quem, um dia, já foi namorado.

Acabou

Barbara conta que namorou por um ano e meio antes de acabar com seu relacionamento, com quem atualmente é seu melhor amigo.

“Foi turbulento assim como todo o nosso relacionamento. Sempre nos gostamos muito, mas nos desentendíamos em quase tudo! Quando terminamos, foi algo consensual do tipo ‘extrapolamos os limites do bom senso e perdemos todo o respeito um pelo outro, não tem como continuar’ – só que com os nervos bem mais à flor da pele!”, ela relembra.

Depois do término, os dois ficaram seis meses sem conversar, até se bloqueando das redes sociais.

“Eu sempre tive muito contato com os amigos dele porque nosso círculo de amizades é bem próximo, com muita gente em comum. Era meio impossível escapar do contato, mas foi bom ao menos não acompanhar tudo o que ele fazia por um tempo, assim podia focar em outras coisas, como nos rumos da minha vida”.

O fim de relacionamento de dois anos e dois meses de Gabriella também foi turbulento e ela lembra que quando pediu pelo fim do namoro, ele ficou muito mal, se afastou e não conversou mais com ela.

“Ficamos um bom tempo sem se falar, algo como seis meses! Ele me bloqueou das redes sociais e não queria falar comigo, mas como temos amigos em comum era impossível não nos encontrar, então depois de esse tempo, ele me desbloqueou e hoje temos uma boa relação”.

Um novo começo

É curioso como uma situação ruim pode trazer novas oportunidades. Barbara lembra que quando seu relacionamento acabou, seu ex-namorado lhe disse: “terminamos essa relação porque ela claramente não funcionava pra gente, mas isso não significa que a gente não vai se relacionar mais, só vamos criar outra que nos faça melhor”.

E foi o que os dois fizeram!

“Ele como amigo é uma pessoa incrível, e nunca mais brigamos ou nos desentendemos (e também nunca mais ficamos, desde o dia em que terminamos o namoro, que já faz uns três anos). Acho que é parte do amadurecimento emocional você entender que as coisas não são tão antagônicas assim. Não existem apenas duas ou três maneiras de se relacionar, e sim uma gama infinita de possibilidades, e cada um se ajusta ao que lhe convém – seja no namoro, na amizade, dentro da família, etc”, conta Barbara.

E completa:

“A gente fala como se namorar alguém fosse uma relação completamente diferente de qualquer outra, e não é. Pra mim, acima de qualquer coisa, quando me relaciono com alguém é porque gosto dela como pessoa, como companheira, como amiga. Então não faz sentido algum simplesmente cortar relações porque aquela, daquele tipo, se desgastou”.

No caso de Gabriella, a amizade com o ex-namorado é algo importante para ela, principalmente depois da história que tiveram juntos.

“Vivemos tantos momentos bons juntos, porque se odiar agora? Isso foi algo que eu falei muito pra ele e fez repensar na decisão de se afastar”.

Amizade pode, sim!

É comum que muitos acreditem que uma amizade entre homens e mulheres não exista – imagina só entre ex-namorados!

Para essas pessoas, as duas estudantes têm uma resposta:

“A gente tem que parar de acreditar nessa ideia do ‘viveram felizes para sempre’. É uma pena porque tem uma galera perdendo grandes oportunidades de construir relações saudáveis e duradouras por aí, simplesmente porque não enxerga a possibilidade de reinventar relações, de reconstruir histórias. Ou então tem gente que se submete à situações escrotas pelo medo de ‘dar errado’, de acabar. Mas quem é que disse que ‘dar certo’ é nunca acabar? É claro que não é todo namoro que vai virar amizade, da mesma forma nem toda amizade dura pra vida toda. E tudo bem não durar. Tudo acaba uma hora ou outra, sejam as relações, os ciclos, os pratos de comida ou até mesmo a nossa vida”, afirma Barbara.

“As pessoas escolhem suas amizades, sejam homens, mulheres ou ex. Não tem porque não manter a amizade, se foi algo que por um tempo te fez bem. Eu acredito nisso, que se pelo menos não tiver uma grande amizade, que tenha pelo menos respeito, que é essencial”, completa Gabriella.

Mas está tudo bem não rolar

É claro que muitas vezes um relacionamento pacífico com o ex-namorado é impossível, dependendo de como o namoro aconteceu e terminou… e está tudo bem!

Paula Berlim também é estudante de Bauru, e conta que seu último relacionamento durou dois anos e quatro meses. O término foi amigável entre os dois, não tendo nenhuma discussão, briga, polêmica nem nada sério.

Mas a amizade entre os dois depois simplesmente não deu certo.

“Ele tentou manter a amizade, pediu para continuar a ser meu amigo. Eu tinha dito que era melhor a gente se afastar, pelo menos no começo. Eu disse que entraria em contato com ele quando eu estivesse melhor. Contudo, conforme o tempo foi passando, eu fui melhorando, vi que não tinha necessidade nenhuma de ter a amizade dele. Não teria mais como ter mais nenhuma relação com ele, muito menos de amizade”, ela conta.

Ainda assim, Paula conta que mesmo não sendo amigos, não guarda mágoa ou rancor do ex, contudo, desde o término, eles nunca mais se falaram, e para ela, está tudo bem.

“Foi bem difícil nos cinco primeiros meses. Eu cortei total contato com ele e, caso não tivesse cortado, teria sido bem pior. A vontade de chamar ele, de conversar era enorme, mas me mantive forte. Hoje, vejo que essa decisão foi essencial para que eu pudesse verdadeiramente superá-lo e seguir minha vida. O resultado? Consegui seguir em frente, e encontrar a felicidade novamente – não só em outras pessoas, afinal, aprendi que posso amar e me apaixonar de novo – mas principalmente por mim. Encontrar a felicidade em mim. Agradeço o tempo todo pelo processo de término ter sido como foi. Sem ele, não seria a pessoa forte que sou hoje”, finaliza.

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