O fenômeno das fake news está cada vez mais presente no dia a dia dos internautas. Com a rapidez da internet e a facilidade que qualquer pessoa tem de veicular informações, as notícias falsas estão se tornando preocupantes para a sociedade como um todo.

Segundo estudos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, as fake news se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras, e alcançam muito mais gente.

Conversamos com especialistas em gerenciamento de mídias que explicaram o porquê das fake news estarem tomando tanta força e como evitá-las.

Internet soberana

Para entender a força das fake news hoje em dia, primeiro temos que analisar o papel que as redes sociais têm tomado na vida das pessoas. Publicações do Facebook, Whatsapp e da internet em geral têm se tornado verdade absoluta para muitas pessoas.

Após tomarem a fake news como verdade, as pessoas começam a compartilhar as informações errôneas para seus contatos, virando uma grande bola de neve.

“As fake news ganharam tanta força porque, hoje, as pessoas têm mais meios de entrar em contato com informações do que antes. Antes era preciso saber uma mentira apenas através de fofoca ou de uma informação mal-intencionada publicada em algum veículo, mas mesmo assim era preciso esperar. As pessoas tinham horário para serem informadas no passado. Hoje isso acontece o tempo todo e tem gente que se aproveita para disseminar informação falsa”, explica o especialista em conteúdo e marketing digital, Gustavo Cândido.

Vulnerabilidade

As fake news tornaram as pessoas cada vez mais vulneráveis, consequência da falta de apuração necessária por parte do jornalista e busca por mais informações sobre o conteúdo por parte das pessoas.

“Muita gente gosta de compartilhar o que lhe causa comoção e indignação e não tem a sensibilidade de checar a fonte, de pesquisar sobre a notícia e avaliar todo o contexto”, afirma a organizadora do Blogando (empresa de comunicação), Simone Bazotti.

E Gustavo ainda completa:

“A pessoa sente que se torna uma influenciadora se ela compartilha, mesmo que no grupo da família. Outro fato é que as pessoas querem sempre ter razão e quem sempre quer ter razão corre o risco de não enxergar o mundo como ele é. Cria uma bolha e vive dentro dela, negando o que há fora”.

Marcelo Bueno também é organizador do Blogando e alerta as pessoas para as coisas que aparecem no feed no Facebook ou nos grupos de família.

“Estamos em uma era onde as pessoas buscam maneiras de afirmar suas convicções e as redes sociais nos isolam em algumas bolhas de relacionamentos. Geralmente, todo conteúdo que você vê na sua página do Facebook são de pessoas que você tem mais afinidade. Portanto, fica cada vez mais difícil desconfiar quando vemos um amigo ou parente compartilhando algo”, ele conta.

As consequências

Uma notícia falsa pode criar uma séries de problemas, desde prejudicar a imagem de alguém, acabar com uma marca até tornar uma mentira, verdade. Gustavo ainda exemplifica a atuação dessas falsas notícias na realidade brasileira.

“Aconteceu muitas vezes na história. Para citar um caso no Brasil da era pré-internet, o último debate entre os candidatos à presidência em 1989 é um clássico das fake news. Quem não viu ao vivo foi levado a crer nos dias que se seguiram em matérias de telejornais que Fernando Collor foi muito melhor que Lula. O conteúdo editado, repetido à exaustão, não deixava dúvida. Funcionou. Pelo menos naquele momento. Depois a gente viu o que aconteceu”, ele conta.

Marcelo completa a ideia com um exemplo ainda mais atual!

“Muitas vez um boato pode terminar em agressões físicas ou até mesmo morte. Há alguns anos, uma mulher foi linchada na rua de Praia Grande porque havia um boato que ela era sequestradora de crianças. Por isso, precisamos mudar nossos hábitos e questionar sempre antes de enviar uma notícia como essa para um grupo de whatsapp ou compartilhar na nossa própria rede social”.

E não são só as pessoas que sofrem com o fenômeno das fake news, mas o jornalismo também é constantemente atacado por elas, isso porque, com a necessidade de velocidade de informação, algumas apurações necessárias acabam passando.

“As mídias tradicionais têm tido muito mais trabalho porque a apuração de uma notícia verdadeira demanda tempo, acesso às autoridades e ainda leva um tempo para validar uma notícia. Nas redes sociais, uma notícia falsa se espalha dez vezes mais rápido que uma notícia verdadeira”, explica Marcelo.

E continua:

“Em Bauru, temos o exemplo recente da fuga de presos do CDP e o caos que as notícias falsas alarmantes causaram na cidade. Os veículos tentaram agir o mais rápido possível, mas não foi o suficiente”.

Com evitar as fake news?

Para descobrir se uma notícia é fake, basta um pouco de atenção e leitura, sempre se atentando às dicas que Simone e Marcelo dão:

“Ficar atento! Mesmo que seja algo muito compartilhado, nem sempre é verdade. Se receber algo alarmante, duvidoso, de fonte desconhecida, faça uma pesquisa, leia sobre e enquanto não tiver certeza que é verídico, não repasse e não compartilhe”, alerta Simone.

“As fake news possuem uma estrutura muito comum: os títulos são alarmantes e seus textos não indicam fontes confiáveis des opiniões. Precisamos entender que somos responsáveis pelo conteúdo que consumimos e também por aquilo que compartilhamos, mesmo com boas intenções. É necessário analisar tudo que chega no grupo de whatsapp se existe um fundo de verdade e, na dúvida, não compartilhar”, finaliza Marcelo.

Para te ajudar na hora de combater as fake news, conheça alguns sites e aplicativos que desmentem qualquer notícia falsa. Baste clicar no ícone da mãos para ser redirecionado para o site:

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