Escolher uma profissão pode ser uma coisa bastante complicada. Tomar uma decisão tão cedo pode gerar dúvidas no futuro, afinal, nem sempre sabemos o que fazer!

Principalmente para quem está nessa fase de decisão e com os vestibulares batendo na porta, conversamos com alguns bauruenses que contaram como foi a escolha da faculdade e a fase de indecisão profissional.

A decisão

Quando estamos no terceiro ano, nos 45 minutos do segundo tempo, escolher uma faculdade e uma profissão é um caos! É o que conta Luis Felipe Silva, hoje, aluno de jornalismo da Unesp:

“Eu fiz química durante o ensino médio e meu sonho era entrar na Unicamp. Não sei se por sorte ou por ajuda do destino, eu entrei logo que eu saí do ensino médio. O primeiro ano foi aquele caos. Mesmo já sendo técnico, a graduação é totalmente diferente. Me sentia impotente, infeliz, mesmo com todo apoio e suporte da Universidade”.

Poucos meses depois, Luis decidiu mudar! Durante os seis meses de curso em química, ele já trabalhava na área e ganhava razoavelmente bem, e a incerteza sobre os cursos de comunicação fizeram com que o estudante perdesse noites de sono pesquisa e pensando.

“Pensei em economia, mas eu lembrei que, ainda no ensino médio, eu tinha uma paixão por me comunicar. Sempre batia uma ponta de vontade de fazer jornalismo. Então me inscrevi no único vestibular que ainda estava aberto àquela altura e passei. Em 2016, comecei minha graduação na Unesp!”, relembra Luis.

E essa indecisão não é única de Luis! Muitos outros estudantes já sofreram com a pressão de escolher um curso, principalmente quando os pais são o foco dessa pressão!

Rodrigo Rocha é aluno de Design e sempre foi levado pelos pais a fazer engenharia ou alguma outra área das exatas, e só depois de muitos resultados frustrantes nas provas de vestibular, foi que ele realmente percebeu sua vocação.

“Eu cresci tendo uma facilidade para aprender exatas e com isso as pessoas já idealizavam que eu faria engenharia, tive até como referência minha irmã que fez engenharia química. Foi bem aquela cabeça de família tradicional: fazer os cursos de maior status, e lá fui eu fazer cursinho para prestar engenharia civil. Fiz uma prova de meio de ano na qual eu não consegui o resultado esperado, e aquilo me causou uma grande frustração, porque eu vinha estudando muito mais do que estava acostumado”, ele conta.

E completa:

“Eu percebi que aqueles cursos não faziam o menor sentido pra mim, até porque além da facilidade com exatas, eu também tinha uma ligação muito grande com artes na época de escola. Acabei decidindo por design por ser uma forma moderna da arte, aquilo que eu sempre idealizei profissionalmente de forma incubada”.

Uma mãozinha profissional

Assim como Rodrigo, muitas pessoas encontram nos testes vocacionais uma forma de clarear a mente e, assim, conseguir decidir qual caminho profissional trilhar.

A pedagoga da USC (Universidade do Sagrado Coração), Ketilin Mayra Pedro, explica o porquê, muitas vezes, as pessoas sentem tanta dificuldade em escolher a profissão.

“Hoje não é possível prever quais serão as profissões do futuro, no entanto, é certo que algumas profissões irão desaparecer e outras irão surgir. Diante desse cenário há ainda questões relacionadas à qualidade da universidade, afinidade com a área, mudança de cidade, que são questões que também preocupam os jovens que estão na fase do vestibular”, ela explica.

Ela ainda afirma que essa indecisão profissional não é só para os jovens que vão prestar um vestibular. A insegurança e medo do futuro fazem parte da vida de qualquer jovem, seja ele recém-formado ou vestibulando.

Outro problema que pode dificultar a escolha de uma carreira profissional é o sistema de ensino vigente no país, que muitas vezes, não estimula o aluno a conhecer todas as áreas do conhecimento.

“A educação básica ainda prioriza as áreas de português e matemática, impossibilitando assim que os alunos vivenciem e descubram talentos em outras áreas, como teatro, dança, idiomas, artes, enfim. Ao longo da vida escolar os jovens têm poucas oportunidades de contato com todas as áreas do conhecimento, o que, muitas vezes, restringe sua escolha profissional no futuro”, afirma a pedagoga.

Quando a percepção muda

Mesmo após a decisão ser tomada, a incerteza ainda fica presente no dia a dia da pessoa. Mas, nem tudo é um filme de terror, principalmente para Luis e Rodrigo, que conseguiram se encontrar em suas novas decisões!

Ao serem questionados sobre o momento em que identificou com o jornalismo, Luis e Rodrigo confessam:

“Quando eu pude contar histórias de outras pessoas. Eu sempre fui apaixonado por gente e por toda a confusão que o ser humano é. A gente vive de emoções — boas e ruins — e isso é lindo! Quando pude contar a história de uma personagem de uma reportagem e isso tocou outra pessoa, foi sensacional. É claro que o jornalismo não é esse mundo encantado, mas tem esse quê de encantamento”, afirma Luis.

“Minha identificação começou logo início do curso, porque tive uma noção mais completa do que eu realmente estava me metendo. No meu primeiro ano participei de um RDesign (evento regional de Design), onde tive contato com várias vertentes da profissão e foi isso que me deixou mais encantado e motivado!”, conta Rodrigo.

O primeiro passo para o começo

Mas, se você ainda está em dúvida em qual caminho seguir, a pedagoga Ketilin conta qual é o primeiro passo nesse momento de tanto indecisões!

“O primeiro passo deve ser reconhecer as áreas que você gosta e que acredita que possui maiores habilidades, depois dessa etapa, o ideal é pesquisar os portfólios de cursos das universidades e identificar as carreiras que tenham relação com seus interesses e perspectivas de vida”.

Luis e Rodrigo também dão dicas para quem está nessa fase!

“Acho que todo mundo deveria saber que podemos mudar. Entrar num curso de graduação não é impeditivo de respirar novos ares e mudar, caso não se identifique. Além disso, dentro de um mesmo curso há diversas possibilidades de atuação. Tá tudo bem! É isso que é preciso ser dito! Está tudo bem sair do curso, tudo bem trocar de área e recomeçar. Conversar com o máximo de pessoas possíveis e coletar o máximo de informações sobre a área é fundamental”, Luis enfatiza.

E Rodrigo finaliza:

“Minha dica é não ignorar aquilo que é verdade para você. Eu acredito viver numa geração que as pessoas buscam muito mais realizações pessoais do que profissionais, então, busque uma profissão que seja parte da sua realização pessoal, que te traga felicidade e que não seja só fonte de dinheiro, que seja fonte também para o seu prazer de vida!”

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