Era dezembro de 1989 e, com a vitória de Fernando Collor, havia grande apreensão pela indicação do ministério do governo recém-eleito. O presidente queria pessoas de expressão, com grande capacidade e elevado reconhecimento profissional.

Para a pasta da Infraestrutura, recém-criada e um dos ministérios mais importantes para o país, foi convidada uma pessoa que era quase uma unanimidade. O ministério de Infraestrutura incorporou os ministérios das Minas e Energia, Transportes e Comunicações. Tornou-se, assim, um superministério. Mas quem seria o novo ministro de tão egrégia pasta? O indicado fora Ozires Silva.

Ozires é engenheiro aeronáutico, formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Destacou-se pela expressiva contribuição para o desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. Em 1969, havia liderado a equipe que desenvolveu a Embraer, considerada, hoje, como uma das maiores empresas aeronáuticas do mundo. Iniciou-se a indústria aeronáutica brasileira, e um dos primeiros frutos surgiu com o projeto e construção do avião Bandeirante. Silva presidiu a Embraer até 1986, quando foi convidado a assumir um novo desafio em sua carreira: presidir a Petrobrás, onde ficou até 1989.

No ano seguinte, assumiu o superministério da Infraestrutura. Em 1991 retornou à Embraer, para liderar o processo de privatização da empresa, findo em 1994. Isto permitiu que a nova corporação se tornasse um expoente da indústria mundial de aviões. Também foi presidente da Varig no período de 2000 a 2002. Nos anos seguintes continuou trabalhando na iniciativa privada nos ramos educacional e de biotecnologia.

Ozires Silva é uma das figuras contemporâneas mais expressivas e respeitadas no Brasil e no exterior, sobretudo na área de engenharia aeronáutica. Conseguiu construir, através de seu espírito empreendedor, sua capacidade intelectual, humanidade e extrema humildade, um currículo extraordinário, através de uma vida proba, ilibada. Sem nódoas.

Marcos Cesar Pontes também é engenheiro aeronáutico, formado pelo ITA; bacharel em tecnologia aeronáutica e em administração pública pela Academia da Força Aérea de Pirassununga. Tem mestrado em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, Monterrey, Califórnia.

Foi o primeiro astronauta latino-americano a ir ao espaço, a bordo da nave russa Soyuz TMA-8. A partir de 2011, se tornou embaixador da UNIDO-Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial. Recebeu a medalha Mérito Santos Dumont, entregue a quem prestou destacados serviços à Aeronáutica brasileira ou, por suas qualidades ou seu valor, e a Yuri A. Gagarin Gold Medal, pela FAI-Fédération Aéronautique Internationale, de Lausanne, Suíça.

Pontes, nos últimos dias, também foi convidado a ocupar um Ministério, o de Ciência e Tecnologia. Marcos recebeu várias críticas ao passar para a reserva após a missão espacial. No entanto, essas críticas são, a meu ver, infundadas, pois, Pontes se tornou uma celebridade e com muito conhecimento e contribuição a dar ao povo brasileiro e de outros países. Afinal, para chegar onde ele chegou, mesmo não sendo o principal cosmonauta da Missão, é preciso ter uma capacidade que suplanta em muito a média dos demais mortais.

Pontes tem procurado transmitir sua experiência como astronauta por meio de muitos tipos diferentes de eventos, falando de sua viagem e divulgando a ciência aeronáutica. Em Bauru, promove regularmente o “Arraiá Aéreo”, com o apoio de importantes entidades e órgão públicos e privados, tornando a ciência aeronáutica mais próxima do cidadão comum. Quem quiser se aprofundar sobre a vida e a carreira desses dois engenheiros, basta ler os diversos livros publicados sobre eles.

O que estes dois engenheiros têm em comum? Além daqueles aspectos aqui já apontados, há que se reafirmar que Ozires e Pontes possuem capacidade intelectual acima da média. Primeiramente, ingressar no ITA já é um feito para poucos. Desenvolver habilidades como pilotos de aeronaves militares, também não é para qualquer um. Se esforçaram bastante para chegar ao patamar onde estão e o fizeram com os próprios méritos. Ambos foram reconhecidos como profissionais de excelência pela Assenag-Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru e por outras entidades de engenharia e de outras áreas. Um já exerceu a função de ministro de estado e de presidente de proeminentes empresas estatais e privadas. O outro deverá ser ministro no novo governo.

Por fim, ambos são bauruenses ilustres, que despertam muito orgulho em seus conterrâneos. Em uma época, onde políticos e empresários são julgados e condenados por corrupção, estes dois possuem “ficha limpa” e currículos invejáveis. Mas, nem por isso perdem a humildade que caracteriza os grandes homens.

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