A luta das mulheres é contínua para conquistar os espaços no mundo. Seja nos cargos de poder ou nos lugares de fala, elas se levantam com a bandeira na mão e o grito na garganta – lugar de mulher é onde ela quiser! E elas estão sim nas ruas e nos muros de Bauru.

A arte do grafite também é dominada pelas bauruenses, que estão por aí, espalhando cor e dando vida ao cenário urbano. Mas em meio aos traços nas paredes e às latas de tinta, o machismo está lá. E é preciso resistir!

Confira a história de duas grafiteiras de Bauru, a Franciele Vitória Rocha Ribeiro e a Mari Monteiro:

Pinte como uma garota

“Comecei no grafite em 2015. Quando eu comecei a trabalhar na Fundação Casa, o Gabriel Hune também trabalhava lá e me chamou para começar a pintar. Na época, eu estava aprendendo a tatuar e ele falou que, como eu já desenhava, eu deveria começar a pintar. Lembro que eu disse ‘acha, comprar tinta pra pintar o muro dos outros de graça?’. Até que fui na abertura da Casa do HIP HOP, tinha uma exposição de telas dos grafiteiros e me encantei muito. Comecei a fazer uns esboços, logo fui pra rua e estou até hoje. Hoje, temos muitas mulheres que grafitam e muita mulher incrível, mas acredito que falta mais visibilidade. Ser grafiteira é como ser mulher em qualquer lugar. Tem que buscar seu espaço, conquistar o seu lugar todos os dias, sofrer e viver. Ser mulher já é difícil, mulher que grafita e artista é uma superação a cada dia. O mais marcante foi quando fui para o Chile de férias, eu nunca tinha viajado para fora, nunca tinha andado de avião e não sabia falar espanhol. Comprei as passagens, fui na cara e na coragem. Lá eu conheci pessoas incríveis, mulheres que pintam, que me acolheram, e pude fazer dois grafites lá. Foi surreal. Aqui em Bauru, estamos nos unindo cada vez mais e o que falta para as grafiteiras do futuro é visibilidade e respeito. Que valorizem nosso trabalho. Como sempre digo: pinte como uma garota” – Mari Monteiro.

Ser mulher no grafite é resistir!

“Comecei por meio de uma oficina de grafite ministrada pelo grafiteiro Vini Vira-lata, na casa do Hip Hop de Bauru. Uma amiga me indicou a oficina, após eu ter feito uma pintura num quarto. Eu já tinha ouvido falar em grafite, mas fui conhecendo melhor depois de começar a fazer. Existem muitas mulheres grafiteiras e é sempre importante a introdução das mulheres em todas as áreas, no graffiti não é diferente. Quando comecei, existiam pouquíssimas mulheres grafiteiras, de verdade! Vi o quão escasso era a ocupação por mulheres nesse meio. Isso sempre me incomodou muito e, tentando alcançar mais mulheres e envolver mais mulheres nesse meio, tomei a iniciativa de fundar a Produção Força Feminina, que começou em março de 2018. O objetivo é fazer um mural de graffiti composto somente por mulheres. Tem dado muito certo, na nossa última edição, em dezembro, reunimos 13 mulheres. Somos muito bem representadas por mulheres artistas incríveis. Ser mulher no grafite é resistir! É estar à mercê do desrespeito e da subestimação, não só dos homens, mas como um todo. É se esforçar dez vezes mais só por ser mulher. É buscar se destacar para conseguir espaço, é uma luta constante. Muitas vezes me deparo com o desrespeito, com a subestimação (às vezes vindo de outros artistas), é um meio machista. Mas também têm situações lindas em que conheço histórias e salvamos o dia de muitas pessoas. É o principal objetivo do grafite: o alcance. Para o futuro das grafiteiras espero que continuem com os trabalhos e que sempre incentivem e inspirem outras mulheres!” – Franciele Vitória Rocha Ribeiro.

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