Uma boa ação acontece quando menos se espera; para fazer alguém feliz não é necessário algo grande, apenas pequenos gestos feitos de coração podem transformar não só um indivíduo, mas toda a sociedade.

No Jardim Vania Maria, em Bauru, um professor de sociologia da escola Maria Aparecida Maschietto Okazaki, que já leciona há mais de 25 anos, transformou a história de um aluno que tinha um sonho: jogar ping-pong.

Luiz Eduardo Conchineli ainda não acredita na proporção que seu ato tomou, e fica com os olhos cheios de pensar em seu aluno.

Uma ação solidária

João, aluno de Luiz, entrou na escola Maria Aparecida há três anos, e desde o começo se mostrou fascinado pela mesa de ping-pong que se localiza no pátio do colégio. Impossibilitado de jogar, o garoto passava os intervalos assistindo aos amigos se divertirem.

A doença do menino, a epidermólise bolhosa, criar uma membrana sobre as mãos que impedem o paciente de movimentar os dedos.

O menino, contudo, não sabia que do outro lado do pátio, o professor Luiz o observava e via a sua paixão por algo que parecia tão simples para os demais alunos.

“Eu comecei a observar que todo intervalo, o João parava a cadeira de rodas dele milimetricamente sempre no mesmo local, como um ritual e ficava assistindo a partida, por uns 5 minutos. E aquilo foi me intrigando: ‘por que esse garoto para sempre ali com a cadeira?’ E percebi que na verdade, é que ele queria jogar”, conta o professor.

Naquele dia, antes de dormir, Luiz começou a pensar em uma forma de possibilitar que o aluno conseguisse segurar a raquete na mão.

Sem ajuda de nenhum tutorial ou instrução, o professor de sociologia começou a bolar algo não muito pesado, para não machucar o braço do menino, nem muito mole, para dar sustentação. Usando algumas ferramentas e objetos que tinha em casa, Luiz começou a bolar a projeto da luva de ping-pong.

“Eu fiquei com muito medo de não dar certo e criar expectativas na cabeça dele. Tanto que, para eu pegar as medidas para ver se o cano daria certo ou não, eu pedi ajuda da cuidadora dele”, explica Luiz.

Gesto que mudou vidas

Depois de muitos dias pensando no projeto, colocando-o em prática e aperfeiçoando, Luiz finalmente conseguiu presentear seu aluno com a luva personalizada, dando a João muito mais do que uma possibilidade de poder jogar. Luiz o presenteou com um ato de amor e esperança.

“Foi tudo muito simples, com coisas que você acha em qualquer lugar e ele tá lá jogando, brincando, muito feliz”.

A emoção de poder ajudar um aluno não fica só na voz de Luiz, mas em suas feições. Quando pensa em João usando a luva feita por ele para jogar, o professor fica com lágrimas nos olhos e demonstra sua bondade e compaixão com o próximo.

“Foi gratificante! Foi muito legal que, na hora que ele acertou a bola, a escola vibrou! E outro dia, fiquei olhando ele jogar e chorei bastante. É muito emocionante. Eu fiquei muito feliz”, conta o professor.

Paixão pela profissão

O professor Luiz também se mostra um amante de sua profissão, além de lecionar sociologia, ele também dá aulas de história e geografia, além de ser pós-graduando na Uninter em ensino superior.

Além do projeto da luva de ping-pong, que já atingiu mais de três milhões de pessoas em uma publicação nas redes sociais, a repercussão de sua boa ação fez com que Luiz começasse a se importar com o problema de acessibilidade para outras pessoas que como João, colocando em prática o que aprendeu em sala de aula.

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