Não é de hoje que os canudos são fazem parte da nossa rotina. Em 3.000 a.C., a civilização suméria já os usava durante a fermentação da cerveja. O canudo, naquela época, era basicamente um tubo de ouro enfeitado com pedras preciosas azuis, muito parecido com a bomba de chimarrão e tererê de hoje.

Em 1800, o canudo de palha se tornou popular por ser barato e macio, contudo, não durou muito tempo, já que ele deixava a boca com gosto de centeio quando entrava em contato com a água. Foi em 1888 que surgiu o canudo de papel, nascido para solucionar os problemas do canudo… por pouco tempo.

Com a descoberta do petróleo a a invenção dos plásticos, os canudos de papel deixaram seu reinado soberano para os canudinhos de plástico, que conhecemos tão bem.

Ele é feito do petróleo, uma fonte não renovável e que demora centenas de anos para se decompor na natureza. Não só os canudinhos, mas os plásticos descartáveis em geral se tornaram um risco para o meio ambiente.

Consumo desenfreado

Só nos Estados Unidos, diariamente, são utilizados mais de 500 milhões de canudos plásticos diariamente. O Fórum Econômico Mundial relata a existência de 150 milhões de toneladas métricas de plásticos nos oceanos. Caso o consumo de plástico siga no mesmo ritmo de hoje, cientistas preveem que haverá mais plástico do que peixes no oceano até 2050.

Outra pesquisa publicada em 2015 na revista Science mostra que a humanidade gera um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano. Desse total, de 4,8 a 12,7 milhões de toneladas chegam aos oceanos.

Pensando nisso, nos últimos anos, tanto países quanto marcas multinacionais se mobilizaram para banir o uso de canudos de plástico. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro foi a primeira cidade a criar uma lei que proíbe o uso dos canudinhos, em 2018.

Mas, por que os canudos?

Muito se questiona sobre a proibição dos canudos. Esse embate ecológico acontece porque os canudos são objetos leves e usados praticamente a todo instante entre as pessoas, chegando facilmente ao mar. Lá, o canudo não se decompõe, fragmentando-se lentamente em pedaços cada vez menores, frequentemente confundidos com comida pelos animais marinhos.

“Além disso, os canudos não podem ser reciclados. A maioria dos canudos são muito leves para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’águas e oceanos”, é o que aponta a ONG norte-americana, Lonely Whale.

A proibição dos canudos acabará com o problema do plástico e do lixo? Não, mas ajuda! O primeiro passo deve ser tomado e a mudança deve ser aplicada de forma gradual. Um dia, os canudos, no outro, os copos plásticos e as garrafas, e no fim a sociedade aprenderá a abrir mãos dos plásticos descartáveis.

Bauru sem canudos!

Pensando no meio ambiente, uma bauruense aluna de publicidade e propaganda da ESPM-SP, Olívia Ban Navarro, de 18 anos, começou o seu próprio negócio online, oferecendo às pessoas uma opção ao canudinhos: canudos de inox.

A ideia surgiu após uma aula de criação na faculdade, onde a aluna entrou em contato com a produção de plásticos no mundo. Interessada no assunto, Olívia procurou lugares em Bauru comprar canudos ecológicos. Não encontrando e vendo o crescimento de uma demanda, a jovem começou seu negócio em novembro de 2018.

Em pouco tempo, o Instagram EcoLívia (@ecolivia_), já vendeu mais de 400 canudos.

“Esse projeto é muito importante para mim, porque é o primeiro projeto que eu faço sozinha. Além de ter como objetivo conscientizar as pessoas, não só sobre o uso dos canudos, mas sobre o uso dos plásticos em geral, principalmente dos descartáveis. A gente usa por comodidade, porque eles podem ser substituídos por outras coisas, mas acabamos usando os plásticos porque está muito intrínseca na sociedade”, comenta Olívia.

Para ela, oferecer opções para as pessoas deixarem o plástico de lado é um passo cada vez mais próximo da consciência ecológica. Ainda mais com a internet fazendo parte do nosso dia a dia. As redes sociais como Instagram e Youtube ajudam na propagação da ideia de sustentabilidade, veiculando ideais e possibilidade sobre o consumo consciente.

Olívia ainda deixa uma dica para quem, como ela, não tinha tanta consciência ecológica: “para uma pessoa que está muito acostumada a usar plástico, eu diria para desapegar e perceber que o apego é só comodismo. Faz parte da rotina dela, mas se ela estiver a fim de fazer algo por uma causa maior, ela pode sim mudar aos poucos!”, conclui.

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