Bauru é um verdadeiro destaque quanto o assunto é ilustração! Uma paixão de muitos bauruenses, os quadrinhos também têm sido a forma de destaque de muitos profissionais da cidade.

É o caso do designer e quadrinista Camilo Solano. Nascido em São Manuel, mas formado em Design pela UNESP de Bauru no ano de 2013, ele já trabalhou em várias empresas da cidade antes de engatar nos quadrinhos.

Apaixonado pela arte dos quadrinhos desde criança, Camilo já trabalhou para a revista MAD e até se classificou com uma dos finalistas para o prêmio Jabuti em 2018, a premiação literária do Brasil.

Desvendamos um pouco sobre sua vida com a ilustração em uma entrevista para o Social Bauru.

Social Bauru: Com surgiu essa paixão pela arte?

Camilo Solano: É mais uma paixão por contar histórias pela mídia história em quadrinhos. Desde criança, sou apaixonado por gibi e me surpreendo com o quanto eu me sentia próximo dos autores que lia na época. Para mim, os quadrinhos aproximam muito as pessoas, no caso, o leitor com o autor. Mais uma vez, na minha opinião, os quadrinhos têm um tom muito mais pessoal do que outras mídias. Claro que eu amo as outras artes, a música mesmo é uma arte que me leva pra longe, mas os quadrinhos são a maior paixão.

S.B.: Você pode contar um pouco sobre a sua trajetória na ilustração?

C.S.: Eu sempre desenhei e encaro o desenho como uma extensão de mim. Não consigo imaginar a minha vida sem desenho. Estou sempre buscando melhorar no desenho, o que acaba até se tornando uma obsessão, eu realmente sou obcecado em desenhar e entender o desenho e os quadrinhos, especificamente. Fiz vários trabalhos profissionais de ilustração mas estou sempre focado nos quadrinhos.

designer camilo solano
Arte de Camilo Solano

S.B.: Vi que você já fez alguns trabalhos para a MAD, como foi a experiência?

C.S.: Eu tenho essa memória da MAD guardada com muito carinho, pois ali foi o primeiro lugar em que eu tive uma chance de trabalhar com quadrinhos. O Raphael Fernandes era o editor da revista, nos conhecemos em Belo Horizonte, no FIQ, que é um evento de quadrinhos. Depois disso, ele me convidou para fazer uma paródia de Breaking Bad e foi assim a minha estreia. Foi um período legal.

S.B.: Você recebeu uma indicação ao prêmio Jabuti. Qual foi a sensação ter seu nome em uma das premiações mais importantes do Brasil?

C.S.: Ser um dos finalistas do Prêmio Jabuti foi uma das coisas que me aconteceram que mais me deixaram feliz. Foi um dos pontos mais altos da minha carreira até agora. Não consegui me expressar o suficiente para descrever a sensação de estar concorrendo a um prêmio onde pessoas como Clarice Lispector, Chico Buarque e Jorge Amado também já estiveram. É uma grande honra e também uma grande responsabilidade. A certeza de querer melhorar cada vez mais para tentar realmente estar ao lado de autores incríveis como tais.

S.B.: De São Manual, universitário em Bauru…Você toma, como inspiração, o interior na sua obra? Se sim, por quê?

C.S.: O interior está completamente inserido nos meus trabalhos. Eu sou um observador e tenho muito prazer em saber dos costumes e das histórias do Brasil em geral. Mas como vivi a maior parte da minha vida no interior paulista, várias de minhas histórias se passam em São Manuel, Bauru e etc.

O curioso é que nem por isso as histórias fazem sentido apenas para quem é do interior. Todo mundo acaba se identificando, mas eu acho que isso é mais por minhas histórias, antes de mais nada, estarem sempre muito focadas no interior de cada pessoa. O lugar onde minhas personagens mais estão é dentro da própria cabeça delas. Com todas as questões que a vida traz, como medo, ansiedade, dúvidas, alegrias e por aí vai.

designer Camilo Solano
Arte de Camilo Solano

S.B.: O que você toma como inspiração para suas artes?

C.S.: Eu gosto de coisa velha. Desenhos antigos, música antiga, literatura antiga. Mas não fico preso a isso não. Tenho como referência de desenho, os artistas mais antigos mesmo. Mas o que mais me inspira a produzir é realmente o cotidiano das pessoas. O que me motiva a contar histórias é tentar chegar mais próximo de pessoas que estão dispostas a ouvir e trocar experiências.

S.B.: Quais o seus projetos para o futuro?

C.S.: No momento, estou produzindo um quadrinho que se chamará “O Fio do Vento” que sai pela Editora Veneta ainda esse ano. É uma história que vai caminhando sem uma direção fixa, assim como o vento e a vida, ela toma um caminho que, muitas vezes, não temos como prever.

 

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