A cada dia que passa os bauruenses se deparam com novos desafios e contratempos nos seus deslocamentos para cumprir suas atividades cotidianas. São vias cada vez mais saturadas de veículos. Por vezes, a fluidez do trânsito até parece estar em regime normal e, repentinamente, passa a sofrer colapso devido a um evento inesperado: um semáforo desligado, um acidente de trânsito, um carro parado em fila dupla, um serviço de manutenção na via pública, etc.

O trânsito da Sem Limites está tão complicado que os serviços disponibilizados pelo aplicativo Waze, anteriormente úteis somente em cidades grandes, vêm sendo consultados cada vez mais, em tempo real, sobre as condições do trânsito local.

Boa parte do mundo, hoje, está voltada para atender aos requisitos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O objetivo 11 desta Agenda – Cidades e Comunidades Sustentáveis – visa tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Para este mister, fica claro que a mobilidade de pessoas não pode estar alicerçada no automóvel.

No mundo todo há pesquisas, desenvolvimento de unidades piloto e até mesmo novos modelos de automóveis movidos à energia alternativa. No entanto, esta proposição nada mais é do que uma falácia em termos de sustentabilidade da mobilidade. A sustentabilidade de que fala a Agenda vai além da questão relacionada com o consumo de energia renovável e limpa. É uma questão também de física.

Imagine o leitor se a frota bauruense de 281 mil veículos fosse toda substituída por outros elétricos. Só mudariam as externalidades relacionadas com a emissão de poluentes, poluição sonora, etc. A ocupação das vias continuaria a mesma e a lentidão do trânsito não seria modificada.

A indústria, de maneira geral, procura ficar atenta ao mercado e propõe alternativas: veículos movidos à energia elétrica ou fotovoltaica, hidrogênio dentre outras proposições. A realidade atual está mais orientada ao veículo movido à energia elétrica.

Desde o fim do século XIX, a invenção do automóvel e veículos motorizados de carga tem significado uma resposta viável para as questões de mobilidade, tornando muito mais fácil o acesso às mais diversas atividades humanas e movimentação de mercadorias.

O automóvel foi muito além, se tornando, mesmo, objeto de desejo de muitas pessoas e um símbolo de status social. Pouco mais de um século após sua invenção, automóveis se tornaram vilões, confrontados com os novos valores de sustentabilidade. Além desses problemas ambientais, novos questionamentos são feitos, tais como uso de recursos não renováveis, emissão de poluentes, congestionamentos pela quantidade crescente de veículos nas ruas, etc.

Neste sentido, pouco valerá apenas transformar o velho motor a combustão interna ou a diesel em motores elétricos se os veículos não cabem mais nas ruas e avenidas, rodovias, etc. Outros ainda propõem o mini carro, ou o veículo autônomo.

No entanto, a física é implacável. A Lei de Newton ensina que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo”.

Com carros pequenos, demorar-se-á um pouco mais de tempo para a saturação, porém ela é inexorável. Enfim, não há soluções de transporte urbano sustentável que não passe necessariamente pelo modo coletivo.

O bauruense convive nestes tempos com a proposta do novo Plano de Mobilidade. Este Plano deverá ser sobejamente debatido pela sociedade. Afinal, a cidade já se encontra em um estágio bastante atrasado no que tange à sua mobilidade.

Vale a pena citar dois pensamentos de Enrique Peñalosa Londoño, prefeito de Bogotá, de 1998 a 2001 e 2016 a 2019, e um dos maiores especialistas de vanguarda em termos de mobilidade urbana sustentável. “Calçadas são um direito do cidadão. Ter carros estacionados é uma decisão política. Não há nada técnico, nem legal que obrigue a ter vagas. Estacionar não é um direito constitucional”.

E mais: “Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro, mas aquela em que até os ricos usam transporte público”.

Convém, então, que a sociedade bauruense aproveite este momento para transformar a “urbe nostra“ em uma cidade melhor de se viver. A hora é agora.

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