O veganismo, para muitos bauruenses, vai além de restrições alimentares! E, apesar de estar em alta, muita gente confunde o termo como apenas uma opção de cardápio, baseada em vegetais, frutas e legumes.

Na verdade, o veganismo, envolve uma completa mudança de ideias e de hábitos e está mais voltado para um estilo de vida.

Segundo a definição criada pela The Vegan Society, da Inglaterra, a mais antiga entidade vegana do mundo:

O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade.”.

O veganismo é um dos tipos de vegetarianos! Portanto, para que não haja mais confusão, veja abaixo a tabelinha :

Tabela tipos de grupos de vegetarianos (Infográfico: Letícia Yoshimura)

Pilares do veganismo

No veganismo existem três pilares essenciais:

1. A valorização da sua própria saúde;

2. Conservação do meio ambiente;

3. Ética e empatia animal.

Renan Lace, bauruense e vegano estrito há mais de 3 anos, comendo um lanche vegan.

Os pilares não se concretizam de uma vez só nas pessoas, elas vêm aos poucos, através da informação.

O bauruense, Renan Lace, vegano há mais de três anos e vegetariano estrito há mais de seis, é um exemplo dos três pilares na prática.

Ele começou a se interessar pelo estilo de vida, pela empatia aos animais: “Eu sempre gostei muito de cachorros e, com o tempo, a minha cabeça foi comparando [eles com os animais que comemos] e fez com que me tornasse vegetariano e vegano”.

Pesquisando sobre o assunto, ele viu também que a dieta vegetariana estrita, à base de vegetais, frutas e legumes “é sensacional e faz muito bem”.  Outro fator foi o meio ambiente e os impactos que o seu consumo produzia de marcas negativas no planeta.

Uma pesquisa do IBOPE, encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), identificou que 14% de população se declara como vegetariana.

Fazendo um pouquinho de cada vez…

A vegana, chef e idealizadora da Happig aqui de Bauru, Kamila  Feldenheimer, vende alimentos, ou, como ela mesmo chama: “rangos” veganos.

O cardápio vai desde pizzas, massas, burguers, queijos, bolos, tortas  e até ovos de Páscoa. Ela também tenta implementar o conceito de Lixo Zero, procurando reduzir a produção de lixo.

A empresa também oferece  consultoria empresarial, workshops e oficinas de culinária voltadas ao mercado vegan.

Para a bauruense, o veganismo era uma utopia, muito distante de sua realidade. Mas, após entrar em um grupo de veganos no Facebook, descobriu que tudo era possível. Como completar mais de quatro anos de veganismo.

Kamila comenta que a parte mais difícil de se tornar vegano é a alimentação. Afinal, as pessoas estão acostumadas desde pequenas a consumirem alimentos de origem animal.

O professor de Educação Física e estudante de nutrição Renan, concorda: “Depois que você concilia toda a alimentação, vê que está tudo certo. Você sente que está fazendo pouco”.

A partir de então, Renan começou a procurar marcas de higiene e de vestimenta que não testam em animais e nem possuem origem animal.  Isso se aplica também aos locais e estabelecimentos.

A chef Kamila conta que, atualmente, trabalha em casa, o que torna as coisas mais fáceis. No entanto, para quem trabalha fora, ela dá a dica: “Quando trabalhava em horário comercial eu tirava o domingo para preparar as refeições da semana e congelava”, explica.  

A bauruense comenta que, mesmo com suas restrições alimentares, ela não deixa de ir a nenhuma comemoração.

E, quando não há opções veganas, Kamila leva a própria comida: “sempre que preciso, levo minha comida, já levo de monte pra todo mundo ver que é gostoso e ninguém passa fome”.

Dieta vegetariana estrita

O que provoca muitas dúvidas é a dieta vegetariana estrita. Afinal, para se tornar vegano, as opções de alimentação se tornam muito restritas, certo? ERRADO!

Aqui em Bauru, temos vários restaurantes, lanchonetes, marmitarias e até bares que oferecem opções veganas em seu cardápio, do hot dog ao prato mais elaborado. 

Além disso, a cidade ainda conta com o primeiro empório de produtos veganos, idealizado pela Regiane, também vegana. Na Little Vegan dá para encontrar de tudo, desde comidas até produtos de beleza!

Mas se você é daqueles que gosta de economizar, pois infelizmente o mercado vegano ainda é pequeno e muito segmentado, cozinhar a própria comida é uma das melhores opções.

A nutricionista Jaqueline Franco dos Santos falou com a gente e deu algumas dicas para uma alimentação balanceada, através de opções mais saudáveis, baseada em vegetais, frutas e legumes, de preferência orgânicos. E, claro, sem base animal! Confira a entrevista completa: 

– Como podemos manter uma dieta balanceada?

Uma dieta balanceada é composta por todos os nutrientes: carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais. Na dieta vegetariana estrita, ou seja, sem nada de origem animal (carnes, ovos, leites e derivados) é possível encontrar esses nutrientes em todos os grupos de alimentos!

Desde os feijões e cereais aos legumes e verduras. Variando os alimentos durante as refeições, e não exagerando apenas em um tipo de alimento, pois tudo em excesso não é bom.

– Quais os principais alimentos que substituem a carne?

Quando se fala em dieta vegetariana, a primeira pergunta é: “mas e as proteínas?“. As pessoas têm a falsa ideia de que a carne é a única fonte de proteína, mas não. A carne é composta por aminoácidos essenciais importantes para nosso organismo, fazendo a função de manutenção e construção do corpo.

O que muita gente não sabe é que esses aminoácidos também são encontrados em alimentos de origem vegetal, principalmente nas leguminosas (grupos dos feijões). Esses alimentos, quando combinados, são o suficiente para nos oferecer todos os aminoácidos essenciais, por isso a alimentação deve ser bem variada, quanto mais colorido o prato melhor.

Um exemplo de proteínas vegetais que se completam é o clássico arroz com feijão.

– Qual a recomendação média de consumo de nutrientes por dia?

Não é necessário que a ingestão de nutrientes para vegetarianos e onívoros sejam diferentes. Levando em consideração que a composição de um prato de uma dieta vegetariana equilibrada é bem mais diversificada, a ingestão de nutrientes dos vegetarianos acaba sendo maior que as de onívoros na maioria das vezes.

– Todo vegano precisa tomar suplemento alimentar para suprir nutrientes como a vitamina B12?

A carência de vitaminas não é apenas um problema que deve ser preocupação dos vegetarianos e veganos. Toda a população tem carência de um ou outro nutriente, inclusive, existem muitos onívoros com carência de B12, por isso deve sempre se consultar um médico ou nutricionista.

A vitamina B12 é de origem bacteriana, com todo cuidado e higiene que temos hoje em dia, a fonte mais confiável de B12 é a carne e derivados animais, pois os animais ditos de corte são suplementados com essa vitamina.

Por serem estas, as melhores fontes, os vegetarianos devem estar sempre atentos e acompanhando, por meio de exames laboratoriais, a dosagem desta vitamina e, quando necessário, suplementar com acompanhamento profissional, claro. Existem vários suplementos de B12 e até de outras vitaminas e minerais adequados aos veganos.

Quanto aos outros nutrientes, sempre há dúvida sobre proteína, ferro e cálcio. Mas, quando se tem uma dieta balanceada, comendo todos os grupos de alimentos vegetais não é necessário a suplementação.

É sempre bom fazer exames de rotina e acompanhamento com um profissional, não apenas os vegetarianos, mas também os onívoros.

– Há alguma restrição médica para algumas pessoas que querem se tornar veganas?

A American Dietetic Association (ADA) diz que a dieta vegetariana, inclusive a estrita, é adequada a todas as fases da vida. Seja na gravidez até a terceira idade, inclusive para prevenção e auxílio no tratamento de diversas doenças.

O Ministério da Saúde reconhece, em seu último guia alimentar, que não é necessário comer carne e derivados para se manter a boa saúde.

Para pessoas que possuem algum problema de saúde é sempre adequado fazer um acompanhamento profissional. Mas o vegetarianismo não deixa de ser adequado para qualquer pessoa em qualquer fase.

Aliás, a carne vermelha possui propriedades que podem trazer malefícios ao nosso organismo. É aconselhado o consumo de no MÁXIMO três vezes na semana.

Existe um movimento chamado Segunda Sem Carne, que promove a diminuição do consumo, para o bem da saúde, do planeta e dos animais.

– Qual a sua dica para os iniciantes ou os que querem se tornar veganos?

  1. Não tente substituir a carne por PTS (proteína de soja texturizada) em todas as refeições. Isso ocorre muito entre iniciantes, o que não é adequado, pois a PTS é uma alimento processado.
  2. Procure comer bastante verduras, frutas e legumes, tenha uma alimentação bem variada, com pratos bem coloridos. Coma bastante leguminosas pois elas são ricas em proteínas.
  3. Um dos maiores erros que encontramos em prática clínica é a não adequação correta dos grupos alimentares. Ocorrendo, assim, um consumo exacerbado de carboidratos. Por isso, é recomendado a procura de um profissional nutricionista para melhor orientação.
  4. Existem muitas receitas na internet  que ajudam a “enganar” os olhos. Essas receitas imitam preparações que costumam ser de derivados animais. O que pode ser de grande ajuda,  principalmente no início quando pode ser mais difícil.
  5. O principal é: procure ajuda profissional para não cometer erros durante a transição.

Jaqueline é formada em nutrição e ainda expressa o desejo de fazer a especialização na capital paulista. Mas, no momento, ela só quer curtir a gravidez e cuidar dos típicos sintomas do período. E só então, pensar nos estudos novamente, com a nutrição em dieta vegana e vegetariana.

A nutricionista ainda finaliza que pretende sim passar a educação vegana para o(a) filho(a), ensinando sempre a respeitar e ver os animais como iguais.

Para começar, basta apenas ser curioso!

O primeiro passo é trocando experiências com pessoas novas. Portanto, converse com quem já é praticante do veganismo, em grupos online sobre o assunto e afins.

Experimentar coisas novas é super válido. Vá além de suas expectativas, até aquelas coisas “estranhas”, podem ser deliciosas, se você der a chance.

Além disso, visitar locais, estabelecimentos e consumir marcas que tem a pegada vegana, passa a ser um hábito diário. É impossível de ser deixado de lado.

E a última dica é: pesquise muito! Seja por uma matéria (hehe), vídeos, canais, perfis e grupos online.  

Através de novos conhecimentos e o auxílio do famigerado Google, é possível ir mudando pequenos hábitos. E quando você menos esperar, já vai estar apoiando a causa sendo um  reducionista, estrito na dieta ou em todas as vertentes de sua vida! Go Vegan!

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