Dar a volta ao mundo. Viajar e conhecer as partes mais remotos do globo. Tudo isso pode até parecer uma grande aventura, mas para o casal bauruense Paula Lamberti e Fernando Mendes é uma forma de realizar um sonho que ambos tinham!

Os dois dividiam a paixão por velejar desde que se conheceram e, desde então, já participaram de competições de regata e passaram um ano e meio viajando pelo Atlântico. Agora, Paula e Fernando serão mais ousados em seus planos: oito anos viajando pelo mundo em alto mar!

Conversamos com a Paula Lamberti para saber um pouco mais sobre a viagem e a paixão por velejar. Confira a entrevista completa:

– Como surgiu essa vontade de viajar pelo mundo?

Desde a primeira vez que fizemos um passeio de veleiro, em 1993, em Paraty. Nem éramos namorados ainda, só amigos, ficantes às vezes (risos). A partir daí começamos a sonhar em ter um veleiro, depois nos casamos e a vontade não passou. Fomos picados pelo bichinho da vela e ficamos doentes para sempre.

– Qual a relação de vocês com viajar? Vocês sempre gostaram?

Viajar pra nós vai além “do conhecer lugares”, é um modo de vida. Isso porque, viajar dessa forma, com sua própria casa, faz essa experiência ser ainda mais encantadora, pois assim nós podemos viver o dia a dia dos locais por onde passamos, conhecer as pessoas, seus costumes e culturas, compartilhar momentos com pessoas diferentes em lugares diferentes, fazer amigos em cada lugar do mundo e ir construindo uma história cheia de nuances e rica em experiências. Dessa forma somos donos do nosso tempo e não temos a sensação de ver a vida escorrendo entre nossos dedos e sim de estar vivendo plenamente.

casal veja bauru

– Quando começaram os preparativos para a viagem?

Para essa viagem, estamos nos preparando há um ano. No final de 2017, trocamos nosso veleiro por outro um pouco maior, um Delta 41, que nos motivou para uma nova viagem.

Desde junho de 2018 estamos morando a bordo do novo barco e preparando-o para essa nova viagem. Instalamos dessalinizador, para termos autonomia de água doce, placas solares e gerador eólico, para autonomia de energia. Também colocamos equipamentos de salvatagem para navegação oceânica, como balsa salva-vidas, artefatos pirotécnicos, rastreador via satélite, celular satelital, entre outras inúmeras providencias para, além da segurança, fazer o veleiro se transformar em uma casa de fato.

Fomos há pouco para Bauru com objetivo de visitar a família e os amigos, além de fazer check-up médico, dentário, tomar vacinas, enfim, tudo para viajarmos tranquilos.

– O que vocês esperam dessa viagem?

Esperamos que seja uma viagem rica em novas experiências. Que possamos viver intensamente cada momento viajando com segurança em nossa casa flutuante.

– Qual o percurso vocês farão e como ele foi decidido?

Dessa vez, o nosso percurso irá se repetir em alguns momentos, vamos fazer novamente a volta do Atlântico. Mas agora, após chegar à Europa, entraremos no Mar Mediterrâneo, coisa que não fizemos na viagem anterior. Queremos conhecer, pelo mar, a Espanha, Itália, França, Grécia, Croácia, entre outros países.

Após essa temporada, atravessaremos novamente o Atlântico em direção ao Caribe e seguiremos rumo ao Panamá, para atravessar o canal e assim dar início oficialmente a volta ao mundo, passando por Galápagos, Marquesas, Polinésia, etc. Aprendemos, com a experiência anterior, a não sairmos com projetos ou planos fechados, estamos sempre abertos a alterações ou mudanças nas rotas.

casal bauru vela

– Para uma viagem dessa, vocês devem estar preparados para tudo, não é mesmo? Como é pensar nas necessidades que vocês terão ao longo da viagem?

Nossa maior atenção é quanto ao fato de que, enquanto estamos navegando, não é possível sair para buscar um remédio ou qualquer outra coisa que necessitemos em uma urgência.

Sendo assim, antecipamos algumas situações levando uma caixa de primeiros socorros bem completa, alimentação para mais do que o tempo que passaremos em travessia como precaução, livros para passar o tempo, material para manutenção de motor e de equipamentos do barco em geral. A vida à bordo nos tira totalmente da zona de conforto, impossibilitando uma rotina, o que faz esse estilo de vida ser muito dinâmico.

– Quando vocês voltarão?

A nossa previsão, à princípio, é passar oito anos viajando pelo mundo. Retornando a Bauru em viagem de avião para visitar a família e os amigos com intervalos anuais, deixando o barco onde estivermos para quando voltarmos, retomarmos a viagem de onde paramos.

– O que vocês vão mais sentir falta de Bauru nesse meio tempo?

É certo que o que mais nos fará falta e que se encontra em nossa cidade é nosso maior tesouro – A FAMÍLIA!

Pet à bordo

Durante a viagem, o casal terá à bordo a companhia do cãozinho Choppinho. Ainda que esteja acostumado com as viagens dos bauruenses, Paula e Fernanda tiveram de se atentar com alguns cuidados ao fazerem essa escolha.

Choppinho passou por implante de microchip, recebeu vacina e sorologia de raiva. O casal também mantém a carteira de vacinação em dia, cumprem  quarentena de 90 dias e atestado de saúde, além da emissão do Certificado Veterinário Internacional.

“Também providenciamos um kit de farmácia pet, estoque de ração, colete salva-vidas, capinha de chuva, redes de proteção no veleiro, e outros ítens que garantirão a segurança do Choppinho“, explica Paula.

Mascote da viagem e muito apegado ao casal, nunca foi alternativa deixá-lo para trás. Contudo, Paula e Fernando foram avisados sobre os perigos da viagem para o cachorro, mas eles explicam sobre todos os cuidados que tem e terão com o cãozinho.

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Choppinho, o mascote do casal bauruense

“Entendo que por termos feito uma opção de vida fora do padrão, as preocupações surgem por conta do desconhecimento da maioria das pessoas sobre esse universo. Afirmo que a rotina do nosso cãozinho é muito saudável e feliz. A saúde e o bem-estar do Choppinho são prioridades pra nós. Ele morreria de tristeza se não fosse conosco, ele já está adaptado, vive com a gente no barco desde filhote, estamos bem assessorados pela veterinária dele e outros profissionais da área”, afirma Paula.

E completa:

“Ele não fica confinado dentro do barco. Assim como a gente, vive em praias, corre, brinca, tem uma vida em contato com a natureza, que consideramos muito mais saudável do que a vidinha que proporcionaríamos a ele se estivéssemos na cidade, num apartamento e passeando somente pelas calçadas”, finaliza.

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