Por muito tempo a sociedade empunha papéis para as mulheres. Mulheres não podem trabalhar em certas profissões. Mulheres não podem praticar certos esportes. Mulheres não podem tocar certos instrumentos. Mulheres não podem se comportar de certa maneira.

Hoje, a luta feminina por direitos iguais vem ganhando força não só no Brasil, mas no mundo todo! Nesse parâmetro, as minas mostram que podem e são capazes de fazer o que quiserem.

Aqui em Bauru, a aluna de design gráfico, Ana Beatriz Fronzoni, criou um projeto para dar voz às meninas das baterias da Unesp e ainda lutar contra o preconceito que ainda existe.

Lugar de mulher também é na música

Ana Beatriz sempre gostou de música, mas também sofria muito com a timidez. Em 2017, quando a bateria da Unesp de Bauru, a Naumteria, abriu o processo seletivo para harmonia, ela viu uma oportunidade.

“Eu já gostava de cantar, mas nunca tinha me arriscado em público. Entrei na Naumteria para tentar trabalhar melhor a minha autoestima, timidez e segurança”, afirma Ana.

Desde então, Ana aprendeu muito dentro da bateria sobre empoderamento, segurança, empatia e resiliência.

toque como uma mina
Foto: Adie Mathias

“Como ficamos próximas de muitas meninas que já passaram ou passam por problemas semelhantes aos nossos, aprendemos a dar suporte umas às outras”, comenta.

E foi desses anos de aprendizado na Naumteria, que Ana criou o projeto Toque Como Uma Mina.

Toque como uma mina

Pronta para fazer o seu trabalho de conclusão de curso, Ana começou a juntar as coisas que gostava, entre elas: feminismo, política e bateria.

“Já existia um movimento muito forte e a hashtag #ToqueComoUmaMina, então, eu resolvi dar uma imagem gráfica para ele”, explica Ana.

Portanto, o Toque Como Uma Mina é uma revista física, além de site, Facebook e Instagram, que questiona o machismo, empodera e dá motivos para as mulheres verem transformações nas baterias e não desistirem da música.

toque como uma mina bauru
Foto: Adie Mathias

Para isso, a aluna produz e compartilha matérias, além de apresentar as baterias de todos os campi da Unesp. Ana também coletou dados de 400 meninas de baterias, criou gráficos e ainda fez relatos de situações que algumas alunas já passaram.

Um dos relatos mostra que, até 2015, na Naumteria, muitos instrumentos eram vetados às meninas. Mulheres não podiam tocar o surdo (um tipo de tambor), por ser pesado e “não aguentarem”.

Hoje, segundo Ana, a bateria é um ambiente bem mais igualitário.

Empoderamento

O objetivo de Ana é trazer mais empoderamento às mulheres, já que muitos campi ainda possuem instrumentos vetados, hinos agressivos e atitudes machistas.

Mas por que a mulher ainda é vista dessa forma, não só nas baterias universitárias, mas também na música?

“É a forma como a sociedade ainda nos vê. Na música, as mulheres ainda são vistas como cantoras e dançarinas, mas nunca como uma engenheira ou produtora. Essa visão ainda atrapalha muito!”, responde Ana.

toque como uma mina bauru
Foto: Adie Mathias

Por isso, projetos como os de Ana são tão importantes, porque criam uma rede de mulheres fortes.

Com o projeto já entregue, Ana se mantém em Bauru e na Naumteria até o final do ano, contudo, tem um desejo para a bateria que a acolheu.

“Espero que, mesmo depois que eu sair, deixe uma bateria melhor do que era”, finaliza.

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